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BC dos EUA mantém taxa de juros perto de zero; entenda como afeta o mundo

Do UOL, em São Paulo

17/09/2015 15h13Atualizada em 17/09/2015 16h17

O Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros perto de zero. O Fed terminou nesta quinta-feira (17) uma reunião de dois dias. O BC dos EUA repetiu que vai elevar os juros após mais melhora no mercado de trabalho e quando estiver “razoavelmente confiante” de que a inflação voltará para a meta de 2%. 

O Fed não eleva a taxa de juros desde 2006. Os juros de referência nos Estados Unidos estão num nível historicamente baixo -entre zero e 0,25% ao ano- desde o final de 2008. Para efeito de comparação, a taxa de referência atual no Brasil (Selic) é de 14,25% ao ano.

Essa taxa é utilizada pelos bancos de um país como indicador-chave do valor dos juros que pagam ao tomar dinheiro emprestado do Banco Central --e, por sua vez, do dinheiro que emprestam a seus clientes. Disso dependem investimentos e despesas de consumo.

Preocupação com a economia global

O Fed se mostrou preocupado com a economia mundial e com a desaceleração econômica da China.

"Os recentes acontecimentos financeiros e econômicos globais podem conter a atividade econômica de alguma forma e devem colocar mais pressão de queda sobre a inflação no curto prazo", informou o Fed em comunicado. Acrescentou que os riscos à economia dos Estados Unidos continuam quase equilibrados mas que está "monitorando os acontecimentos no exterior".

Entretanto, o BC dos EUA deu sinais de que deve começar a elevar a taxa de juros ainda neste ano. Novas projeções mostraram que 13 das 17 autoridades do Fed ainda preveem alta dos juros ao menos uma vez em 2015, contra 15 na reunião de junho. Quatro autoridades acreditam agora que os juros não devem ser elevados até ao menos 2016, contra dois que viam isso em junho.

O Fed realizará novas reuniões em outubro e dezembro.

Projeções

Como um todo, as novas projeções do Fed de crescimento mais lento do Produto Interno Bruto (PIB), desemprego baixo e inflação ainda fraca sugerem que as preocupações com a chamada “estagnação secular” (longos períodos de baixo crescimento) pode estar ganhando força entre as autoridades do Fed. Uma autoridade até sugeriu taxa de juros negativa.

A mediana das projeções das 17 autoridades mostrou que o Fed espera que a economia cresça 2,1% este ano, ligeiramente mais rápido do que o esperado anteriormente. Entretanto, suas projeções para a expansão do PIB em 2016 e 2017 foram reduzidas.

Por que os juros estão tão baixos nos EUA?

Com a crise de 2008-2009, os EUA registraram desaceleração da economia, aumento do desemprego, queda da confiança de empresários e do consumo das famílias, com crédito escasso.

O Federal Reserve baixou, então, os juros para tentar estimular investimentos e consumo e movimentar a economia.

Outra medida adotada foi a injeção de dinheiro, comprando títulos públicos (pedaços da dívida estatal, vendidos pelo Tesouro dos EUA) em mãos de investidores e bancos.

Quem decide se os juros ficam iguais ou sobem?

Quem define os juros é o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) --equivalente ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no Brasil.  

Os 12 membros do Fomc se reúnem oito vezes durante o ano para avaliar as condições econômicas e financeiras e definir se a política monetária do país está adequada para esse cenário. 

Para determinar o nível dos juros, o Fomc leva em conta principalmente dados relativos ao mercado de trabalho e à inflação --a meta é de 2%. 

Como a mudança nos juros dos EUA afeta o mundo?

A taxa de juros dos EUA é capaz de modificar as regras do jogo da economia mundial. 

Com a alta dos juros por lá, os investidores podem começar a achar vantajoso aplicar seu dinheiro nos Estados Unidos, que são considerados uma economia forte e estável. Isso causaria a migração de recursos que atualmente estão aplicados nos mercados emergentes, como o Brasil.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertaram nesta semana que os países emergentes podem ser seriamente afetados por essa retirada de capital.

O ministro da Fazenda brasileiro, Joaquim Levy, disse recentemente que o país está preparado para lidar com instabilidades no mercado se houver alta dos juros norte-americanos.

Alguns analistas avaliam que, para o Brasil, a decisão nos EUA pesa menos do que a crise dentro de casa, com a turbulência política dificultando a aprovação das medidas para acertar as contas públicas e o risco de um processo de impeachment ser aberto contra a presidente Dilma Rousseff.

(Com agências de notícias)

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