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É 'cringe' que chama? Poupança também é investimento preferido da geração Z

Geração Z: internet é principal fonte de informações sobre investimentos - Finn Hafemann/Getty Images
Geração Z: internet é principal fonte de informações sobre investimentos Imagem: Finn Hafemann/Getty Images
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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, de São Paulo

01/07/2021 10h55

A principal fonte de informação sobre investimentos da geração Z, nascidos entre 1996 e 2003, é a internet. Já os millenials, quem diria, ainda preferem o acompanhamento presencial de um especialista para decidir onde investir —essa geração é formada por aqueles que nasceram entre 1980 e 1995, também chamados de geração Y. Os jovens são mais digitalizados, só que ainda investem mais na poupança do que em ações ou títulos de renda fixa. É "cringe" que chama?

Em um país onde menos da metade da população faz alguma aplicação financeira, a idade diz muito sobre como cada um investe o seu dinheiro. O acesso à tecnologia e à informação muda de uma geração para outra, criando hábitos diferentes entre os mais jovens e os mais velhos - o termo "cringe" passou a ser usado justamente para designar os hábitos da geração na casa dos 30 anos que os mais jovens acham vergonhosos. Mesmo assim, ainda há semelhanças entre as gerações.

Veja abaixo os resultados do levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades do Mercado), obtido em primeira mão pelo UOL Economia +.

A poupança ainda é a mais usada

Independentemente da geração, a poupança ainda é o investimento mais utilizado pelos brasileiros. Quase um terço dos millenials (30,9%) aplica na caderneta, percentual muito parecido com o da geração X (32,5%) e dos baby boomers (29,9%). Em segundo lugar para os millenials, com 5,1% das citações, estão ações na Bolsa e, em terceiro, fundos de investimentos, com 4,9%. 50,4% não investem.

Na geração Z, a poupança é o investimento de 21,1% dos entrevistados, e ainda que em menor grau, foi muito mais citada do que outras aplicações de risco. Em segundo lugar, com 3,5% das citações, estão fundos de investimentos e, em terceiro com 2,9% das citações, estão ações na Bolsa. 58,3% dos mais jovens não investem.

Por outro lado, a pesquisa também mostra que esses jovens, com idade até 24 anos, investem mais em ações do que os brasileiros da geração X, que têm entre 41 e 56 anos e nasceram entre 1960 e 1980. Eles também são os que mais aplicam em moedas digitais, investimento que sequer foi citado pelos boomers (57 a 75 anos de idade, nascidos dos anos 1940 a 1960). Os mais maduros são campeões de alocação em títulos privados, fundos de investimento e planos de previdência privada.

"O pessoal da geração Z está investindo em um futuro mais longo, pela característica do estilo de vida. Nos arriscamos mais quando somos jovens e gostamos de olhar para coisas novas, que têm mais risco", afirma Marcelo Billi, superintendente de comunicação da Anbima.

Ele lembra que os brasileiros da geração Z cresceram dentro de um cenário econômico mais estável do que os millennials e bem diferente do vivido pela geração X. Isso também muda o olhar sobre risco e diversificação de investimentos, comparado a um passado hiperinflacionário, em que era praticamente impossível guardar algum dinheiro.

Atendimento presencial é "cringe"?

A imagem clássica do millenial sentado com seu notebook numa mesa de "coworking", ou conectado pelo wi-fi de uma cafeteria, nem parece a mesma que a revelada pela pesquisa da Anbima. De acordo com o levantamento, 33,8% dos brasileiros nessa faixa etária, entre 25 e 40 anos, ainda buscam informações presenciais para tomar decisões de investimentos.

Isso significa que os millenials ainda recorrem pessoalmente a um gerente de banco ou assessor de investimentos, por exemplo, quando querem fazer alguma aplicação. Já a maioria dos entrevistados da geração Z respondeu que prefere acessar essas informações pela internet.

"Os millenials não representaram a virada da digitalização que a gente esperava. A gente vê isso, uma demanda bem mais forte na geração Z", diz Billi. Os mais jovens também são os que mais usam aplicativos de celular para obter informações sobre investimentos, segundo a pesquisa. O recurso foi apontado por 12% dos entrevistados da Geração Z. Cerca de 8% dos millenials afirmam usar aplicativos para se informar sobre investimentos.

Marcelo Billi destaca o papel dos influenciadores digitais na educação financeira da geração Z. "São jovens que falam com jovens, trazem informação de qualidade e engajam o investidor. Muitos deles são procurados por instituições financeiras e se tornam porta-vozes oficiais da comunicação com esse tipo de público", afirma Billi.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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