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Nina Silva

Pobres permanecem sendo pobres na perpetuação do sistema

Nina Silva

Executiva em Tecnologia há mais de 20 anos, especializada em gestão de projetos internacionais e transformação digital. Nina é empresária, escritora, mentora para negócios e palestrante. CEO e uma das fundadoras do Movimento Black Money, Nina foi considerada pela UOL Universa uma das 19 mulheres de 2019, pela Forbes em 2019 uma das 20 Mulheres Mais Poderosas do Brasil e pela MIPAD (Most Influential People of African Descent) como uma das 100 afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo de 40 anos.

21/10/2020 04h00

Famílias pobres brasileiras levariam nove gerações para alcançar renda média do país, diz a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O país ocupa a segunda pior posição em um estudo sobre mobilidade social feito pela instituição com dados de 30 países e divulgado ano passado.

A chance de uma criança de baixa renda ter um futuro melhor que a realidade em que nasceu está, em maior ou menor grau, relacionada à escolaridade e ao nível de renda de seus pais. Nos países ricos, o "elevador social" anda mais rápido. Nos emergentes, mais devagar —no Brasil, ainda mais lentamente.

O Brasil não valoriza quem gera e redistribui riqueza. Os dois mais ricos do Brasil: um faz cerveja, o outro é banqueiro!

Filhos de pais pobres

Filhos de pais na base da pirâmide têm dificuldade de acesso à saúde e maior probabilidade de frequentar uma escola com ensino de baixa qualidade. Faça a conta: se negros são 75% dos 10% mais pobres do país, quando iremos ascender se mantivermos as relações de trabalho e circulação de riqueza desta estrutura?

Para promover mobilidade social, seriam necessárias nove gerações para que os descendentes de um brasileiro entre os 10% mais pobres atingissem o nível médio de rendimento do país.

E você ainda vai colocar todas as suas fichas na Inclusão a partir do outro?

Proteja-se das armas de exclusão do sistema transvestidas de medidas de inserção, pois, em sua maioria, não serão suficiente para desregular o mercado, que sempre se auto regula para nos excretar.

(Auto) Organizar para fortalecer

Vários movimentos socioeconômicos no Brasil e no mundo estimulam o fortalecimento intracomunidade pautado em relações de capital e influência para aceleração do acesso à educação de qualidade e inovadora, à geração de renda a partir de negócios entre pessoas do mesmo grupo e à criação de fundos e clubes de investimentos onde o pouco em conjunto se torna potência.

Sem comunidade, certamente não há libertação, nem futuro.
Audre Lorde