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Bolsa tem setores que vão melhor que seu índice principal; saiba investir

Veja índices de ações que estão indo melhor que o Ibovespa em 2022 - Kirill Smyslov/iStock
Veja índices de ações que estão indo melhor que o Ibovespa em 2022 Imagem: Kirill Smyslov/iStock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

25/05/2022 04h00

O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa de Valores brasileira (B3), alterna em 2022 momentos de baixa com alguns ciclos de recuperação. E no acumulado do ano praticamente não saiu do lugar em quase cinco meses: acumula leve variação de apenas 3,5% desde janeiro até o último dia 20 de maio.

Mas essa não é a trajetória de todas as ações da Bolsa. Empresas de alguns ramos da economia estão indo bem este ano e, por isso, os índices setoriais dessas atividades estão batendo o desempenho do Ibovespa. Veja abaixo quais são esses índices e se vale a pena incluir esses papéis na carteira, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

Bolsa não é apenas Ibovespa

A B3 tem diversos índices de ações além do Ibovespa. Cada um desses diferentes índices de ações reúne empresas de setores da economia —como indústria, consumo ou financeiro—, ou dividem as companhias por políticas de dividendos ou normas de ESG, por exemplo.

Esses diferentes índices permitem que analistas e investidores montem carteiras de ações dessas empresas com focos em segmentos ou em políticas de gestão, além de servirem como referência para que possam monitorar seus investimentos e avaliar se a aplicação está indo bem ou não.

Confira a variação de alguns índices setoriais de ações na B3 neste ano de 2022 (até o último dia 20 de maio).

  • Iutilidade (empresas de utilidade pública): +12,9%
  • Ifinanceiro (instituições financeiras): +12,7%
  • Idividendos (boas pagadoras de dividendos): +12,1%
  • IEE (empresas de energia elétrica): +9,8%

Jennie Li, estrategista de ações da XP Investimentos, diz que investidores têm procurado empresas de valor, mais defensivas. Por isso, índices como de empresas elétricas são mais resilientes, porque têm demanda mais recorrente e contratos ajustados pela inflação.

Os setores em destaque nos últimos meses --entre eles utilidades, energia, financeiro e empresas boas pagadoras de dividendos-- são reconhecidos pelo investidor como setores mais defensivos. Grande parte dessas companhias é considerada empresas de valor e possuem modelos de negócios mais previsíveis, resilientes, já consolidados e com demanda praticamente constante mesmo em anos de maior dificuldade.
André Venâncio, sócio e chefe de renda variável da Manchester Investimentos

Por outro lado, empresas de setores que dependem mais de crescimento econômico para acelerar as vendas e os lucros estão sofrendo mais este ano que a média da Bolsa, com variações negativas e desempenhos piores que o do Ibovespa.

  • Ibovespa: +3,5%
  • Iimobiliário (imobiliário): -0,5%
  • Imat (empresas de matérias primas): -5,4%
  • Iconsumo (empresas de consumo): -14,3%
  • Iindústria (indústrias): -14,8%
  • BDRX (índice dos BDRs): -31,2

Desempenhos positivos em 2022

O ano de 2022 tem sido marcado pela oscilação para a Bolsa e para outras aplicações de renda variável por causa do aumento dos juros no Brasil e no mundo, movimento que atrapalha o crescimento das empresas e da economia.

As incertezas políticas provocadas pelas eleições no Brasil e pela guerra na Europa também reduzem a previsibilidade dos investidores, de acordo com os profissionais entrevistados. E, por isso, as ações apresentam, de maneira geral, menor potencial de valorização.

Este ano ainda pegamos o efeito dos juros, então ações que são muito sensíveis a ciclo econômico, mercado interno ou de empresas muito endividadas estão sofrendo mais. Destacamos aqui, construção civil, varejo, e tecnologia. Em contrapartida, empresas com fluxo de caixa previsível e baixo endividamento estão menos afetadas.
Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama

Mas esse ambiente adverso afeta mais alguns setores que outros na economia. Segundo os especialistas, em momentos de incertezas ações de empresas de determinados segmentos apresentam menor volatilidade.

São setores da economia mais tradicionais, como o de concessões públicas, como energia elétrica. São atividades econômicas com um longo histórico e receitas e lucros mais previsíveis.

Por terem um comportamento mais regular, esses setores também apresentam, na média, potencial de lucro menor que outras áreas da economia, como tecnologia, que estão em fase de expansão.

Este ano, os setores que estão indo bem são mais defensivos e mais baratos. Com a expectativa de desaceleração da economia global, os investidores estão buscando setores mais defensivos, como o de utilidades, financeiro e de telecom, que estão indo bem.
Fernando Siqueira, Head de Research da Guide Investimentos

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Profissionais consultados pelo UOL dizem que ações desses setores mais conservadores e menos voláteis merecem ter participação na carteira dos investidores por dois motivos.

No curto prazo: os dois fatores que estão atrapalhando a Bolsa este ano —juros elevados e incertezas políticas— devem continuar no radar pelo menos até o primeiro trimestre de 2023. Assim, ainda é tempo para incluir ações desses setores mais defensivos na carteira para quem ainda não tem alguma aplicação neles.

A desaceleração econômica e o ciclo de aumento de juros nos Estados Unidos mal começaram. Então dá para esperar alguma continuidade. Mas é preciso ser mais seletivo, porque um bom pedaço deste movimento de busca por ações defensivas e baratas já ocorreu.
Fernando Siqueira, da Guide Investimentos

No longo prazo: independentemente da oportunidade este ano de investir nas ações de alguns desses índices setoriais que estão indo bem em 2022, essa estratégia vale também para o longo prazo como forma de diversificação da carteira.

Por terem um comportamento mais estável e menos volátil, essas ações de setores mais conservadores ajudam a amortecer as variações bruscas que as carteiras apresentam ao longo do tempo.

Setores de bancos e de elétricas são perfeitos para o investidor mais conservador, que não tolera muita volatilidade e deseja dividendos altos. Em contrapartida, esses nichos oferecem potencial limitado de apreciação.
Phil Soares, Órama

Como investir

Fundos de investimento

No mercado existem fundos de investimento que replicam esses índices setoriais. Nesse caso, o investidor pode consultar corretoras e gestoras de recursos para avaliar as opções disponíveis.

ETFs

Entre as opções de ETFs (Exchange Traded Funds), por exemplo, tem o FIND11, do setor financeiro. Para ações de dividendos, há o ETF DIVO11.

Ações

O investidor pode montar a carteira ele próprio, mas redobrando a cautela nesse processo, porque todo o trabalho de pesquisa e de gestão de recursos que o time de um fundo realiza ficará a cargo do próprio investidor.

Assim, ele deve buscar fontes de informação que disponibilizam análises e recomendações de investimento sobre as empresas antes de começar a aplicar.

Procurar ações individuais não é para todo investidor porque exige estudo e acompanhamento do que acontece. Uma alternativa pode ser as carteiras recomendadas das casas de análises.
Jennie Li, da XP Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.