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Como saber se vale a pena financiar a casa própria ou continuar no aluguel?

Danylo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/01/2018 04h00

Muita gente cai na tentação de realizar o sonho da casa própria sem antes pensar se este é o momento de comprar um imóvel ou se o financiamento cabe no seu bolso.

"Ainda há uma crença forte no Brasil de que pagar aluguel é jogar dinheiro fora. Mas não é bem assim", afirma a planejadora financeira Fernanda Prado, da Life Finanças Pessoais.

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Financiar um imóvel ou morar de aluguel e poupar o dinheiro, o que vale mais a pena? Não há uma resposta única para todas as pessoas. Não é uma questão apenas de matemática, segundo os especialistas. É fundamental pensar no seu momento de vida e nos objetivos para os próximos anos.

Não existe uma única realidade, único caminho, e sim caminhos e situações diferentes, tanto pessoais como de mercado.

Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest

Você estuda e planeja fazer algum curso no exterior, ou ainda está no início da carreira? Tem alguma perspectiva de prestar um concurso fora ou ser transferido para outra cidade? Em casos como esses, pode ser melhor aplicar seu dinheiro a se fixar num local que provavelmente não será sua residência definitiva.

Para uma família com filhos pequenos, por exemplo, a compra da casa própria pode fazer mais sentido. "Nesse caso, a vida estará estruturada em um bairro, com todas as facilidades planejadas, durante muitos anos", diz Calil.

Dicas para quem vai financiar a casa própria

Entrada: quanto maior melhor

Se optar por financiar a casa própria, o ideal é dar o maior valor possível de entrada --especialistas recomendam que a entrada seja de pelo menos metade do valor do imóvel. 

"A entrada ideal é aquela que deixará o menor número de parcelas para pagar. Nesse sentido, também não vale olhar só o valor dessa parcela. Tem que ver os juros, o custo efetivo, quanto o imóvel vai custar ao todo", diz Fernanda Prado. "Ao longo do financiamento, se puder amortizar pagando parcelas a mais, tanto melhor."

Pesquise financiamentos

Pesquisar é a máxima. No caso do financiamento, procure diversos bancos, levante as taxas de juros e as condições, até encontrar aquele que mais tem a ver com o seu perfil, diz Fernanda. Veja se pode usar o programa Minha Casa, Minha Vida, que oferece condições de financiamentos e taxas de juros vantajosas. O programa contempla famílias com renda mensal de até R$ 7.000.

Saiba o custo total

Verifique quanto o financiamento vai custar ao todo. "Não é só olhar o valor da parcela. Se o total for muito alto, tente reduzir o prazo final. Quanto mais longo é o financiamento, mais caro fica", diz Fernanda.

Considere o impacto na renda

Pense no quanto a parcela vai impactar a renda da família para não comprometer demais a qualidade de vida, como ter que cortar idas a restaurantes ou parar de viajar nas férias. A recomendação é nunca comprometer mais de 30% da renda mensal familiar líquida [já tirando os descontos] com a prestação da casa própria.

Tente pagar mais rápido

Se possível, procure amortizar a dívida para reduzir o valor. Tenha como objetivo pagar o mais rápido que puder. Se for o seu caso, use o FGTS para quitar.

Não se esqueça de condomínio e IPTU 

Analise com cuidado o valor do condomínio (se tiver). Também vale conferir o IPTU.

Dinheiro parado

Imóvel costuma ter pouca liquidez, ou seja, se você precisar do dinheiro aplicado nele, pode não conseguir vendê-lo rapidamente.

Dicas para quem vai alugar

Saiba quanto pode gastar

Se optar pelo aluguel, como definir o valor que cabe no seu bolso? Especialistas recomendam que o valor gasto com moradia não ultrapasse 30% do orçamento líquido. Isso inclui não só o aluguel em si, mas também condomínio, IPTU e despesas com manutenção e limpeza. "Tudo isso deve entrar na conta ao se estimar o valor do aluguel", diz Calil. 

Aproveite para investir

Ao optar por alugar em vez de comprar o imóvel, uma das principais vantagens é investir o dinheiro que seria usado como entrada.

Onde investir

A sugestão é optar por aplicações financeiras conservadoras e de baixo risco, como Tesouro Direto, fundos DI e CDBs. A indicação é planejar o tempo necessário para investir (quantos anos, por exemplo). Busque uma aplicação com vencimento próximo a esse prazo.

"A recomendação é investir em títulos privados como o CDB para horizontes mais curtos (menos de cinco anos), ou títulos públicos do Tesouro Direto, para prazos acima de cinco anos", afirma Fernanda. 

Opção: fundos imobiliários

Segundo Calil, também é possível comprar o imóvel pouco a pouco, juntando o dinheiro com a aplicação em fundos imobiliários, que acompanham o movimento do mercado justamente por investir em imóveis. Isso significa que, se o mercado imobiliário está valorizando, os fundos também tendem a valorizar.

"Conforme o mercado físico dos imóveis se valoriza, os fundos imobiliários também valorizam", diz Calil. Com esse investimento, você consegue acompanhar a alta dos imóveis e, por exemplo, pagar o seu aluguel. Ou poupar para a entrada do financiamento. 

Muitos fundos oferecem rendimento mensal, isento de Imposto de Renda. "Você reaplica os rendimentos e vê o bolo aumentar. Dependendo do volume, pode ser o suficiente para pagar pelo menos 80% de uma prestação", diz Calil.

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