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Em meio à crise, investidor deve comprar ou vender ações da Petrobras?

Vanderlei Almeida/AFP
Imagem: Vanderlei Almeida/AFP

Sophia Camargo

Do UOL, em São Paulo

26/03/2014 06h00

A Petrobras, maior empresa brasileira, está vivendo uma fase ruim. Enfrenta acusações de pagamento de propina, lavagem de dinheiro, perdão de calote da Venezuela e de ter comprado por preço exagerado uma refinaria de Pasadena (EUA). São problemas que afetam sua credibilidade no mercado e suas ações.

No entanto, desde terça-feira da semana passada (18) um dia antes da retomada do caso da refinaria de Pasadena, as ações preferenciais da estatal de petróleo (PETR4) subiram quase 12%. É um momento de angústia e dúvida para o investimento. O movimento de alta indica que é hora de comprar as ações da Petrobras?

A resposta é não, segundo analistas consultados pelo UOL. Mas, atenção. Para quem já tem as ações da empresa atreladas ao FGTS, por exemplo, a recomendação é cautela antes de começar a se desfazer do papel.

PRÓS E CONTRAS DE INVESTIR NA PETROBRAS

  • POSITIVO

  • NEGATIVO

  • Mercado gigantesco

  • Governo interfere demais na gestão

  • Negócio sólido e lucrativo

  • Endividamento crescente assusta

  • Boa pagadora de dividendos

  • Subsídio à gasolina dá prejuízo

Para o operador sênior da TOV Corretora Luiz Morato, apesar de as más notícias estarem embutidas no preço da ação, há vários fatores de preocupação com a empresa, como o endividamento de cerca de R$ 220 bilhões e a defasagem do preço da gasolina ante o preço no mercado internacional.

"A empresa está mais endividada do que o seu valor atual na Bolsa, que é de cerca de R$ 170 bilhões", afirma.

Segundo Morato, o movimento de alta foi motivado pelo boato, que depois não foi confirmado pela pesquisa Ibope, de uma possível queda nas intenções de voto da presidente Dilma Roussef. "Isso mostra que o mercado deseja a mudança de governo", afirma.

Para o educador financeiro Mauro Calil, da Academia do Dinheiro, a empresa não é ruim, mas está nitidamente mal-administrada. "A empresa tem um negócio sólido, um mercado gigantesco, mas a ingerência do governo está pondo tudo a perder", diz. "Quem não tem Petrobras na carteira é melhor ficar de fora até as coisas se acalmarem."

Morato diz que o atual preço das ações está abaixo do valor patrimonial da empresa, que seria de R$ 26,67 por ação, ante os R$ 14,48 do fechamento desta terça (25), o que em tese demonstraria que a empresa tem muito o que se valorizar.

Para que houvesse essa alta, porém, a Petrobras precisaria diminuir o nível de intervenção do governo na empresa e o endividamento, aumentar a produtividade e diminuir o subsídio da gasolina. Além de contar com a queda do dólar. "Mas ainda não houve nenhuma sinalização neste sentido", diz.

Diante disso, o que fazer com as ações da Petrobras? Veja as recomendações dos especialistas:

Para quem só tem ação da Petrobras atrelada ao FGTS

Nesse caso, Mauro Calil aconselha duas estratégias diferentes dependendo do tempo para se aposentar.

- Quem está a menos de cinco anos da aposentadoria, pode sacar uma parte para sair dessa incerteza. Se sacar um terço das ações atreladas à Petrobras, irá sacar o lucro que teve. Se optar por retirar dois terços, vai retirar o principal e manter o lucro. "A decisão, nesse caso, vai depender do perfil emocional da pessoa", diz.

Luiz Morato concorda. "Acho que o investidor que tem um horizonte mais curto de investimento tem que aproveitar essas pequenas altas da ação para se desfazer de parte delas."

- Para quem está a mais de cinco anos da aposentadoria, o conselho do educador Mauro Calil é que deixe o FGTS investido nas ações. "Uma hora essa turbulência acaba", diz. "É bom lembrar que o FGTS paga 3% ao ano mais TR, um rendimento péssimo. E a Petrobras paga em dividendos 3% do valor do patrimônio líquido da ação. Só isso já vale a pena", diz.

Para quem tem ação da Petrobras em carteira

Quem tem os papéis em carteira, seja como investimento único ou fundos de ações, deve primeiro verificar qual é o prejuízo. "Dependendo de quando a ação foi comprada, a pessoa pode ter tido prejuízo ou mesmo ter tido lucro", diz Calil.

Se verificar que a perda é pequena, o conselho de Calil é "venda tudo, caia fora da ação". Ele diz que não é preciso sair do mercado de ações, pois há boas opções que valem investir no momento.

Mas, se o investidor perdeu muito dinheiro, há dois caminhos a seguir: vender tudo e arcar com o prejuízo ou elaborar uma estratégia para tentar recuperar o prejuízo apostando em operações estruturadas, que são operações que limitam perdas e ganhos.

Operação estruturada é saída para tentar recuperar prejuízo

Para fazer esse tipo de operação, o investidor deverá contar com ajuda profissional como a de uma corretora, pois envolve o conhecimento de derivativos.

O investidor poderia alocar parte do dinheiro que sobrou em operações desta natureza, que limitariam a perda, por exemplo, em 3% e o ganho em 10%. Toda vez que um destes limites for atingido, o investidor sai do negócio e espera uma nova oportunidade para começar de novo.

"A filosofia desse negócio, explica Calil, é que. como já perdeu bastante, o risco já se voltou contra o investidor. Então vamos tentar recuperar", diz.

Para quem não tem ações da Petrobras

A recomendação é não comprar. Luiz Morato, da TOV, diz que o melhor é deixar a ação no radar, aguardando. Para ele, a ação tem espaço para subir de preço, mas é preciso que a empresa tome as medidas necessárias. "O cenário ainda é muito nebuloso, de muita instabilidade. Então é melhor aguardar", diz.

Para Calil, a empresa tem um excelente negócio, mas está muito mal-administrada e não há perspectiva de melhora por enquanto. "Por isso quem não tem Petrobras na carteira é melhor ficar de fora até as coisas se acalmarem", diz.

Entenda o caso da refinaria da Petrobras

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