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Fundos 'raspa-contas' rendem menos que a poupança: veja como evitá-los

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/09/2021 04h00

Levantamento feito pela casa de análises Spiti mostra que existem mais de R$ 218 bilhões investidos em fundos que rendem menos que a poupança. Conhecidos como "raspa-contas", esses fundos são oferecidos por bancos e prometem fazer o dinheiro do cliente render enquanto ele não é usado. Segundo o levantamento, mais de 2,74 milhões de investidores têm cotas desse tipo de fundo. E estão perdendo dinheiro.

Nesse tipo de investimento, ao invés de deixar o dinheiro parado na conta corrente, ele é enviado automaticamente para esse fundo e o cliente pode sacar quando quiser, como se fosse uma poupança. Contudo, o rendimento desse tipo de fundo tem ficado abaixo da caderneta e o investidor ainda pode pagar taxas por ele. Veja abaixo quais são esses fundos e como evitá-los, segundo especialistas.

Os fundos que estão abaixo da poupança

Veja abaixo os fundos "raspa-contas" que estão rendendo menos do que a poupança, considerando o retorno deste ano, até o dia 16 de agosto, segundo a Spiti. No período, o retorno da poupança foi de 1,25%.

BB Automático Empresa FIC Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,72%
Taxa de administração: 1,75%

BB Automático Estilo FIC Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,72%
Taxa de administração: 1,75%

BB Automático FIC Renda Fixa Longo Prazo
Retorno: 0,75%
Taxa de administração: 1,75%

BB Automático Mais FIC Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,72%
Taxa de administração: 1,75%

BB Automático Setor Público FIC Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,72%
Taxa de administração: 1,75%

Banestes Invest Public Automático FI Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,72%
Taxa de administração: 1,70%

Banestes Investidor Automático FI Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,71%
Taxa de administração: 1,70%

BNB Automático FI Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,72%
Taxa de administração: 1,70%

Caixa Movimentações Automáticas FIC Renda Fixa Simples
Retorno: 0,75%
Taxa de administração: 1,70%

Banrisul Automático FI Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,75%
Taxa de administração: 1,60%

Bradesco Automático FIC Renda Fixa Simples
Retorno: 0,88%
Taxa de administração: 1,50%

Safra Prático Aplicação Automática FIC Renda Fixa Curto Prazo
Retorno: 0,84
Taxa de administração: 1,20%

Como fugir de fundos ruins?

Para fugir desse tipo de problema, é preciso tomar cuidado com os produtos que têm duas características principais: taxas de administração muito altas e investimentos alocados em crédito privado. É o que alerta Luiz Felippo, sócio e analista de fundos de investimentos da Nord Research.

Os chamados fundos "raspa-contas" costumam ter taxas de administração que corroem a rentabilidade, podendo até ser negativa em tempos em que a economia vai mal, alerta Felippo. Além disso, pode haver a incidência de Imposto de Renda. A cobrança é de 15% sobre os rendimentos para fundos com prazos maiores e de 20% para fundos de curto prazo.

A recomendação de Felippo é colocar o dinheiro do dia a dia em um fundo que invista em títulos públicos com rentabilidade ao menos igual ao CDI, e apenas diante de taxas de administração baixas.

Os fundos que replicam o CDI rendiam, em 16 de agosto, 1,85%, mas estão sujeitos ao Imposto de Renda. A poupança rendia menos, 1,24%, mas está isenta de Imposto de Renda.

Diante dessa rentabilidade, os especialistas dizem que compensa mais para o investidor aplicar diretamente em alguns investimentos que rendem a taxa básica de juros, como o próprio Tesouro Selic, ou mesmo em CDBs de liquidez diária que rendem acima de 100% do CDI. Embora exista Imposto de Renda para esses investimentos, o investidor não vai precisar pagar taxa de administração para ter esses investimentos.

Conveniência custa caro

Luciana Ikedo, assessora de investimentos, sócia no escritório RV4 Investimentos, explica que, normalmente, os fundos que investem o recurso disponível em conta possuem rentabilidades bem ruins porque, no mercado financeiro, a conveniência custa caro.

Ela alerta que essas modalidades servem mais para o banco driblar algumas exigências feitas pelo Banco Central, como a inclusão dos valores nas contas correntes entre aqueles que estão sujeitos ao depósito compulsório, que não pode ser usado pela instituição em operações do dia a dia.

O ideal, segundo Luciana, é que o cliente possua controle do seu fluxo de caixa, administrando o próprio saldo e os resgates e investimentos em vez de permitir a alocação automática para fundos.

"Aquele recurso que pode ser utilizado no curto prazo, seja para uma emergência, oportunidade ou gasto inesperado, pode ser alocado no Tesouro Selic, em um CDB com liquidez diária ou ainda em Fundo DI sem taxa de administração. Assim, com poucos cliques e um pouco mais de protagonismo, o investidor foge dos altos custos dos fundos 'raspa-contas', mas mantém o conservadorismo e a liquidez", diz a assessora.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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