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Nora e sogra vendem brinco de pompom e gargantilha para homem e mulher

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/02/2017 04h00

Giorgia Polato, 22, e Maribel Maia, 53 contrariam o senso comum de que nora e sogra não se dão bem: além da relação familiar, elas viraram sócias na marca de bijuterias La Petite Fleur, de São Paulo, que vende acessórios sem gênero, para homens e mulheres.

Elas vendem cerca de 1.000 peças por mês, e o carro-chefe são as gargantilhas bem justas ao pescoço, chamadas de “choker”. Há ainda brincos de pompom, em pelúcia. Pingentes diferentes, em formato de disco voador e pentagrama, também fazem sucesso. O faturamento e o lucro não foram divulgados. As vendas são feitas pela loja virtual e na loja colaborativa Endossa, na rua Augusta, em São Paulo.

A loja virtual foi lançada em 2013, a partir da observação de tendências do exterior. “A Giorgia sempre me mostrava sites de fora, com acessórios alternativos que ela gostava, até que um dia resolvemos fazer aqui, já que não havia nada parecido na época”, diz Maia.

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  • http://economia.uol.com.br/enquetes/2017/02/08/voce-seria-socio-de-sua-sogra.js

Produção é própria e artesanal

O investimento inicial foi de R$ 1.100, emprestados de um banco. Inicialmente, elas revendiam peças compradas de fornecedores de São Paulo e importadas do exterior. “Com o tempo, vimos que os materiais não eram de boa qualidade e não atendiam nossas expectativas de moda. Por isso passamos a produzir.”

Maia já tinha experiência com artesanato, pois fazia e vendia peças na época em que cursou a faculdade de assistência social. Hoje, ela é quem cuida da produção. Com a fabricação própria, elas passaram a vender também por atacado, para lojistas.

Polato cuida da administração e do marketing da loja. Em 2015, ela deixou o estágio em um banco –ela cursa faculdade de contabilidade-- para se dedicar exclusivamente ao negócio. 

Público é jovem e preços são baixos

O público-alvo são jovens de 18 a 25 anos. O valor médio gasto por cliente é de R$ 29,90. “Nossa intenção não é vender nada muito caro porque nosso cliente é jovem, não tem muito dinheiro”, diz Polato.

Ainda assim, elas estão investindo em uma nova marca que terá preços ainda mais acessíveis, entre R$ 11,90 e R$ 17,90, a Meow Fab.

Sobre trabalhar em família, as duas não têm queixas. “Nos damos muito bem. Nunca brigamos, somos muito profissionais e tentamos separar o trabalho da relação familiar”, afirmam.

Comunicação precisa mostrar conceito da empresa

O consultor de marketing do Sebrae-Bauru Hugo Hoch diz que as empresas familiares são maioria no Brasil. “Para evitar problemas, é importante que as funções de cada um sejam bem definidas. Se a empresa funciona em casa, é importante tentar separar o espaço físico.”

Negócios que apostam em produtos sem gênero, voltados para homens e mulheres, não são novidade. É o caso, por exemplo, da loja de roupas infantis Matiz, de Porto Alegre (RS). Mas, se esse for um diferencial da empresa, é importante que esteja claro em sua comunicação, segundo o consultor.

“Apesar de as empreendedoras dizerem que os produtos não têm gênero, no site só tem fotos de mulheres usando o produto. O logotipo e as cores usadas também são delicadas, dando a entender que a comunicação é mais voltada às mulheres. É necessário ajustar isso”, declara.

Onde encontrar:

La Petite Fleur: www.lojalapetitefleur.com.br

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