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Agora você pode usar seu FGTS como garantia de empréstimo. Mas vale a pena?

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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O governo anunciou nesta semana as regras para liberação de crédito consignado tendo como garantia o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Os juros máximos serão de 3,5% ao mês (podem ser menores ainda). 

Está precisando de dinheiro e quer saber se vale a pena tomar um empréstimo nessas condições? Veja abaixo:

Quais as condições

  • Juros máximos de 3,5% ao mês e parcelamento de até 48 meses
  • Trabalhador de empresa privada pode tomar empréstimo consignado (com desconto direto no salário), dando como garantia até 10% do saldo total da sua conta no FGTS
  • Se perder emprego sem justa causa, o banco poderá ficar com a multa que normalmente a empresa paga ao funcionário (40% do saldo), para liquidar as parcelas que faltam pagar. Se a multa superar o valor, o trabalhador recebe a diferença

Para quem serve

Segundo especialistas, é bom para quem tem dívidas com juros altos, como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal com taxa maior que 3,5% ao mês. A garantia real, o saldo FGTS faz os juros serem menores, diz Thiago Alvarez, presidente do aplicativo de finanças pessoais GuiaBolso.

Avalie o risco de perder o emprego

O principal risco de tomar uma linha de crédito consignado é você perder o emprego. E considerando a situação atual da economia, com mais de 12 milhões de desempregados no país, o risco é grande.

"Analise com cuidado a situação da sua empresa, se ela andou cortando pessoal e qual a chance real de você ser demitido", afirma o professor Ricardo Teixeira, coordenador do curso de MBA em Gestão Financeira da FGV.

Os bancos estão mais seletivos na hora de conceder crédito. Estão evitando emprestar para pessoas que trabalham em setores que sofreram mais com a crise, como a construção civil. Portanto, mesmo que você tente, é possível que o banco rejeite o seu pedido de empréstimo.

Além disso, sua situação financeira pode se complicar ainda mais caso seja demitido. "O FGTS é uma espécie de seguro contra a perda do emprego. E a multa rescisória de 40% é um complemento importante para ajudar a vencer esse momento difícil. Ao dar parte do fundo e a multa como garantia do empréstimo, você está perdendo essa proteção", explica Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Pesquise outras opções de empréstimo

Os bancos ainda não definiram quais taxas irão cobrar (os 3,5% são o limite, mas pode ser menor). Considerando o teto de 3,5% ao mês, é possível encontrar opções com taxas menores.

"Empréstimos que possuem garantia real, como a antecipação do 13º salário ou da restituição do Imposto de Renda, possuem taxas a partir de 2% ao mês", informa Oliveira, da Anefac.

Outra opção é o refinanciamento de veículo ou de imóvel. A taxa varia entre 1,8% e 2,5%. O bem é dado como garantia do empréstimo. Embora apresente taxas menores, a escolha dessa alternativa deve ser avaliada com cuidado.

"Se você atrasar as parcelas, o banco pode tomar seu carro ou sua casa. Já o consignado não envolve o risco de perda do patrimônio. No caso do crédito com garantia do FGTS, o risco é perder 10% do saldo do fundo e a multa por demissão sem justa causa", explica Teixeira, da FGV.

Renegocie as dívidas atuais antes de quitá-las

É importante que você renegocie as dívidas atuais para reduzir o valor e conseguir quitá-las integralmente com os recursos do novo empréstimo, diz Alvarez, do GuiaBolso.

Bancos ainda não têm o produto para oferecer

Procurados, os grandes bancos ainda estão avaliando a nova alternativa de crédito. O Santander declarou que pretende oferecer a nova opção, mas ainda não definiu os detalhes da modalidade. O Itaú e Banco do Brasil disseram que estão avaliando as regras.

O Bradesco informou que ainda não possui o produto. A Caixa Econômica Federal afirmou que está implementando os ajustes necessários para oferecer o crédito, mediante a solicitação do cliente e com base nos convênios que o banco mantém com empresas.

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