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Vale a pena pagar IPVA e IPTU à vista? E pegar empréstimo para quitar tudo?

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

Janeiro é mês de despesas obrigatórias para grande parte dos brasileiros, entre elas o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).

Quem conseguiu poupar para esses pagamentos e decide pagar à vista, costuma ganhar um desconto no valor total.

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Em São Paulo, por exemplo, o desconto no IPVA é de 3% quando é feito o pagamento de uma vez. Para os veículos com placa de final 1, termina nesta terça-feira (9) o prazo para pagar a primeira parcela ou o valor integral com desconto. Clique aqui para ver o calendário completo.

Mas será que vale qualquer coisa para garantir o desconto? Confira o que dizem especialistas em finanças.

Devo pagar à vista?

Se possível, sim.

Para Joelson Sampaio, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), "se a pessoa tem condições de pagar à vista, é melhor" por causa do desconto.

Apesar de recomendar "sem dúvida nenhuma" o pagamento à vista se a situação financeira estiver mais confortável, Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, diz que é preciso ficar atento para não se deixar levar pelo bom desconto, lembrando que existem outros gastos no mês.

"De que adianta pagar à vista e conseguir desconto em uma despesa e não ter dinheiro suficiente para quitar as outras?", questiona.

Posso pegar empréstimo para pagar à vista?

Sampaio diz que não vale a pena tomar um empréstimo no banco para pagar os impostos à vista, porque acaba saindo mais caro do que a vantagem do desconto, com os juros que costumam ser cobrados pelas instituições financeiras.

O empréstimo, de acordo com o professor, deve ser usado como "último recurso", quando a pessoa realmente não tem condições de fazer os pagamentos.

Reinaldo Domingos também diz que o melhor é fugir dos empréstimos para esses pagamentos.

"Deve-se evitar ao máximo recorrer a empréstimos, limites do cheque especial ou qualquer outra maneira de crédito do mercado financeiro, pois isso apenas se tornaria uma bola de neve, devido aos juros altíssimos cobrados", afirma.

É melhor tirar dinheiro dos meus investimentos para pagar?

Imagine o seguinte cenário: depois dos gastos de final de ano, não sobrou dinheiro disponível na conta para fazer o pagamento à vista, mas você pode retirar de investimentos (como Tesouro Direto ou poupança) para garantir o valor menor. Essa é uma boa opção?

Joelson Sampaio diz que "vai depender bastante do investimento". Em alguns casos, o rendimento que aquele valor teria no mês é menor do que o desconto no IPVA ou IPTU, sendo vantajoso nesse sentido.

O professor, porém, não recomenda essa opção. Apesar de poder garantir um retorno a curto prazo, ele afirma que essa prática pode prejudicar a disciplina na hora de poupar e investir o dinheiro, algo que, segundo Sampaio, a população brasileira não costuma ter.

Para conseguir juntar dinheiro e ter bons retornos no longo prazo, os especialistas em finanças pessoais afirmam que é necessária essa disciplina, ou seja, constância na hora de separar uma quantia mês a mês para investimentos (e não ficar sacando dinheiro deles a toda hora para fazer pagamentos pontuais).

"O melhor dos mundos é fazer uma reserva para não precisar tirar o dinheiro dos investimentos", afirma Sampaio.

Já estou endividado. O que faço?

Sampaio diz que a pessoa que vive o pior cenário (já está com dívidas e ainda tem que fazer os pagamentos de janeiro) terá de ter mais cuidado e recorrer ao banco outra vez, mas ela tem dois caminhos.

Uma opção é fazer um empréstimo para pagar apenas as despesas de janeiro. A outra é juntar a dívida nova com a antiga, desde que os juros sejam menores do que os que já estava pagando.

"Recomendo pesquisar e falar com o gerente", diz Sampaio.

E para o ano que vem?

O pagamento dos impostos deste ano já está batendo à porta, restringindo as opções de quem não se planejou. Mas, para não ficar com a corda no pescoço também no ano que vem, especialistas recomendam pensar com antecedência.

"O grande erro está em não programar seu pagamento com antecedência. Como a maioria das pessoas não traça um planejamento anual, acaba começando um ano novo com dificuldades financeiras, já que no período há também gastos com matrícula e material escolar, entre outros", afirma Reinaldo Domingos.

Joelson Sampaio diz que o uso de aplicativos de celular e planilhas online ajuda a controlar o orçamento, poupar e fazer uma reserva financeira.

Para o caso específico do pagamento de IPTU e IPVA, Sampaio sugere, se possível, separar a quantia para esses pagamentos em dezembro, quando costuma entrar mais dinheiro na conta por causa do 13º.

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