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Golpe do delivery! IFood e Rappi recebem várias denúncias durante pandemia

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Flávio Tasinaffo

A coluna Tudo Golpe é a extensão de um projeto criado por Flávio Tasinaffo com o objetivo de alertar e ajudar as pessoas a não caírem em golpes rotineiros. Siga também em facebook.com/tudogolpe e no Instagram @portaltudogolpe

01/05/2020 04h00

Com bares e restaurantes fechados em muitos municípios por conta da Covid-19 e as orientações das autoridades para que busquemos o distanciamento social, os aplicativos de delivery estão registrando aumentos significativos de demanda. Vários clientes, porém, estão se queixando de golpes na hora de receber seus pedidos.

No Brasil, sempre foi um hábito pedir comida por telefone. Certamente, muitos dos nossos leitores guardavam folhetos de seus restaurantes e pizzarias preferidas. O advento da tecnologia apenas modificou o modo como o fazemos e a quarentena, agora imposta pela pandemia do coronavírus, estimulou ainda mais o serviço. Inúmeros consumidores começaram a utilizá-lo somente agora.

Em outubro do ano passado, nesta mesma coluna, explicamos como funciona o indigesto golpe do delivery. O usuário faz seu pedido e, ao efetuar o pagamento, o entregador lhe disponibiliza uma maquininha com o visor quebrado ou com arranhões que impedem a visualização do valor digitado.

Um valor bastante superior ao correto será digitado. R$50 vira R$5.000 sem que você perceba. Este equipamento danificado pertence ao golpista e não ao estabelecimento. Para diminuir o risco de ser desmascarado, a conta com o valor correto será paga pelo próprio entregador na maquininha certa.

Muitos aplicativos e estabelecimentos permitem ao consumidor que o pagamento seja feito antecipadamente, o que elimina a possibilidade deste golpe ser aplicado. Mas, em tempos de pandemia, uma nova faceta foi inserida pelos criminosos; eles estão cobrando uma taxa adicional dos clientes no momento da entrega.

Reportagem do jornal Agora São Paulo consultou os principais players do setor que receberam denúncias: o IFood informou ter identificado 28 casos envolvendo possíveis fraudes, enquanto a Rappi declarou não operar com máquinas de cartão de crédito ou débito.

Importante esclarecer que, se você for vítima deste golpe, é possível recuperar o seu dinheiro:

  • Ligue para o seu banco o mais rapidamente possível e pergunte qual é a empresa responsável pela maquininha utilizada pelo golpista; é lá que seu dinheiro se encontra;
  • Entre em contato com esta empresa; explique o que aconteceu e peça para que eles façam o bloqueio do valor na conta do golpista. Com esta ação, seu dinheiro não será repassado ao criminoso;
  • Solicite, então, o estorno do valor. Você, provavelmente, precisará formalizar seu pedido e apresentar um boletim de ocorrência;
  • Se não houver tempo hábil de recuperar o valor com a empresa responsável pela maquininha e se a transação tiver sido feita com cartão de crédito, entre em contato com a administradora. Junte boletim de ocorrência, cupom fiscal da compra e peça o estorno por desacordo comercial (divergência de valor).


Caso estas ações não surtam efeito, a empresa de delivery deve ser responsabilizada por ressarcir seu prejuízo, já que liberou o cadastro do golpista para que ele atuasse como entregador. Ligue e relate o que aconteceu, até para que este prestador seja bloqueado e não prejudique outros clientes.

Se houver recusa na devolução do seu dinheiro, não hesite e acione a Justiça para fazer valer os seus direitos. O Juizado Especial Cível é um ótimo caminho. Se o valor da causa não for superior a 20 salários mínimos (R$ 20.900, em 2020), você não precisará de advogado, embora seja sempre recomendável ter um para consultar.

Caro leitor, jamais coloque sua senha em uma maquininha que apresente algum dano e que o impeça de visualizar o valor da transação e mantenha o seu cadastro no banco atualizado, principalmente o número do seu celular, para que receba um SMS a cada transação que realizar. Deste modo, uma despesa indevida será percebida com imediatismo.

Quero deixar meu agradecimento especial aos motoboys e entregadores que estão executando um serviço essencial, principalmente durante este momento tão difícil que estamos enfrentando, arriscando-se por todos nós. É óbvio que a classe, em sua avassaladora maioria, é honesta e não deve ser qualificada em função de uma minoria que tem causado bastante estrago.

E lembre-se: fique em casa, se puder!