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Como faz se um avião tiver uma emergência numa viagem longa sobre o mar?

Aviões podem ser certificados para voar por várias horas com um motor a menos, situação importante em emergências sobre oceanos - Lifeforstock/Freepik
Aviões podem ser certificados para voar por várias horas com um motor a menos, situação importante em emergências sobre oceanos Imagem: Lifeforstock/Freepik

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/04/2023 04h00

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Aviões são certificados e pilotos são treinados para agir caso ocorra uma emergência sobre o oceano.

Como é o procedimento?

Pilotos analisam caso a caso. Se for uma emergência médica, por exemplo, o avião pode retornar para o continente para pousar o quanto antes.

Problemas leves não tornam o pouso obrigatório. Se o avião enfrentar, por exemplo, uma falha em um dos banheiros, não precisa necessariamente retornar, podendo prosseguir até o destino planejado se as condições permitirem.

Cheiro forte pode levar a pouso fora do planejado. Por segurança, pilotos costumam interromper a viagem caso sintam algum odor desagradável ou não identificado durante a operação.

Voando sem um motor

Uma certificação especial permite a um avião bimotor voar por um tempo mesmo com pane em um dos motores. Ela se chama Etops (Extended-range Twin-engine Operational Performance Standards), ou, resumidamente, operações de alcance prolongado. Isso permite voar nessa situação sobre oceanos, por exemplo.

O fabricante e a empresa precisam comprovar capacidade. De maneira simplificada, o teste prático inclui pilotar um avião por várias horas com apenas um motor em funcionamento para que ele seja considerado Etops.

Não é só o avião que tem de ser certificado. As empresas aéreas também precisam adotar padrões de manutenção e treinamento de pilotos para diminuir os riscos da operação.

Antigamente, avião tinha de estar sempre a 60 minutos de um aeroporto. Com a introdução do Etops, esse tempo aumentou, passando a ser de 120 minutos ao menos.

Um Boeing 787 pode voar a até 5 horas e 30 minutos de distância de um aeroporto. O modelo é um dos principais utilizados em rotas internacionais.

Voos do Brasil para a Europa contam com a Ilha do Sal. O território pertence a Cabo Verde e fica no meio do caminho, garantindo a distância de até 120 minutos até um aeroporto caso o voo esteja sobre o oceano.

Dá para planar

Os aviões podem planar quando perdem a propulsão, como em situações nas quais o combustível acaba ou todos os motores param de funcionar.

Isso é chamado razão de planeio. É a proporção entre a distância voada em relação à perda de altura.

A maior parte dos grandes aviões comerciais tem razão de planeio entre 15:1 a 20:1. Isso significa que o avião viajará uma distância de 15 a 20 km enquanto perde 1 km de altura.

Exemplo: Um avião que está a 10 km de altitude pode, em tese, voar até 200 km antes de chegar ao chão em uma razão de planeio de 20:1.

Pouso na água

Também é possível pousar o avião na água caso isso seja inevitável. Situações como essa, entretanto, são muito raras, pois o avião pode continuar voando com apenas um motor ou planar por centenas de quilômetros.

Aviões são preparados para pouso no mar. Algumas aeronaves contam com um sistema automatizado chamado de "ditching".

O mecanismo não evita o afundamento, mas permite que avião flutue por mais tempo. Para isso, ele fecha todas as entradas de ar da aeronave que ficam submersas, atrasando a entrada de água.