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Golpe do delivery cresce durante a pandemia; saiba como os criminosos atuam

Norma Mortenson/Pexels
Imagem: Norma Mortenson/Pexels
Flávio Tasinaffo

A coluna Tudo Golpe é a extensão de um projeto criado por Flávio Tasinaffo com o objetivo de alertar e ajudar as pessoas a não caírem em golpes rotineiros. Siga também em facebook.com/tudogolpe e no Instagram @portaltudogolpe

12/08/2020 05h00

Já abordamos, tanto nesta coluna quanto em nossas redes sociais, o golpe do delivery.

Para resumir, os golpistas atuam de dois modos principais:

  1. No caso de pagamento presencial, entregam uma maquininha com o visor danificado e inserem um valor bastante superior ao correto.
  2. Quando o pagamento já foi realizado pelo aplicativo, alegam a necessidade de cobrar uma taxa de entrega e, por telefone, solicitam os dados do cartão para o consumidor.

Apesar dos grandes players do mercado, como iFood, Rappi e Uber Eats, divulgarem informações de segurança, o golpe ainda faz muitas vítimas e esta estatística tem sido impulsionada pela pandemia do coronavírus.

Entender como os criminosos atuam é fundamental para que você saiba como se proteger.

Se você está familiarizado com as dicas de segurança e com o uso destes aplicativos, pense que, talvez, nem todos seus parentes e amigos estejam tão habituados. Compartilhe a informação. Ler o relato de um cliente que foi abordado por um destes criminosos irá ajudar.

Consumidor faz pedido no Outback, através do iFood, e é abordado por golpista

O jornalista Willian Miron fez um pedido no Outback do Shopping Pátio Higienópolis. Depois de esperar bastante, recebeu uma ligação do restaurante; queriam saber se a entrega já havia sido realizada. Ele informou que não, o que causou estranheza e, então, lhe perguntaram se ele aceitava manter o pedido. "Eu aceitei, mas fiquei preocupado se o entregador tinha sofrido algum acidente".

Miron recebeu mais uma ligação do restaurante, desta vez para informá-lo que o segundo pedido já estava a caminho. Decidiu descer na portaria para aguardar:

Nesse meio tempo, comecei a receber mensagens, pelo aplicativo do iFood, de um rapaz dizendo que era o entregador e que havia sofrido um acidente leve, mas que buscou novamente o pedido e que estava chegando em minha residência para entregar o produto. Além disso, ele pediu que eu não desse nota baixa para ele no aplicativo devido à demora na entrega. E minha resposta foi que eu não faria isso porque não era culpa dele.

Entregador Ifood  - Reprodução/Celular - Reprodução/Celular
Imagem: Reprodução/Celular

O cliente, novamente, esperou muito tempo e, quando finalmente o entregador chegou, recusou-se a entrar na portaria e fez sinal para que ele retirasse o pedido no portão. "Pensei que ele pudesse estar com medo de ter o veículo dele roubado e não vi problema em retirar a encomenda na porta. Reconheço, inclusive, que cometi um erro. E se a intenção fosse me render e acessar o condomínio? Mas todo o stress causado pela situação gera uma carga emocional que favorece os criminosos".

Neste momento, Miron foi surpreendido com a pergunta: 'Qual será a forma de pagamento'?

Mas, até em função de ter lido relatos de vítimas do golpe do delivery, soube exatamente como agir.

"Respondi que foi pago pela plataforma com cartão de crédito. O entregador disse que o primeiro pedido foi estornado e que eu deveria pagar na hora. Por este motivo, entrei em contato com o restaurante, que me alertou a não pagar nenhum valor diretamente ao entregador, pois o pedido já estava pago".

O jornalista chegou a colocar o restaurante em contato com o entregador no viva voz. "Eu dizia que estava pago, a funcionária do restaurante o avisava que estava tudo certo e, ainda assim, ele insistia em cobrar novamente, recusando-se a me entregar o pedido".

O consumidor avisou: "Eu não vou pagar nada para você, meu amigo". O entregador, então, disse que ele mesmo ligaria para o restaurante e que devolveria a encomenda. O jornalista advertiu: Eu vou ligar para a polícia e a gente resolve tudo. Vou denunciá-lo por crime de estelionato.

Neste momento, o entregador subiu na garupa da moto, onde um provável comparsa já o aguardava, e fugiu. O jornalista ainda notou que a placa da moto estava com um papel para impedir a identificação. Tática de quem, obviamente, já não estava bem-intencionado e que buscaria por outras vítimas em potencial.

Outra relevante informação que Miron nos passou é que o entregador com quem ele teve contato não era o mesmo da foto do aplicativo. Já o motorista da moto, que estava sem capacete, aparentava ser o do perfil, mas em função da distância não foi possível ter certeza.

Depois de esperar por horas, Miron ainda ficou com fome, mas ao menos não caiu no conto do criminoso e avalia que a interferência do restaurante foi essencial para isso. "O Outback foi, durante todo o tempo, muito prestativo, solícito e fundamental para que eu não caísse no golpe. Perceberam que a comida não havia sido entregue dentro do prazo, ligaram várias vezes; gostei bastante da postura do restaurante". Com relação ao iFood, diz que o valor foi devidamente devolvido, mas considera falho o processo de triagem de quem irá trabalhar com as entregas.

O que diz o Outback

Em nota para o Tudo Golpe, a assessoria do Outback esclareceu que a orientação é que os consumidores realmente procurem pelo restaurante quando houver algum problema: "O Outback Steakhouse informa que trabalha sempre à disposição dos clientes para ajudar a esclarecer eventuais dúvidas durante os pedidos feitos pelo delivery por meio de plataformas terceiras. A rede aconselha que os clientes sempre acionem diretamente o restaurante caso qualquer contratempo aconteça durante o pedido. Os restaurantes estão sempre disponíveis para ajudar e contribuir com o que for necessário para que casos de suspeita de golpe não se concretizem."

O que diz o iFood

Também em nota, a assessoria do iFood ratificou que o valor foi estornado e que prestou esclarecimentos ao consumidor; destacou que em nenhuma circunstância exige pagamento adicional presencial de usuários que optaram pelo pagamento online, acrescentou que a cessão de conta para terceiros gera o descadastramento do entregador e que repudia desvios de conduta cometidos por qualquer usuário cadastrado na plataforma. A nota completa segue no final desta reportagem.

Se o cliente tivesse acreditado na história comovente que lhe foi contada, o golpista provavelmente lhe entregaria uma maquininha com o visor quebrado, alegando ter sido danificada com o acidente, e tentaria cobrar um valor superior ao original.

Fique atento, caro leitor.

O Tudo Golpe aproveita a oportunidade para se solidarizar com Matheus Pires Barbosa que, recentemente, foi vítima de preconceito enquanto exercia seu trabalho e agradece a todos os entregadores que colocam suas vidas em risco para prestar um serviço tão importante. Os golpistas não representam esta classe.

Nota do iFood:

"O iFood já prestou esclarecimento para o consumidor, já realizou a solicitação do estorno do valor para a instituição financeira, que pode ocorrer em até 2 faturas, e aguarda o envio do Boletim de ocorrência (B.O.) para analisar e realizar as medidas cabíveis em relação ao entregador parceiro. Todos os consumidores afetados por fraudes envolvendo maquininhas devem registrar B.O. e entrar em contato com o iFood pelos canais oficiais de atendimento ao cliente via aplicativo.

O iFood reforça ainda que ao optar pelo pagamento online, em nenhuma hipótese é exigido pagamento adicional presencial, no momento da entrega do pedido. A orientação ao consumidor é de que ao ser questionado pelo entregador, se recuse a realizar qualquer tipo de pagamento e acione a empresa pelo chat para reportar atividade suspeita. Para conscientizar o consumidor, o iFood envia orientações por meio de notificações pelo app.

A empresa recomenda ao consumidor que, em qualquer tipo de transação envolvendo pagamento por meio de cartão, verifique o valor no visor da máquina de pagamento e não insira a senha caso não exiba claramente o valor. Caso tenha efetuado qualquer operação sem que haja certeza do valor, recomenda-se que, assim que finalizada a transação, verifique no aplicativo do seu banco o valor debitado e, havendo divergência, solicite o cancelamento imediato.

Os pagamentos offline (dinheiro e maquininha de cartão) do iFood foram desativados para restaurantes com Entrega iFood em algumas cidades de sua base. A medida tem como objetivo concentrar os pagamentos no app para proteger a segurança de clientes e entregadores evitando o contato na hora de pagar e auxiliar a cidade a conter a disseminação do covid-19.

A cessão da conta para terceiros gera o descadastramento do entregador e é utilizada com base em denúncias e evidências. Esse tipo de ação ajuda a empresa a proteger os próprios entregadores, clientes e restaurantes. Se uma desativação foi feita de forma equivocada, os entregadores podem entrar em contato pelo canal oficial (contato.entregador@ifood.com.br) para análise do caso. Se comprovado o erro, a conta é reativada.

O iFood repudia qualquer desvio de conduta por qualquer um dos usuários cadastrados na plataforma, sejam eles parceiros de entrega, estabelecimentos ou usuários finais. Ao receber relatos de fraudes e confirmar qualquer conduta irregular, a empresa desativa imediatamente os cadastros e reforça que está à disposição das autoridades."

Leia também: iFood e Rappi recebem várias denúncias durante a pandemia

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.