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Dólar salta 2,63% e fecha acima de R$ 5 pela 1ª vez desde março; Bolsa cai

Dado Ruvic/Reuters
Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Do UOL, em São Paulo

02/05/2022 17h24

O dólar saltou 2,63% e encerrou cotado a R$ 5,073 na venda hoje —assim, a moeda norte-americana voltou a valer R$ 5, o que não ocorria desde 18 de março deste ano (R$ 5,0158). Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), deu continuidade à tendência de queda, hoje com perda de 1,15% e fechamento aos 106.638,64 pontos.

A subida do dólar ocorre em meio ao clima mais arisco no exterior em início de semana que deve ser dominada pelas reuniões de política monetária dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Juros estão na mira

O dólar também tinha valorização contra uma cesta de moedas de países ricos no exterior, de 0,2%. Embora bem mais comportada, a alta levava a divisa norte-americana para perto de máximas em 20 anos atingidas na semana passada.

Ditando o comportamento dos mercados internacionais —onde os rendimentos dos títulos soberanos dos EUA disparavam— estava a reunião de política monetária do Federal Reserve, banco central norte-americano, que começa na terça e termina na quarta-feira.

Várias autoridades da instituição, incluindo o chair Jerome Powell, já indicaram que os juros básicos dos EUA serão elevados em 0,5 ponto percentual no encontro desta semana, o que representaria uma dose de aperto mais agressiva que os costumeiros ajustes de 0,25 ponto.

Nesse contexto, "parte do fluxo global começa a se alinhar a um cenário mais conservador, que em partes afetou a valorização do real frente ao dólar, o movimento em commodities de toda a ordem e também, em partes, as perspectivas inflacionárias de diversas localidades do mundo", disse em relatório Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Juros mais altos em determinado país tendem a elevar a atratividade da renda fixa local, o que pode beneficiar sua moeda. Nesta segunda-feira, a taxa de um título soberano norte-americano protegido da inflação, também chamado de rendimento real, entrou em território positivo, indo ao maior patamar desde março de 2020.

O "yield" do Treasury de dez anos —referência global para investimentos—, por sua vez, tocou seus maiores níveis desde o final de 2018, ficando bem próximo da marca de 3%, o que ajudava a apoiar o dólar.

No Brasil, os juros estão em níveis bem acima dos custos dos empréstimos nos Estados Unidos —o que inclusive foi fator de impulso para o real no primeiro trimestre deste ano—, mas alguns participantes do mercado apontam que os ativos norte-americanos oferecem muito mais segurança ao investidor que os brasileiros.

A Selic está atualmente em 11,75%, e a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumente a taxa em 1 ponto percentual em sua reunião desta semana, que coincide com o encontro do Fed.

"A expectativa gira em torno da comunicação do Comitê diante do cenário incerto e elevadas pressões inflacionárias, especialmente no componente subjacente da inflação", disse a equipe de macro e estratégia do BTG Pactual em relatório, em referência à medida de inflação que exclui os preços mais voláteis. "Esperamos que deixe a porta aberta para a continuidade do ciclo de elevação, ainda mais diante da aceleração do dólar e os possíveis impactos na inflação à frente."

*Com Reuters

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