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Nina Silva

Digital First, caminho sem volta

Nina Silva

Executiva em Tecnologia há mais de 20 anos, especializada em gestão de projetos internacionais e transformação digital. Nina é empresária, escritora, mentora para negócios e palestrante. CEO e uma das fundadoras do Movimento Black Money, Nina foi considerada pela UOL Universa uma das 19 mulheres de 2019, pela Forbes em 2019 uma das 20 Mulheres Mais Poderosas do Brasil e pela MIPAD (Most Influential People of African Descent) como uma das 100 afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo de 40 anos.

01/09/2020 02h00

Trabalho na área de tecnologia há 20 anos e na última década tenho descortinado o mundo da transformação digital. Lembro que vários projetos das consultorias de alta performance em que atuei foram negados por tubarões do mercado que não viam que a era digital é um caminho sem volta.

Empresas robustas que, por falta de crença ou medo de seus sistemas legados não desenvolveram um plano de como adaptar processos e metodologias ao mindset #DigitalFirst . A pandemia pegou em cheio esses grandes tubarões que tiveram que adaptar três anos em três semanas, e o processo de digitalização desde estruturas do employer home office até o lançamento/ampliação dos canais digitais de vendas.

Tudo aconteceu como num passe de mágica para aqueles que tinham fluxo de caixa e fôlego empresarial para esse investimento e os próximos meses de adaptação. Ainda me preocupa uma transformação de fora para dentro em meio a uma crise que não propicia a busca de melhores ferramentas, parceiros de desenvolvimento, diagnóstico e blueprint para implementação.

Como garantir que médias e grandes empresas com raízes institucionais profundas comecem a pensar suas soluções, cultura e relações originariamente a partir do digital? Este é um papo que aprofundaremos em um próximo texto. Por hora, me debruço sobre os pequenos negócios que, por falta de acesso, não nasceram como negócios digitais e não possuem capital de giro.

Divulgado na semana passada novo levantamento do Sebrae para analisar o impacto da pandemia do coronavírus nos pequenos negócios: de acordo com a pesquisa, 42% dos empreendedores participantes fizeram dívidas ou empréstimos e estão com o pagamento dessas obrigações financeiras atrasado.

A população negra é a parcela que mais abre negócios no país, mas é também a que possui faturamento mais baixo. Segundo o estudo Global Entrepreneurship Monitor de 2017, 51% dos empreendedores brasileiros são negros, mas eles correspondem a apenas 1% dos pequenos negócios que lucram de 60 mil a R$ 360 mil.

A transformação digital pode ser a solução ou a aniquilação desse tipo de empreendimento, que possui mais facilidade de digitalização por já operar num caos e sem legado sistêmico. No entanto, são os que não possuem recursos para realizar essa inserção digital de maneira estruturada.

Vimos que a Bolsa no mês de agosto se encerra com queda por conta dos riscos fiscais e custos públicos que têm preocupado o mercado nas últimas semanas, caminho contrário das grandes Bolsas ao redor do mundo.

Mesmo em momento de queda, são as empresas do comércio eletrônico que continuam em valorização no período e que vem nadando de braçada no redemoinho da crise com valorização de 80% ao ano, como Magalu, B2W e Via Varejo.

Sim, empresas que estão ligadas diretamente ao varejo digital e que foram inovadoras em implantar processos e laboratórios para pensar na experiência dos seus consumidores, parceiros e colaboradores pelo digital.

É sabido que ambientes tecnológicos podem propiciar mais flexibilidade e eficiência até mesmo para os microempreendimentos, mas como trazê-los para essa realidade?

Uma oportunidade inicial para estes grupos são os marketplaces criados no conceito de community building (grupos de indivíduos que possuem interesses comuns e que, unidos, podem movimentar ações com impacto social, muita das vezes movidos a um propósito).

Não é por acaso que a quarentena nos trouxe a EmpoderaTrans , primeira plataforma de empreendedorismo trans do Brasil, e o marketplace da RME, Rede de Mulheres Empreendedoras. Ambas as plataformas colocam grupos minorizados de acesso a crédito, investimentos e aceleração em um ambiente tecnológico para fomento a negócios, visibilidade e interações com possíveis parceiros.

Oportunidades de conhecermos e investirmos em produtos e serviços criados e liderados por pessoas transgêneras e mulheres.

Há três anos que o Movimento Black Money, hub de inovação tecnológica para autonomia da população negra, o qual sou uma das fundadoras, vem instrumentalizando afroempreendedores para estratégias digitais.

No início de março deste ano a pandemia nos pegou prevenidos —foi lançado o Mercado Black Money, um marketplace de venda de produtos e serviços exclusivos de lojistas negros.

Além de uma plataforma de e-commerce segura os empreendimentos negros encontram ebooks e artigos para gestão de negócios, uma comunidade de mais de 100 mil pessoas que transitam em nossas redes à procura da prática do black money e do fortalecimento da luta antirracista, além de outros 330 lojistas que podem construir pontes entre negócios e fomentar cadeias produtivas mesmo nesse momento de escassez.

Para quem quiser saber mais sobre era digital e se engajar no Mercado Black Money:


Enquanto temos mais de 120 mil mortos contabilizados, o e-commerce neste momento deveria ser a única loja aberta no Brasil.

Acredito que a era digital é a revolução que pode construir ou derrubar castelos, basta colocarmos estruturas nos espaços e grupos onde investimentos intencionais edificarão novos modelos de negócios pautados em oportunidades e não escassez.

Seguimos vendo e apoiando novos espaços sendo erguidos em bases coletivas pautadas em propósito, reequilíbrio de poder e, por que não, lucratividade.