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Empreendedorismo

Foi tratar do filho nos EUA, criou agência de intercâmbio e ganha R$ 2 mi

A empresária Arleth Bandera é CEO da Eagle Intercâmbio, nos EUA - Divulgação
A empresária Arleth Bandera é CEO da Eagle Intercâmbio, nos EUA Imagem: Divulgação

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/07/2021 04h00

De uma família simples e numerosa (15 filhos) de Varzelândia (MG), Arleth Bandera, 41, mudou-se para São Paulo onde trabalhou em empresas de intercâmbio. Já casada, imigrou em 2016 para os EUA em busca de tratamento para o filho autista, montou uma agência de intercâmbio no Vale do Silício, na Califórnia, e faturou US$ 390 mil (R$ 2 milhões) em 2020.

Nos EUA, inicialmente ela prestava serviços para duas agências brasileiras de intercâmbio. "Aqui, percebi que a maioria dessas agências só trabalhava com escolas americanas famosas, muitas vezes fora do orçamento que um brasileiro pode pagar. Tive a ideia de criar uma agência fazendo parcerias com escolas pequenas e locais e, com isso, oferecer pacotes de intercâmbio mais acessíveis", disse Arleth, que criou a Eagle Intercâmbio em 2018 com foco em estudantes da América Latina.

Ela investiu US$ 30 mil (R$ 156,8 mil). No ano passado, o faturamento foi de US$ 390 mil (R$ 2 milhões). O lucro foi de US$ 280 mil (R$ 1,5 milhão).

Tratamento do filho nos EUA

Em busca de tratamento para o filho Lorenzo (na época com 2 anos), Arleth e o marido, Luiz Paulo de Souza, juntaram as economias e venderam alguns bens no Brasil para imigrar para os EUA. O casal tinha R$ 200 mil para custear a viagem.

Descobri que na Califórnia existia um tratamento inovador para autismo. Íamos ficar seis meses no país, mas quando percebemos que meu filho teria maior assistência e que eu também poderia empreender aqui, decidimos ficar.
Arleth Bandera, CEO da Eagle Intercâmbio

Até hoje, Lorenzo, 7, tem acompanhamento de especialistas da Universidade Stanford, na Califórnia, onde há um programa especial para crianças autistas.

"Toda criança autista ou com qualquer necessidade especial aqui na Califórnia tem direito a tratamento e educação gratuita. Tudo custeado pelo programa de assistência a crianças especiais, que é mantido com doações das empresas do Vale do Silício", disse Arleth, que hoje também faz doação ao programa.

EUA são o único destino da agência

Para montar a Eagle, Arleth teve algumas dificuldades. "A maior foi convencer as escolas parceiras de que a agência tinha um excelente plano de negócio e que traria novos estudantes. Geralmente, as escolas não se sentem muito confortáveis de se associar a agências pequenas ou que começaram agora", afirmou.

Segundo ela, foi preciso realizar inúmeras reuniões com diretores de escolas e representantes da área de visto para estudantes estrangeiros. Hoje, a Eagle tem parceria com 190 escolas e universidades em todo o território americano.

No portfólio, estão diversos cursos do nível iniciante ao avançado, inglês para negócios, preparatórios para o TOEFL (exame de proficiência de inglês) e TOEIC (prova de admissão exigida pela maior parte das empresas no Brasil), programas de High School Summer Camp (uma espécie de acampamento de verão) e intercâmbios para a realização de MBA, mestrado, graduação ou extensão universitária. Os EUA são o único destino atendido pela agência.

A Eagle já atendeu a 1.600 alunos de 22 países. A clientela brasileira responde por 60% dos contratos. A agência tem 11 funcionários.

Serviço de alteração de status de visto

O serviço de alteração de status de visto junto ao USCIS (serviço de cidadania e imigração dos EUA) representa 50% do faturamento da empresa.

"A agência tornou-se credenciada pelo governo americano e oferece suporte não apenas a estudantes, mas também àqueles que já estão na cidade e precisam se legalizar", disse Arleth.

O processo de mudança de status do visto custa US$ 2.160 (R$ 11,3 mil), já inclusas as taxas da USCIS e da escola. O status tem duração de quatro anos e é valido enquanto o estudante estiver matriculado em uma instituição credenciada pelo governo americano.

A Eagle oferece também serviços de obtenção de permissão de trabalho para estudantes com vistos F-1 e Green Card por casamento com cidadão americano.

Em relação aos cursos de inglês, os pacotes mais vendidos são para San Francisco, Berkeley e Los Angeles (todas na Califórnia); depois vêm Miami, Fort Lauderdale e Miami Beach (todas na Flórida).

Em média, um curso de três meses em San Francisco custa US$ 2.660 (R$ 13,9 mil), valor parcelado em até cinco vezes sem juros.

O preço varia de acordo com o tipo de curso, tempo de duração e escola. Gastos com passagens aéreas, hospedagem, seguro, passeios e alimentação não estão inclusos.

Outra empresa de intercâmbio, a IE, tem preço similar. Um curso de três meses em San Diego (Califórnia) custa US$ 2.460 (R$ 12,9 mil), valor parcelado em até 18 vezes sem juros e sem entrada.

"Os valores mudam de acordo com a carga horária semanal, horário dos estudos, quantidade de alunos em sala de aula e o reconhecimento internacional de qualidade da escola. É recomendável sempre observar se a escola tem certificações confiáveis", afirmou Marcelo Melo, especialista em educação e intercâmbio na IE.

Desafio é ampliar portfólio de serviços

Camila Ribeiro, gestora de empreendedorismo feminino e comunidade do Sebrae-SP, diz que geralmente há uma motivação maior por parte das mulheres que empreendem; no caso de Arleth Bandera, foi a busca por tratamento do filho.

"Nos EUA, ela conseguiu enxergar a necessidade do cliente, como a mudança do status do visto americano, e criou um modelo de negócio baseado em dois pontos: desenvolvimento local, ao fortalecer as escolas menores, e inclusão, ao oferecer aos clientes opções mais acessíveis", disse. Outro ponto de destaque, segundo Camila, foi a busca de Arleth por parcerias para potencializar o seu negócio.

Camila diz, no entanto, que o maior desafio de uma pequena empresa (como a Eagle Intercâmbio) é sempre ficar atenta às inovações, para ampliar o portfólio de serviços de acordo com as necessidades dos clientes. "Isso é fundamental para a empresa se manter competitiva frente à concorrência."

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