PUBLICIDADE
IPCA
1,16 Set.2021
Topo

José Paulo Kupfer

BC mexe na taxa de juros sem sair do lugar, no primeiro Copom de 2021

Conteúdo exclusivo para assinantes
José Paulo Kupfer

Jornalista profissional desde 1967, foi repórter, redator e exerceu cargos de chefia, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, nas principais publicações de São Paulo e Rio de Janeiro. Eleito “Jornalista Econômico de 2015” pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo/Ordem dos Economistas do Brasil, é graduado em economia pela FEA-USP e integra o Grupo de Conjuntura da Fipe-USP. É colunista de economia desde 1999, com passagens pelos jornais Gazeta Mercantil, Estado de S. Paulo e O Globo e sites NoMinimo, iG e Poder 360.

20/01/2021 19h38

O Comitê de Política Monetária (Copom), mexeu na taxa básica de juros, sem alterar o nível em que ela permanece desde agosto. Essa "mágica" foi possível com a retirada do "forward guidance" introduzido na mesma reunião de agosto de 2020, quando a taxa Selic foi cortada de 2,25% para 2%.

Mais do que um sinal de que planeja elevar os juros básicos em breve - o que, de todo modo, passa a ser uma possibilidade mais palpável - a retirada do "forward guidance" indica que o Copom quer mais espaço e flexibilidade para manejar a política monetária, num momento de grandes incertezas sobre o comportamento da economia, e, em consequência, da inflação. Com a retirada do "forward guidance", o Copom não mais se compromete, desde que observadas certas condições, a manter a taxa Selic inalterada por um período de tempo mais longo.

Traduzido como "prescrição futura", o "forward guidance" pode ser entendido como um instrumento complementar de coordenação de expectativas, dentro do arsenal de mensagens da comunicação a que os bancos centrais costumam recorrer. O instrumento tem sido usado em geral quando a economia se encontra em recessão, a inflação se mantém abaixo do centro da meta anteriormente estabelecida, e a taxa básica de juros já está muito baixa.

Pelas regras de política monetária, definidas pelo sistema de metas de inflação, em situações desse tipo, o receituário tradicional mandaria cortar ainda mais os juros básicos. Quando isso, porém, pode afetar, negativamente, outras linhas de política econômica, em especial a política fiscal, a "prescrição futura" entra em cena.

O mecanismo introduzido pelo Copom em agosto passado, não é uma novidade no arsenal de instrumentos dos bancos centrais. O "forward guidance" foi usado pela primeira vez pelo BoJ (Banco Central do Japão) em 2007. A novidade foi adotada pelos bancos centrais das maiores economias ocidentais - Fed (Federal Reserve, banco central americano), BCE (Banco Central Europeu) e BoE (Banco Central da Inglaterra) -, com utilização mais frequente no enfrentamento da grande crise de 2008.

Entre a avaliação de que há pressões inflacionárias no horizonte, que permitem projetar uma variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), próximo ao centro da meta fixada, neste e nos próximos anos, e a constatação de que a atividade econômica pode ser negativamente impactada por uma segunda onda de Covid-19, o Copom, resumindo, não saiu do lugar, mas retirou do seu caminho a barreira que havia imposto a si mesmo em manter os juros em nível historicamente baixo, para estimular a economia. Para o mercado, o sinal é de alta dos juros, e alguns analistas já projetam uma elevação de 0,25 ponto na taxa básica, em março, ou pelo menos ainda no primeiro semestre, dando início a um ciclo de altas que levaria a taxa Selic, no fim do ano, de 3,25% a 4%.

PUBLICIDADE