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Com juros em queda, analistas sugerem onde investir para ganhar mais

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

O Banco Central reduziu novamente a taxa básica de juros (Selic). Com juros mais baixos, cai a rentabilidade dos investimentos em renda fixa, como CDB, LCI e LCA, entre outros. Para ter retornos melhores, o investidor precisa buscar aplicações de maior risco.

A tendência é que os juros continuem caindo. "O mercado já fala em uma taxa de juro de 7% ao ano para 2018", diz Pedro Coelho Afonso, chefe de operações da Gradual Investimentos.

Isso não significa que, a cada corte dos juros, o investidor precise mudar suas aplicações, segundo a planejadora financeira Marcia Dessen, diretora da Planejar e autora do livro "Finanças Pessoais, o que fazer com meu dinheiro".

"Mais importante é pensar nos objetivos para o qual está guardando aquele dinheiro. A reserva de emergência, por exemplo, tem de ficar obrigatoriamente numa aplicação conservadora, como Tesouro Selic, fundo DI ou CDB pós-fixado, esteja a Selic em queda ou não", diz. 

A reserva de emergência deve corresponder a entre 6 e 12 meses de despesas, e deve estar aplicada em um investimento de baixo risco e alta liquidez, ou seja, facilidade de transformar em dinheiro vivo. Se ainda sobrar dinheiro, então, o investidor pode ir atrás de mais risco para poder remunerar melhor seu patrimônio. Veja sugestões dos analistas.

Tesouro Direto

Alan Marques/Folhapress

Há três tipos de títulos públicos: Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+.

O Tesouro Selic acompanha a trajetória da taxa de juros e renderá cada vez menos conforme a taxa de juros cai, mas não perde a atratividade para o dinheiro de curto prazo. Ele também é parâmetro de comparação para avaliar os demais investimentos, pois rende 100% do CDI e é considerado o investimento mais seguro, já que é garantido pelo Tesouro Nacional.

Para longo prazo (como aposentadoria), a recomendação são os papéis do Tesouro IPCA+. O papel com vencimento para 2035 pagava, nesta quarta-feira (26), remuneração de 5,33% mais a variação do IPCA (inflação oficial). "É um ótimo rendimento", diz Dessen.

A planejadora não indica investir nos papéis do Tesouro Prefixado a não ser que tenha muito conhecimento de mercado, pois considera o investimento como "especulativo". "Quem compra prefixado está fazendo uma aposta na queda contínua da taxa de juros, mas o cenário político e econômico ainda pode trazer surpresas."

Tanto o Prefixado como o IPCA+ devem ser comprados com a intenção de manter o dinheiro até o fim do contrato. Se sacar antes, pode ter prejuízo.

Para investir no Tesouro, é necessário abrir cadastro e ter conta em uma corretora ou banco. Veja um passo a passo de como investir. O investimento paga Imposto de Renda, conforme o período de aplicação:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

Poupança 

Shutterstock

A queda da taxa de juros beneficia a poupança, que passa a concorrer de perto com as demais aplicações de renda fixa. "Ela passa a ser uma opção interessante de investimento", diz Afonso.

Enquanto a taxa de juros estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança continua com o rendimento de 0,5% ao mês mais TR garantido. É beneficiada também pelo fato de ser isenta de Imposto de Renda e taxas de administração. Tem a segurança do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que paga até R$ 250 mil para o investidor se o banco quebrar.

CDB 

Thinkstock

Afonso indica investir em CDBs que paguem acima de 100% do CDI. Se pagar abaixo disso, vale investir no Tesouro Selic. Bancos menores pagam rentabilidades mais altas, mas isso significa aceitar um risco maior. 

Dessen não aconselha a investir em CDBs muito arriscados. Se optar pela aplicação por causa da remuneração, ela recomenda limitar o investimento a R$ 200 mil. O CDB tem cobertura de R$ 250 mil do FGC.

O CDB não tem taxa de administração, mas paga IR, conforme o período de aplicação:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

Fundos de renda fixa

Shutterstock

São uma opção, mas é preciso tomar cuidado com as taxas cobradas. Afonso e Dessen afirmam que a taxa de administração deve ficar em 0,5%, no máximo. Caso contrário, é melhor investir diretamente no Tesouro Selic.

A taxa de administração corrói a rentabilidade porque é aplicada sobre o total investido, ao contrário do Imposto de Renda, que incide apenas sobre o rendimento da aplicação. Quanto mais tempo deixar o dinheiro, menor será o Imposto de Renda:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

Atenção: os fundos não têm a cobertura do FGC.

LCI e LCA

Shutterstock

As letras de crédito imobiliário (LCI) e as letras de crédito do agronegócio (LCA) são opções para investir em renda fixa e são atraentes pela isenção do IR e garantia do Fundo Garantidor de Créditos. "Uma LCI que pague 85% do CDI tem rendimento equivalente ao Tesouro Selic aplicado por dois anos", diz Afonso.

A desvantagem é que a aplicação tem prazo mínimo para sacar o dinheiro, que é de 90 dias. Marcia Dessen não recomenda a aplicação.

Ações 

Tony Gentile/Reuters

A queda da taxa de juros é positiva para a Bolsa de Valores, afirma Afonso, apesar de ainda haver incerteza na economia. "A grande dúvida do mercado é como o investidor estrangeiro vai se comportar com a queda da taxa de juros. Um ritmo acelerado de diminuição da taxa pode afugentar esse investidor", diz o executivo. Se houver saída de investidores, as ações tendem a cair.

O conselho é que quem não conhece o mercado não se arrisque demais, prefira investir por meio de fundos e busque ajuda especializada. Outra estratégia é fazer aplicações constantes: comprar todo mês um mesmo valor em ações.

Os setores que devem ir bem, segundo Afonso, são construção civil, alimentos e bebidas, e óleo e gás. "Foram setores muito judiados nos últimos tempos por causa da crise", diz. Ele não aconselha investir em empresas cuja receita esteja ligada ao dólar, como as de mineração ou de papel e celulose. "A tendência do dólar é de queda", diz.

Dólar 

Shutterstock

Não é recomendado pelos especialistas como um investimento. Eles aconselham a comprar a moeda apenas se for viajar. Nesse caso, a compra deve ser feita aos poucos, para diluir as flutuações do preço. Para quem quer ter algum investimento atrelado ao dólar, há a opção de fundos cambiais e fundos nacionais que aplicam na moeda estrangeira.

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