Empresa tem boxes para você guardar (quase) tudo e galpões logísticos
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Sabe aqueles objetos que não cabem mais em casa e você não tem onde guardar? Foi pensando em situações assim que Thiago Cordeiro, 44, decidiu abrir, em 2013, a GoodStorage, uma empresa de boxes urbanos. Com o tempo, ele ampliou a oferta de autoarmazenamento para empresas. A GoodStorage tem 65 unidades e faturamento superior a R$ 300 milhões em 2024.
Espaços de 1m² até 40 mil m²
A GoodStorage é uma empresa especializada em armazenagem urbana. Oferece espaços flexíveis para pessoas físicas e jurídicas.
São três modelos de locação. O self storage são boxes a partir de 1 m2 para pessoas físicas, e o galpão flexível é direcionado para pequenas e médias empresas. Já o galpão urbano são galpões logísticos dentro do centro urbano de São Paulo, de até 40 mil m², voltado para médias e grandes empresas.
A empresa tem 65 unidades. São 53 unidades de self storage (em cidades de SP, RJ, MG e Brasília), 4 galpões flexíveis e 8 unidades de condomínios logísticos com galpões urbanos. No total, são mais de 400 mil m². Em todas as unidades da self storage, há espaço de coworking, rede Wi-Fi e lojas com suprimentos para embalar e armazenar.
São cerca de 20 mil clientes pessoa física. A locação é flexível, permitindo armazenamento de itens por períodos curtos ou longos. Os boxes são acessados diretamente pelos clientes.
O que pode (e não pode) ser armazenado. Pode ser guardada uma variedade de itens pessoais ou profissionais, como móveis, eletrodomésticos, caixas e documentos, entre outros. São proibidos itens perecíveis, inflamáveis, ilegais ou vivos (como pets).
Os valores de locação não foram divulgados. Segundo a empresa, cada box possui um tamanho distinto e, por isso, um valor diferente. Informa ainda que o valor do metro quadrado pode variar de unidade para unidade, dependendo da localização e da taxa de disponibilidade.
Condomínio logístico dentro de São Paulo
O primeiro condomínio logístico foi inaugurado em janeiro de 2020. É o Park Vila Leopoldina, em São Paulo. Hoje, a empresa tem 8. Funcionam de maneira semelhante ao serviço de self storage, porém com foco em atender empresas, com infraestrutura adequada para o armazenamento de estoque, documentos e outros materiais empresariais.
Mercado Livre e Shopee são clientes. Cordeiro diz que a empresa tem clientes em início de operações até gigantes do mercado, como Mercado Livre, Shopee e Eletromídia, entre outros. Os clientes podem guardar produtos, materiais de estoque, equipamentos, arquivos e outros itens empresariais. Há uma lista de itens proibidos, como os perigosos ou ilegais, inflamáveis e perecíveis. O valor da locação não foi divulgado.
Os espaços de galpões urbanos são estrategicamente localizados em áreas urbanas para otimizar a logística e reduzir custos. Ou seja, reduz despesas com frete, aproxima o estoque do cliente final, desafoga processos e elimina os gargalos até a entrega.
Thiago Cordeiro, CEO e fundador da GoodStorage
Fundo americano é sócio
A empresa foi criada em 2013, em São Paulo. Segundo Cordeiro, o conceito de self storage já era consolidado em outros mercados, como o americano. "Identificamos uma oportunidade de adaptá-lo às demandas do Brasil", afirma.
Havia uma demanda reprimida tanto por parte de pessoas físicas, que precisavam de um local seguro para armazenar pertences durante mudanças, reformas ou para otimização de espaço em apartamentos menores, quanto de empresas que buscavam uma alternativa para armazenar estoque, documentos ou equipamentos sem os altos custos e burocracias dos aluguéis convencionais.
Thiago Cordeiro, CEO e fundador da GoodStorage
Aportes de fundo americano. Ao longo dos anos, a GoodStorage recebeu aportes do fundo de investimento americano Evergreen Investment Advisors, que é sócio no negócio. No total, foram investidos US$ 505 milhões.
Em 2024, a GoodStorage comprou a empresa Guarde Aqui. "Nosso objetivo foi expandir a presença da GoodStorage no mercado de self storage, aumentar a capacidade de atendimento e fortalecer a posição de liderança no setor de armazenamento urbano, principalmente em São Paulo", diz Cordeiro. O valor da transação não foi revelado. Segundo ele, a negociação aumentou em 40% a oferta de espaços para locação da companhia.
A empresa não abre os números. Mas informa que faturou acima de R$ 300 milhões em 2024. O lucro não foi revelado.
Cuidado na escolha do ponto
Essa alternativa de armazenagem é positiva. Adriano Campos, consultor de negócios do Sebrae-SP, diz que a concentração populacional e os espaços cada vez mais caros e limitados nas grandes áreas urbanas fazem aumentar a demanda por armazenamento de objetos diversos. "Com o custo imobiliário alto, essa é uma alternativa bem legal", afirma.
Há vantagem competitiva. Para o consultor, por estar em pontos centrais de grandes cidades, a GoodStorage tem vantagem competitiva em relação aos grandes centros de distribuição. "Isso agiliza a entrega e reduz custos. O cliente não precisa de grandes deslocamentos para usar os serviços da empresa", diz.
A flexibilização do serviço e a diversificação da clientela são vantagens. "A GoodStorage vende muito mais do que espaço. Vende flexibilidade", declara. Para Campos, ao ter soluções para diversos públicos, a empresa não fica refém de um nicho só nem vai sentir o impacto se algum dos segmentos com que trabalha sofrer algum revés", diz.
O ponto de atenção do negócio são os custos da operação e localização. "Manter toda essa estrutura, com pessoal, serviços e manutenção dos prédios, é uma operação cara. A empresa também deve levar em conta alguns cuidados na hora de escolher a localização das unidades", diz Campos. Devem ser observados, segundo ele, se o local é perigoso e se tem risco de inundações, se haverá movimentação urbana (como a construção de túneis e viadutos), que pode interferir na logística dos clientes, além de mudanças na legislação de zoneamento da cidade.
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