PUBLICIDADE
IPCA
0,47 Mai.2022
Topo

Veja como comprar uma casa de R$ 300 mil investindo R$ 1.000 por mês

Veja aplicações mais indicadas para conquistar um imóvel de R$ 300 mil -
Veja aplicações mais indicadas para conquistar um imóvel de R$ 300 mil
Conteúdo exclusivo para assinantes

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

26/05/2022 11h00

Esta é a versão online para a edição desta quinta-feira da newsletter UOL Investimentos. Para assinar este e outros boletins e recebê-los diretamente no seu email, cadastre-se aqui.

O maior desejo dos brasileiros que investem é o de juntar dinheiro para comprar a casa própria. Segundo o Raio X do Investidor de 2022, 29% dos que têm dinheiro investido planejam isso. A segunda prioridade é manter o dinheiro aplicado (20%). Em terceiro lugar, vem o objetivo de investir no próprio negócio (8%). Os dados foram obtidos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) em pesquisa feita pelo Datafolha. Foram entrevistadas 5.878 pessoas acima de 16 anos nas cinco regiões do país.

A alta de juros dificulta a compra da casa própria porque os financiamentos ficam caros. Mas é em momentos adversos que os investimentos podem ser fundamentais para a concretização desse sonho, segundo especialistas ouvidos pelo UOL. Veja abaixo como usar os investimentos a seu favor e quais as aplicações mais indicadas para conquistar um imóvel, incluindo simulações para aplicar R$ 1.000 por mês e comprar uma casa de R$ 300 mil.

Primeiro passo: guardar dinheiro

Começar a separar uma parte do orçamento para investir em um projeto grande, como adquirir um imóvel próprio, exige disciplina por um longo período. E, por isso, de acordo com os analistas, que muitas pessoas desistem de dar o primeiro passo.

O desafio é ainda maior para quem tem o orçamento comprometido por dívidas. A dica, então, é quebrar essa inércia inicial.

Antes de iniciar um projeto de longo prazo, a pessoa deve resolver pendências de dívidas e começar a fazer uma reserva de emergência. Com esses dois primeiros passos, ela podem levar adiante um projeto de longo prazo de investimentos.
Thiago Godoy, chefe de educação financeira da Xpeed School

Veja aqui matérias que já fizemos com 10 dicas para se livrar das dívidas e as aplicações recomendadas para montar sua reserva de emergência.

Regra de bolso

Para quem não tem dívidas comprometendo o orçamento e já montou a reserva, uma regra de bolso recomendada por profissionais de mercado é aquela formada por três caixas. Pode ser 50-30-20 ou 60-20-20.

Para cada R$ 100 que você receber, seja salário ou outras fontes de renda, separe R$ 50 para os seus gastos essenciais, R$ 30 para prioridades financeiras e investimentos, e R$ 20 para lazer e compras pontuais -- aquele jantarzinho, desejo de compra, por exemplo. Você pode adaptar esses valores à sua realidade. Se 60-20-20 funcionar melhor, vá em frente. O importante é ter essa organização definida e evitar fugir da regra.
Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos

Onde investir?

Especialistas declaram que as melhores opções de investimento dependem de condições próprias válidas para cada pessoa. Por exemplo, o quanto de risco a pessoa pode assumir, o quanto ela tem para investir a cada mês, o prazo que ela tem para fazer o resgate.

Mas é possível apontar algumas aplicações que se encaixam mais para uma grande divisão, a que considera o prazo de investimento, ou seja, quanto tempo a pessoa pretende investir antes de resgatar o capital.

No caso das aplicações com objetivo de adquirir um imóvel, veja abaixo 3 tipos de investimento considerando prazos curto, médio e longo.

Investimentos no curto prazo

Uma opção para quem está guardando dinheiro para comprar o imóvel no curto prazo (em até dois anos) é o Tesouro Selic. Isso porque ele garante liquidez para resgatar o dinheiro a qualquer momento, além do rendimento previsível da renda fixa.

Esse investimento irá acompanhar a taxa Selic, a nossa taxa básica de juros, que hoje está em 12,75% ao ano.

Investimentos no médio prazo

Para quem está com a ideia de adquirir um imóvel no médio prazo (de dois a cinco anos), os títulos de renda fixa ou fundos atrelados à inflação são ferramentas para buscar um retorno equilibrado sem grandes surpresas.

O investidor tem maior previsibilidade para o retorno e, ao mesmo tempo, protege o capital da inflação, caso ela dê novos saltos.

Mas para essas aplicações é fundamental estar atento ao prazo de vencimento dos títulos, que precisa estar alinhado com o prazo de aquisição do imóvel.
Antônio Sanches, especialista em investimentos da Rico Investimentos

Investimentos no longo prazo

Para quem tem um horizonte de aquisição do imóvel mais longo (acima de cinco anos), a carteira pode ter uma parte dedicada a outras aplicações diferentes de renda fixa, como ações, fundos de ações e fundos imobiliários, por exemplo.

Esses são produtos que apresentam mais risco, mas também têm maior potencial de retorno.

3 cuidados com a renda variável no projeto da casa própria

O mercado de renda variável apresenta potencial de render mais que a renda fixa. Contudo, essas aplicações apresentam mais oscilações ao longo do tempo.

Existe então o risco de o investidor resgatar o dinheiro para comprar o imóvel justo no momento em que a Bolsa estiver em um ciclo de baixa, por exemplo.

Por isso, é importante o investidor adote três cuidados ao colocar parte de sua carteira em renda variável.

1. Monitorar a carteira

É preciso reavaliar, de tempos em tempos (a cada seis meses, por exemplo), a composição da carteira e considerar ajustes — como a venda de alguns papéis para compra de outros, por exemplo.

2. Diversificar o investimento

A pessoa não deve colocar toda a carteira voltada para adquirir imóvel apenas em renda variável.

Quanto mais flexível for o momento para a aquisição do imóvel, mais espaço o investidor terá para enfrentar um eventual ciclo de perdas na Bolsa, por exemplo, podendo aguardar um pouco para não ter que sacar o dinheiro justo quando as ações estiverem em baixa.

3. Planejar o resgate

Se a aquisição está marcada para uma janela de tempo específica — o que acontece, por exemplo, quando se faz uma compra planejada com a entrega do imóvel em determinada data —, o mais recomendável é planejar um resgate da renda variável com algum tempo antes da quitação.

Assim será possível aplicar o capital em renda fixa com liquidez e baixíssimo risco até o dia de efetivar o pagamento.

Simulações para comprar imóvel de R$ 300 mil

Para dar uma ideia de como a aplicação dessa regra 60-20-20 pode funcionar em um projeto de compra de um imóvel próprio, o especialista de investimentos da Rico, Antônio Sanches, fez três simulações.

Nessas simulações, ele considerou uma pessoa que tem renda líquida de R$ 5.000 e planeja adquirir um imóvel de R$ 300 mil.

Essa pessoa vai então investir 20% da renda, ou seja, R$ 1.000 por mês como aporte, em aplicação de renda fixa, que está pagando hoje cerca de 1% ao mês.

  • Partindo do zero: considerando uma pessoa que não tenha nada guardado, ela teria o valor do imóvel, de R$ 300 mil, em 140 meses (11 anos e meio);
  • Se a pessoa já tiver R$ 10 mil: nesse caso, o prazo para juntar o dinheiro cai para 129 meses (dez anos e sete meses);
  • Se a pessoa já tiver R$ 60 mil: aqui ela consegue juntar os R$ 300 mil em 92 meses (sete anos e meio).

A gente sabe que o mais difícil é começar a guardar dinheiro. Mas veja o quanto ela consegue antecipar o objetivo se começar com algum capital inicial. Isso também vale para quando a pessoa consegue aproveitar rendas extras, como décimo-terceiro salário, por exemplo, no projeto de investimento.
Antônio Sanches, especialista em investimentos da Rico Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.