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João Branco

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Meu fracasso favorito

João Branco

João Branco tem mais 20 anos de experiência em grandes marcas e trabalha desde 2014 no McDonald's, onde é o Diretor de Marketing e lidera o talentoso time que está batendo todos os recordes de vendas da história do Big Mac. João estudou em algumas das melhores universidades do mundo mas aprendeu no "Méqui" o que nenhuma aula teórica foi capaz de ensinar: que o resultado sempre vem quando o consumidor ama muito tudo isso.

Colunista do UOL

14/07/2021 04h00

Os Jogos Olímpicos estão quase começando. Serão dezessete dias sendo bombardeados por cenas de humanos muito capacitados, treinados e determinados em cenas de superação. Nas últimas 5 Olimpíadas, mais de 500 recordes foram quebrados no total. Com muitas cenas de pódio com olhos marejados, medalhas sendo mordidas e atletas falando mensagens motivacionais para as câmeras.

Eu me comovo quando assisto alguém se esforçando muito e vencendo. Quem não se alegrava com a música da vitória do Ayrton Senna? Ou o grito do "É tetraaaaaaaaa" do Galvão Bueno?

Momentos de conquista têm uma capacidade de mexer com os nossos sentimentos. É como se a gente precisasse desses exemplos para nos inspirarmos. Quando vemos alguém fazendo algo que antes não era possível, nosso entendimento dos limites muda. Esse é o lado positivo de assistir competições.

Mas há um outro lado. O do perdedor. Do frustrado que ficou em último, que foi desclassificado e não será lembrado. Da pessoa que também se esforçou bastante, tentou dar o seu melhor, mas, ainda assim, fracassou.

As perdas também mexem muito com a gente. Eu já fui o último a ser escolhido na formação dos times de futebol da rua. Já perdi muitas corridas. Fui mal em provas importantes. Já fui demitido. Já tive ideias "brilhantes" que não deram em nada. Por muitas vezes eu fui daqueles para quem a gente diz que "o importante é competir" ou que "é errando que se aprende".

Esses dias me perguntaram como lido com os fracassos e isso me fez pensar a respeito. Começando por essa pergunta: afinal de contas, o que é um fracasso?

Quem deixa queimar o arroz na cozinha está fracassando? Quem investe em um empreendimento e vai à falência é um perdedor? Quem escorregou em uma banana fracassou? E quem bateu o carro? E se tiver seguro, ainda assim é fracasso?

Já dá para ver que há casos e casos. Gosto da interpretação de que fracassar é errar o alvo. Mas há um detalhe muito importante nessa dinâmica: qual é o alvo? Não passe batido por esse parágrafo: como você define o que é fracasso e o que não é?

Quando um atleta olímpico, emocionado pela vitória, faz um discurso inflamado, eu fico preocupado. Já ouvi muitos deles dizendo algo do tipo "basta você acreditar nos seus sonhos e se empenhar, que eles se tornarão realidade". Entendo a emoção do momento, mas essa é uma frase perigosa. Na prática, há muitos sonhos que nunca se tornarão realidade nem se eu me empenhar muitíssimo. E também há muitos sonhos que são meramente materiais, egocêntricos e sem sentido, que podem mais atrapalhar do que ajudar.

Mas gostei de ter visto essa semana o vídeo do Richard Branson —fundador da Virgin— ao conquistar o seu primeiro voo espacial com uma aeronave construída pela sua equipe. Ele disse: "à próxima geração de sonhadores: se nós conseguimos fazer isso, imagine o que vocês poderão fazer".

Sim, somos capazes de muitas coisas. Sonhe alto e mire a lua. Mas, nesse caso, lembre-se de ficar contente se você atingir as estrelas. Esse será o seu fracasso favorito.

banana - Felipe Tomazelli - Felipe Tomazelli
Imagem: Felipe Tomazelli

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL