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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Alta da Selic muda muito pouco a vida do pequeno investidor

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

18/03/2021 04h00

Na noite desta quarta, o Brasil entrou em uma nova fase de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) começou o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, taxa esta que serve de referência para diversas aplicações de renda fixa, como Tesouro Direto, CDBs, LCIs, entre outras.

O juro que estava em 2% ao ano foi elevado para 2,75%. Mas será que a alta faz tanta diferença no dia a dia do investidor?

Assim que sai a decisão do Copom, a cada 40 dias, há uma verdadeira corrida em torno de qual deve ser a nova postura nos investimentos. O que será melhor: assumir risco ou seguir na renda fixa? Prefixar os investimentos ou partir para opções pós-fixadas?

A verdade é que para o pequeno investidor a diferença de rentabilidade é mínima. No vídeo acima mostro uma simulação que aponta para a triste realidade.

Nesta semana me deparei com um dado que surpreendente: 85% da população vive com até R$ 2 mil por mês. Metade da população, com R$ 413. Os dados aparecem em um texto brilhante da Startup da Real, lido e comentado em uma live pelas mulheres do Invista Como Uma Garota. Vale a pena seguir ambas as páginas para ter acesso à educação financeira.

Ainda que a renda seja baixa, considerando o melhor cenário, de ganhos de R$ 2 mil, vamos imaginar que a pessoa consiga poupar o que os gurus das finanças recomendam. Ou seja, guarde 20% da renda (ou R$ 400 todos os meses).

A primeira meta que o investidor tem é de formar a reserva de emergência. Se quiser juntar o equivalente a seis meses de gastos, isso seria R$ 9.600 (ou seja, R$ 1.600 vezes seis).

Se a pessoa conseguir um CDB que lhe pague 120% do CDI ganha um pouco mais que a taxa básica de juros. Antes da mudança, quando a Selic estava em 2%, o ganho seria de 2,4% ao ano. Agora, com a Selic em 2,75%, o ganho é de 3,3% ao ano.

Em ambas as situações, com a pessoa guardando R$ 400 por mês, a meta da reserva de emergência (R$ 9.600) seria atingida no 24º mês. Ou seja, a alta de 0,5% na taxa básica de juros não altera o longo trajeto que o investidor tem para alcançar esse objetivo.

É claro que este é apenas o começo de uma trajetória de alta da taxa que ninguém sabe onde vai parar. Analistas falam em 3,5%, 4,5% e em até 5% até o fim do ano.

O baixo rendimento não significa que o melhor então é gastar ao invés de poupar ou que, por mínima diferença que seja, a pessoa não deveria buscar rentabilidades maiores. É melhor pegar um CDB a 120% do CDI do que a 110% do CDI.

Mas a conta também nos mostra que nas finanças e construção do patrimônio dois outros pontos são mais importantes: ter resiliência para poupar todos os meses, mesmo a juros baixos, e investir na própria carreira para tentar melhorar a renda e sair da estatística de 85% da população que ganha até R$ 2 mil por mês.

Você acha que a alta da Selic traz grandes mudanças para o investidor? Comente abaixo ou deixe sua opinião nas nossas páginas no YouTube e Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL