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Os 8 erros mais comuns de quem começa a investir, e como evitá-los

Exclusivo para assinantes UOL Economia+

Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/06/2021 04h00

O mercado de investimentos desviou o caminho que seguia nas últimas décadas, focado na renda fixa. Com a redução da taxa básica de juros, a Selic, foi preciso buscar novas oportunidades no mercado.

Com essa mudança de cenário, o investidor novato fica mais exposto a equívocos que vão além daqueles mais triviais, como não encontrar seu perfil de investimento ou desprezar a necessidade de ter uma reserva de emergência.

O UOL Economia+ consultou planejadores financeiros para identificar os erros comuns entre os investidores iniciantes e o que deve ser feito para evitar enganos que podem corroer o capital acumulado ao longo de uma vida. Confira antes de investir.

1. Criar expectativas irrealizáveis

Um dos maiores erros é entrar no mercado com perspectiva de ganhos altos em pouco tempo.

O líder de educação financeira da escola de investimentos da Xpeed, Thiago Godoy, faz um alerta para quem acredita que o curto prazo vai fazer uma grande diferença na sua vida financeira.

O investidor precisa, ao entrar no mundo dos investimentos, ter objetivos de longo prazo. O novato, com pouco habilidade, deve começar com os dois pés no chão, buscando investimentos seguros que, quase sempre, trazem retornos discretos.
Thiago Godoy

2. Achar que exceções são regras

Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro, faz questão de dizer que há, sim, casos de enriquecimento súbito de pessoas no mundo dos investimentos, mas que são excepcionais e impossíveis de se reproduzir de maneira consciente.

"É mais sorte do que ciência, porque, se fosse cientificamente verificável, haveria uma quantidade maior de pessoas reproduzindo (o feito)."

É comum que os investidores iniciantes se apeguem a essas histórias de sucesso para traçar sua estratégia no mercado de investimentos, "mas, nem sempre têm conhecimento sobre os fracassos que ocorreram ao longo dessas trajetórias", alerta Peterson Silva, especialista em investimentos e sócio da Ébano.

Esses casos de sucesso, quando verdadeiros, podem esconder tombos milionários que só podem ser superados por quem tem muito dinheiro.

3. Ceder à síndrome do medo de ficar de fora

Muitos produtos financeiros de baixa qualidade ou mesmo fraudulentos são catapultados pela síndrome do Fomo (fear of missing out), o medo de ficar de fora do que está acontecendo.

No mundo dos investimentos, esse receio de perder uma oportunidade de enriquecer tem levado muitas pessoas a abraçar ideias arriscadas.

Nós temos essa coisa do medo de perder a oportunidade, mas toda vez que aparece uma promessa muito grandiosa, as pessoas têm que tomar cuidado. Alguns podem oferecer ganhos certos e rápidos, e usam a ganância do investidor para fazer promessas vazias.
Thiago Godoy, da Xpeed

4. Desprezar a média de retorno do mercado

O investidor que cai em fraudes ou se expõe a riscos que não calculou deixou de fora um fator essencial para o mundo dos investimentos: balizar o retorno oferecido pelo produto financeiro pela média do mercado.

"A gente tem uma taxa básica de juros que serve para pautar o mercado. Portanto, se a Selic está em 3,5% ao ano e alguém oferece 5% ao mês de rentabilidade, é porque o negócio é fraudulento ou muito arriscado", reforça o planejador financeiro da Xpeed.

5. Comprar um ativo que já bateu no teto

Silva, da Ébano, explica que é comum que investidores novatos apostem em um ativo que rendeu bastante para outras pessoas, mas que já atingiu o limite de valorização.

Isso, segundo o especialista, é resultado do "efeito manada", "o investidor toma uma decisão baseado apenas no que outros estão fazendo".

Porém, ao seguir o movimento do mercado sem respaldo técnico, o investidor acaba comprando o ativo que já viveu seus dias mais brilhantes e que encaminha uma trajetória definitiva de queda.

6. Achar que qualquer renda fixa vai garantir retorno

Um risco da renda fixa é ter um retorno abaixo da inflação e fazer o dinheiro do investidor perder o poder de compra ao longo do tempo.

Esse risco existe nos títulos pós-fixados, que acompanham a Selic, e prefixados, em que há uma taxa predefinida no momento da aplicação. Os títulos indexados ao IPCA garantem um retorno acima da inflação, mas podem oscilar se o investidor tiver a intenção de resgatar antes do vencimento.
Peterson Silva, da Ébano

Para os planejadores, a poupança e alguns CDBs que operam abaixo de 120% do CDI devem ser evitados como forma de proteger o dinheiro da inflação.

7. Ignorar a renda variável

A Bolsa de Valores não pode ser ignorada pelo investidor novato, ainda que operar por ela seja mais arriscado.

Há empresas que distribuem dividendos que são duas ou três vezes a renda fixa. Se você escolher quatro ou cinco empresas que pagam bastante dividendos ao longo do ano, você vai ter capital investido em empresas que não vão desaparecer amanhã, e que oferecem rendimentos muito mais vantajosos.
Mauro Calil, da Academia do Dinheiro

O especialista aconselha que o investidor iniciante disponibilize 10% do seu dinheiro para tentar ganhos mais expressivos com a renda variável —isso vale para quem já tem a reserva de emergência montada.

8. Render-se às perdas nos investimentos de curto prazo

A alta volatilidade do mercado de ações estimula muitos erros entre os investidores. Um deles é a retirada de capital no pior momento.

Godoy destaca que, diante das perdas, que invariavelmente acontecem, "há quem se desespere e resgate o investimento na baixa. Isso faz com que o investidor efetive a perda, e pode acontecer de ele nunca mais voltar porque teve uma experiência incompleta".

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.