ipca
-0,21 Nov.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Empreendedorismo

Ele mudou receita de gim, pôs mais ervas e envelheceu em barril de carvalho

Patrícia Büll

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/03/2018 04h00

Martin Braunhloz, 62, é diretor de vendas de uma multinacional, mas, em 2011, decidiu iniciar um negócio paralelamente. Investiu R$ 150 mil para criar a microdestilaria Hof, em Serra Negra (São Paulo). Faz bebidas premium em pequena escala, como cachaças e licores. No ano passado, começou a fazer gim, aproveitando a modinha.

Criou uma nova receita, com mais ervas e especiarias, e envelhecendo em barris de carvalho, como uísque, o que não é o normal.

"O gim está na moda novamente", observa Braunhloz. “A bebida de origem europeia ganhou status e agora é usada na composição de diversos drinques”, diz.

Leia também:

25% do faturamento da marca em poucos meses

Apesar do pouco tempo de produção – começou a ser vendida em agosto – a bebida foi responsável, no ano passado, por 25% do faturamento da marca.

O empresário não informa o faturamento nem o lucro do ano passado, mas diz que a expectativa para este ano é alcançar R$ 180 mil de faturamento e ampliar para R$ 300 mil em 2019. Para isso, vai contar com o apoio do filho Matheus, 26, que a partir deste ano cuidará do marketing e venda da marca.

“Passamos dois anos pesquisando a respeito do gim, fizemos algumas receitas e testes com especialistas até que decidimos por duas delas. Foi daí que lançamos O Minna Marie”, diz o empresário, explicando que o nome é uma homenagem à matriarca da família, que emigrou da Alemanha para o Brasil.

Envelhecido em carvalho, como os bons uísques

O diferencial do gim Hof, diz Braunhloz, é o envelhecimento em barris de carvalho por cerca de seis semanas, além da receita exclusiva envolvendo 15 botânicos: uma mistura de sementes, bagas, raízes, frutas, ervas e especiarias, ao passo que as receitas tradicionais levam em média 12.

“O gim não precisa de envelhecimento, basta descansar em um recipiente neutro. Ao optarmos por descansar a bebida nos barris de carvalho, conseguimos ressaltar o teor de madeira e dar um toque a mais, destacando as especiarias”, diz.

O gim tem duas versões: a “Oak Aged”, envelhecida nos barris de carvalho, e a cristal, destilada da forma tradicional, disponível em embalagens de 750 ml e 375 ml.

A destilaria não vende diretamente para o consumidor final, mas o preço sugerido fica entre R$ 80 e R$ 90, diz Braunhloz. Em termos comparativos, o Seager’s Silver, uma das marcas mais tradicionais de gim nacional, custa em média R$ 77 na versão premium.

Definir o público é essencial para ter sucesso, diz consultor

Eduardo Pugnali, gerente de Inteligência de Mercado do Sebrae-SP, pontua que o gim está passando pelo mesmo processo de valorização que ocorreu com a cachaça no início dos anos 2000, o que é uma boa notícia para quem quer empreender nesse segmento.

“É interessante que o empresário tenha percebido esse movimento e decidido investir em um novo nicho justamente no momento de valorização da bebida”, diz.

Ainda assim, ele destaca ser importante definir muito bem o mercado onde pretende ver seu produto exposto: no grande varejo, onde a elasticidade de preços e marcas é grande; ou no pequeno varejo, que trabalha com poucas marcas e, na maioria das vezes, com preços mais elevados”.

“Escolher o posicionamento da marca é essencial em todos os negócios. E não é diferente no de bebidas. Um produto com preço mais elevado, que vai concorrer em um mercado já maduro, precisa deixar seus diferenciais muito claros para que conquiste mercado.”

On The Rocks - Saiba como preparar o verdadeiro negroni

UOL Comidas e Bebidas

Mais Empreendedorismo