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Alguém pode pegar dinheiro guardado para seu casamento e aplicar na Bolsa?

Exclusivo para assinantes UOL

Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/07/2021 04h00

Fazer uma reserva de emergência é o primeiro passo para quem quer começar a investir. Ela só vai ser usada em uma situação muito necessária, como desemprego ou despesa médica. Esse dinheiro é sagrado, por isso deve estar aplicado em algo seguro e que seja fácil de resgatar. E é bom não misturar as coisas. Tem gente que pensa em pegar o dinheiro guardado para o seu casamento e aplicar na Bolsa. Será que isso funciona?

"O ideal é juntar o equivalente a pelo menos seis meses do seu custo de vida e deixar em um título do Tesouro, um CDB e, a depender do caso, até a poupança vale", disse Bea Aguilar, analista de renda variável, durante o encontro Guia do Investidor UOL, série de eventos gratuitos e quinzenais do UOL Economia+, para quem quer aprender a cuidar do próprio dinheiro.

Tendo essa cobertura, fica mais fácil partir para investimentos que dão mais retornos, mas que também são mais arriscados. "A gente tem que entender que tem um tipo de dinheiro para cada situação", afirmou Júlia Mendonça, planejadora financeira. As especialistas explicam, a seguir, como fazer essa diferenciação.

Cada investimento tem um tempo

Em seu canal no YouTube, o "Papo de Bolsa", Bea Aguillar recebeu uma pergunta curiosa: um seguidor queria saber se dava para investir na Bolsa o dinheiro do casamento que já estava com data marcada. "Se as ações que ele comprou caíssem, não ia ter casamento. É realmente importante saber separar as coisas", disse Bea.

O prazo do investimento é uma questão chave e que varia de acordo com os objetivos do investidor. "Você não pode colocar seu dinheiro em um investimento de renda fixa hoje querendo resgatar amanhã, pois a depender do título você ainda sai no prejuízo", afirmou Júlia Mendonça.

Deixe a sua reserva segura

A dica das especialistas é deixar o dinheiro dessa reserva em uma aplicação de maior liquidez, ou seja, que permita o resgate do valor quando o investidor precisar. E para não correr o risco de perder esse dinheiro, a recomendação é evitar colocar os recursos de emergência em investimentos de risco.

"Se você investe essa reserva na Bolsa, tem um período de compensação. Você só consegue colocar a mão no dinheiro uns dois ou três dias depois de vender a ação", disse Bea Aguilar. Nesse tipo de caso em específico, é importante pesquisar sobre onde essa reserva pode ser investida pensando na urgência do resgate e não no retorno do investimento.

A poupança está liberada?

Nesse caso, deixar a reserva de emergência na poupança também vale, mas sabendo que esse dinheiro não vai render. "Ao descontar a inflação do rendimento da poupança, eu vou ter perdido o meu poder de compra. Mas a reserva de emergência não é um investimento, para deixar alguém rico. É para casos urgentes mesmo", afirmou Bea Aguilar.

O dinheiro da Bolsa é o que sobrar depois da reserva e esse, sim, pode esperar. Ainda assim, antes de investir, é fundamental entender o seu perfil de investidor e seu apetite por risco. Seja para não perder dinheiro, ou para aproveitar as melhores oportunidades.

Bea conta que muitos investidores entraram na Bolsa durante o pior momento da pandemia, quando as ações estavam baratas, mas não ficaram tempo suficiente para aproveitar o investimento no seu melhor momento.

"Dali a dois, três meses, elas já estavam precisando do dinheiro e precisaram tirar. A Bolsa, depois, passou dos 120 mil pontos. Por isso é importante separar os dinheiros, para que esse tipo de coisa não aconteça", afirmou a analista de renda variável.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.