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Mercado de cannabis cresce, e fundos surgem no Brasil: vale investir?

Exclusivo para assinantes UOL

Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/06/2021 04h00

A alteração na legislação sobre o uso medicinal ou recreativo da cannabis (a maconha) em alguns estados dos EUA fez com que esse mercado chamasse a atenção dos investidores. Afinal, empresas ligadas ao cultivo, produção e marketing do produto passaram a listar ações em Bolsa para aproveitar a demanda relativamente alta de consumidores e investidores.

A Prohibition Partners, empresa que estuda e analisa dados sobre o mercado de cannabis ao redor do mundo, estima que, até 2024, esse mercado comece a valer em torno de US$ 104 bilhões —sendo US$ 9 bilhões apenas na América Latina.

Embora a Lei 11.343 permita o plantio de cannabis para fins medicinais e científicos no Brasil, ainda não há regulamentação de como isso pode ser feito. Por outro lado, vários países desenvolvem esse mercado e abrem ainda mais opções para investidores. O UOL Economia+ ouviu especialistas para entender quais são as opções para os brasileiros que querem apostar na cannabis para diversificar a carteira. Confira:

Investidor brasileiro ainda tem poucas opções

A tese [sobre as empresas de cannabis] é que é um mercado em pleno crescimento, que está se desenvolvendo com muitos países começando a visualizar um futuro onde a cannabis é legalizada a fins medicinais e recreativos. Então, seriam empresas com grande potencial de crescimento.
Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico

O investidor brasileiro que acredita que o mercado de cannabis deve crescer com as recentes mudanças de legislação possui a oferta de três fundos de investimento que optam por alocar parte dos recursos diretamente em empresas ligadas à cannabis nos EUA ou ainda em ETFs ("Exchange Traded Fund", em inglês, que são fundos de índices).

O mais recente fundo é o Trend Cannabis FIM, ofertado pela XP, que aloca os recursos em um ETF norte-americano chamado ETFMG Alternative Harvest, que, por sua vez, investe globalmente em ações de empresas relacionadas direta ou indiretamente com o processo de cultivo legal, produção, marketing ou distribuição de produtos de cannabis para fins tanto medicinais quanto não medicinais. O investimento mínimo é de R$ 100.

Já a gestora Vitreo, pioneira em ofertar produtos financeiros ligados à cannabis no Brasil, possui duas opções. A primeira é o fundo Canabidiol, que aposta em ações e ETFs negociados no exterior que possam se beneficiar com a legalização. Já o Canabidiol Ativo aposta 20% no setor e outros 80% em Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O investimento mínimo é de R$ 1.000 e R$ 100, respectivamente.

Além desses fundos, também há a possibilidade de o investidor abrir uma conta em uma corretora estrangeira e investir diretamente em empresas listadas nos EUA ou Canadá, por exemplo, onde o mercado é mais maduro e, por isso, há mais opções, segundo os analistas.

"Nos EUA, o investidor consegue acessar empresas relacionadas direta ou indiretamente com o cultivo ou produção, distribuição e até marketing de cannabis legal para fins medicinais ou recreativos", afirma Paula Zogbi. Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), recibos negociados na B3 desses papéis listados no exterior, ainda são raros e não possuem uma liquidez interessante, avalia a analista.

Ações ligadas a cannabis são voláteis e de alto risco

De acordo com os especialistas ouvidos pelo UOL Economia+, antes de tomar a decisão de investir ou não nesses produtos, o interessado deve entender que o mercado ainda é extremamente volátil e inclui riscos, principalmente regulatórios.

São ativos que têm um grau maior de risco, não só intrínseco à volatilidade do mercado, mas em relação à questão que envolve a regulação do setor, que é muito exposto à mudança de leis. Por isso, há um risco maior, com altas robustas e quedas abruptas.
Romero Oliveira, assessor de investimentos da Valor Investimentos

No final de maio, por exemplo, a Oxford Cannabinoid Technologies, que tem o rapper Snoop Dogg entre seus investidores, estreou na Bolsa de Valores de Londres. O papel abriu com cerca de 50% de alta, mas depois reverteu o avanço em queda, de 15%.

Papéis podem compor portfólio

Apesar de ser um mercado novo, sujeito a muitas variações regulatórias, o mercado de cannabis pode ser uma oportunidade para compor uma carteira bem diversificada, segundo os analistas.

De acordo com Virginia Prestes, professora de finanças da FAAP, é necessário ter um perfil de investimentos agressivo, ou seja, que suporte grandes baixas no patrimônio, para que as empresas de cannabis sejam interessantes.

Tem que ser um perfil bem agressivo. Eu coloco a cannabis na mesma caixinha de criptomoedas, que é uma diversificação para o investidor que aguenta alta volatilidade, porque ele é um ativo de certa forma incerto, pois a cannabis, muitas vezes, se beneficia de um relaxamento da legislação ou sofre por restrições.
Virginia Prestes, da FAAP

Para Romero Oliveira, da Valor Investimentos, o percentual investido nesse mercado não deve passar de 2% do total do patrimônio do investidor.

Pelo seu grau de risco e especificidade desse tipo de ativo, sugerimos que tenha como parte de carteira no máximo 2% do seu portfólio. Caso as pessoas queiram ter ações, fundos, índices relacionados à cannabis, que seja uma parte pequena da carteira.
Romero Oliveira

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.