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Tudo Golpe

2020 - O ano que ninguém vai esquecer

J Cutrer/Pixabay
Imagem: J Cutrer/Pixabay
Flávio Tasinaffo

A coluna Tudo Golpe é a extensão de um projeto criado por Flávio Tasinaffo com o objetivo de alertar e ajudar as pessoas a não caírem em golpes rotineiros. Siga também em facebook.com/tudogolpe e no Instagram @portaltudogolpe

15/12/2020 05h00

Na primeira matéria desta coluna, em setembro do ano passado, abordei o golpe do motoboy.

O golpista entra em contato com a vítima, apresenta-se como funcionário da administradora do cartão e lista algumas despesas que não são reconhecidas.

Assim, o correntista acredita que seu cartão foi clonado, é orientado a cortá-lo ao meio sem danificar o chip e envolvido em uma trama que culmina com o agendamento da visita de um motoboy que irá buscar as metades do plástico.

Tendo a senha sido capturada no diálogo com o criminoso, o cartão passa a ser utilizado para compras no comércio eletrônico. Como acontece em muitos golpes que dependem desta engenharia social, o texto despertou nas redes sociais do Tudo Golpe alguns questionamentos: como alguém pode cair neste golpe?

Em 2020, as tentativas de golpe aumentaram devido à pandemia da Covid-19. E o do motoboy foi um dos mais aplicados. Não podemos subestimar os criminosos e sua capacidade de persuasão.

Um mês depois da estreia da coluna, ainda no ano passado, escrevi sobre o golpe do delivery. Foi a matéria mais lida do UOL no dia da publicação. A coluna jamais foi remunerada, eu mesmo preferi assim. Sempre mensurei o sucesso de um texto pela sua capacidade de alcance e possibilidade de ajudar mais pessoas a identificarem um golpe antes que ele acontecesse.

A pandemia, infelizmente, também impulsionou este crime. Com mais tempo em casa, os pedidos de entrega explodiram e os golpes também. No mais comum, o entregador digita o valor errado em uma maquininha com o visor quebrado. Sem perceber, o cliente digita a senha e o estrago está feito. Também tem sido corriqueiro o entregador recobrar um pedido já pago através do aplicativo. Novamente, eles são muito convincentes.

O golpe do WhatsApp foi o golpe do ano. Famosas e anônimas, as vítimas são contadas aos milhares. Os criminosos instalam seu número de celular no aparelho deles; para concluir, precisam de um código enviado à vítima por SMS. Para obtê-lo, os criminosos inventam todo tipo de narrativa: são funcionários do site de anúncios, assessores de famosos convidando para festas, institutos de pesquisas que estão trabalhando com informações sobre o coronavirus. Com o número instalado e acesso a sua rede de contatos, os golpistas começam a pedir dinheiro emprestado para todos os seus amigos e familiares. Em outra modalidade do golpe, apropriam-se de fotos de pessoas de seu convívio, o que deixa tudo mais verossímil. Duas dicas simples podem evitar o golpe: não informe o conteúdo de SMS para ninguém e não transfira dinheiro para contas que você desconhece e sem ter conversado pessoalmente com o solicitante.

Aumentaram as vendas no comércio eletrônico, inclusive de produtos contrafeitos. Sites que vendiam tênis falsificados foram expostos pela coluna e um deles foi retirado do ar imediatamente após a publicação da matéria, que discutiu com especialistas até os prejuízos para a saúde de quem os utiliza.

Confesso que uma narrativa, em especial, me deixou bastante orgulhoso este ano. O Tudo Golpe foi o primeiro veículo a denunciar o golpe da 123importados.com, que vendia e não entregava produtos eletrônicos. A partir da denúncia feita por uma seguidora e da matéria na nossa coluna, vários outros canais passaram a pressioná-los e investigá-los até que os envolvidos fossem desmascarados e presos. Foi um golpe milionário, mas a ambição dos criminosos era muito maior e um número imensurável de cidadãos foi protegido.

A coluna, muitas vezes, foi pautada pelo leitor e não só abordou golpes rotineiramente aplicados, o que sempre foi a essência do Tudo Golpe, mas atuou em defesa do consumidor. A cobrança indevida do Sem Parar, a promoção flopada do supermercado St. Marché, a dificuldade de cancelar a matrícula na rede de academias Smart Fit e de receber por milhas aéreas comercializadas.

Em janeiro, em uma das primeiras matérias do ano, quando abordei o golpe do intercâmbio, não era possível prever o ano que viria, com fechamento de fronteiras e o mundo lutando contra um inimigo invisível a olho nu e que ceifou milhões de vidas.

Os golpistas, inescrupulosos, não se sensibilizam. No golpe das despesas hospitalares, ligam para parentes de pacientes internados, em situação de fragilidade emocional, passam-se por funcionários do hospital e pedem a transferência de valores para realização de exames. Divulgam soros da imunidade, sementes de cura, criam armadilhas relacionadas ao auxílio emergencial.

A Coluna Tudo Golpe encerra sua participação no UOL, com gratidão aos editores pelo espaço que, certamente, nos deu visibilidade e possibilitou que mais pessoas soubessem como evitar um golpe ou que fazer caso tenha sido vítima.

Quero agradecer, principalmente, aos milhões de leitores que leram meus textos. Cada linha redigida foi feita com muito cuidado e pensando sempre em vocês. E lembrar que o Tudo Golpe continua nas redes sociais, nas lives e em muito conteúdo que desejo produzir junto com meu time.

Eu preferia que o Tudo Golpe não precisasse existir, mas enquanto houver malandro tentando enganar um cidadão de bem e eu puder ajudar com informação, não medirei esforços para mantê-lo.

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Um forte abraço e, em um ano tão complicado, o que de mais especial posso desejar a todos é saúde.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.