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REPORTAGEM

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Crise na Petrobras? Entenda para onde vão as ações e a gestão da empresa

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

25/02/2021 04h00

As falas recentes do presidente Jair Bolsonaro chegaram como uma tempestade para a Petrobras nos últimos dias. As ações caíram mais de 6% na sexta-feira (19 de fevereiro) e repetiram a dose na segunda-feira, desta vez com queda próxima a 20%. Depois, o tempo abriu: vieram dois dias de alta das ações.

Entre altas e baixas, as quedas vieram embaladas pelo receio do mercado de que a empresa volte a segurar o reajuste de preços para que não haja pressão na inflação do país. Isso em um cenário de alta do dólar e do preço do barril de petróleo.

No vídeo acima, converso com o especialista Marco Harbich, gerente Wealth Management da Órama Investimentos, sobre as incertezas que rondam a companhia.

Em um passado não muito distante, no governo de Dilma Rousseff, a Petrobras acumulou prejuízos e endividamento devido a interferência do governo na maneira como os preços dos combustíveis eram reajustados.

O incômodo atual do governo com os reajustes dos combustíveis, para o mercado, é um sinal negativo de que, em maior ou menor grau, podem haver interferências na empresa.

Isso porque na quinta-feira a empresa anunciou um novo reajuste de preços. Bolsonaro fez questão de pontuar sua insatisfação e, no dia seguinte, o comando teve alterações. Saiu Roberto Castello Branco e foi indicado o general Joaquim Silva e Luna, que ainda deverá passar pela votação em assembleia para tomar posse. Além disso, foi anunciada a isenção de impostos federais por dois meses no caso do diesel e do gás.

O governo se vê em um dilema: se a empresa seguir a política de preços de reajustes conforme os valores internacionais, a inflação deve sofrer e isso pode abalar o apoio político da população e dos caminhoneiros. Se houver de fato uma interferência, haverá perda de apoio do mercado. As quedas recentes de preço já mostram isso.

A saída de investidores estrangeiros da empresa além das incertezas levantadas quanto à continuidade de Paulo Guedes à frente do Ministério da Economia, porém, também fazem o dólar subir. Em uma área tão fortemente impactada pelo preço do dólar, a pergunta que resta é: será que a empresa vai conseguir segurar os preços desta vez?

Além desta coluna, o Econoweek está no Instagram e YouTube. Por aqui ou por lá, envie sua dúvida sobre o futuro da Petrobras.