Conteúdo publicado há 3 meses

Dólar cai a R$ 4,973 antes de decisão sobre juros no Brasil; Bolsa sobe

O dólar caiu 1,36% e terminou a quarta-feira (1º) vendido a R$ 4,973 — o menor valor desde 25 de setembro, quando a moeda americana fechou em R$ 4,966.

Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) subiu 1,69% e encerrou o dia aos 115.052,96 pontos. É o segundo maior salto diário do último mês, atrás apenas da alta de 1,73% registrada em 26 de outubro.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, a referência é o dólar turismo, e o valor é bem mais alto.

O que aconteceu

No Brasil, mercado espera por um novo corte nos juros. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central brasileiro se reúne hoje. Economistas consultados pela Reuters preveem um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, para 12,25% ao ano. Os riscos externos — como a guerra em Israel, por exemplo — devem basear a decisão do BC de seguir adotando cautela para reduzir os juros.

Banco Central dos EUA decidiu por não mexer nos juros. O Fed (Federal Reserve) anunciou hoje a manutenção das taxas básicas de juros entre 5,25% e 5,5%, numa tentativa de conter a inflação sem abalar a retomada da economia. A decisão deixa os juros no maior nível em mais de 20 anos e já era esperada por investidores.

Juros estáveis nos EUA tendem a favorecer o real. A perspectiva de que os juros americanos não subam muito motiva o mercado a buscar investimentos que possibilitem retornos maiores — o que beneficia as moedas de países emergentes, como o Brasil.

Uma taxa [de juros] elevada por mais tempo nos EUA tende a limitar os esforços do Copom de reduzir a Selic por aqui. Isso porque, ao reduzir os juros [no Brasil] e consequentemente diminuir o diferencial, o fluxo estrangeiro buscará prêmios de risco maiores em outros lugares, impactando no câmbio e na inflação.
Jadye Lima, da WIT Invest, à Reuters

O que disse o mercado sobre a decisão do Fed

Mensagem foi mais branda que o esperado. "O tom adotado por Jerome Powell, o Presidente do Fed, foi mais brando do que imaginávamos", diz Étore Sanchez, da Ativa investimentos. Ele esperava que o presidente do Fed mantivesse a perspectiva de juro elevado, para reduzir a inflação, o que não aconteceu.

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Não é necessário aumentar juros no momento, diz Fed. De fato, Powell citou o compromisso com a inflação, mas enfatizou que ainda haverá impacto na economia decorrente do aumento dos juros que já foi feito, e que o mercado de trabalho já vem sentindo os efeitos. "O Fed continua com discurso de olhar o andamento dos dados de emprego e economia para decidir para frente o que fazer", diz Marcelo Oliveira, CFA e sócio-fundador da Quantzed, casa de análise e empresa de tecnologia e educação financeira.

Economia já sente os juros altos. "Ressaltamos que o Presidente do Fed chamou atenção para o aperto das condições financeiras para os EUA", diz Sanchez. "Ou seja, o lema agora é esperar o efeito acontecer e não mexer mais até que a inflação esteja na meta de 2%", afirma Oliveira.

Mesmo assim, cortes na taxa devem demorar para acontecer. Inflação ainda está longe da meta, e a Ativa Investimentos acredita que cortes não devem acontecer nos próximos 10 meses.

(*Com AFP e Reuters)

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