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Empresa boa para ambiente e sociedade pode te render dinheiro; veja como

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Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/04/2021 04h00

Os debates sobre responsabilidade social e ambiental chegaram com força ao mercado de capitais e abriram espaço para o surgimento de fundos de investimentos especializados em empresas socialmente responsáveis. Esses fundos são voltados a empresas que cumprem algumas normas definidas como ESG (padrões ambientais, sociais e de governança, em inglês).

"Com esse novo mundo, com transformações na maneira de consumo ou com maior responsabilidade ambiental, essa sigla foi criada para conseguirmos ponderar quais empresas estão preparadas para essa transformação", afirma Caio Rodrigues, head de produtos da Speed Invest.

Mas, afinal, os fundos ligados ao ESG podem ser uma oportunidade real ou apenas mais uma moda passageira do mercado? Veja o que disseram especialistas ouvidos pelo UOL.

Fundos "verdes" podem gerar mais resultados

Segundo analistas, empresas que se enquadram nas políticas de ESG podem gerar melhores resultados e, assim, remunerar de maneira mais consistente os fundos e seus cotistas.

Nos últimos 12 anos, o índice MSCI ESG, criado em 2007 e composto pelas empresas listadas na B3 com as melhores práticas sustentáveis do país, apresentou retorno oito vezes maior do que o índice regular da empresa norte-americana, que engloba todas as companhias listadas por aqui.

Esse investimento tende a trazer um retorno melhor tanto financeiro, quanto em resiliência. No final das contas, [o ESG] é um ganha-ganha. É bom para o investidor dos fundos, que está investindo em melhor qualidade, e é bom para a empresa, que consegue baixar custos graças às práticas.
Vitor Bidetti, CEO da Integral BREI

Os fundos "verdes" movimentam mais de US$ 40,5 trilhões

Os fundos de investimento voltados ao ESG têm apenas empresas socialmente responsáveis e com boa gestão, mas eles podem ser formados por ativos variados, como qualquer fundo. Há fundos com aplicações a partir de R$ 100.

Esse tipo de investimento vem ganhando tração nos últimos anos. Segundo dados divulgados pela XP Investimentos, e produzidos pela Global Sustainable Investment Alliance (GSIA), em 2018, último ano disponível de estudo, cerca de US$ 30,7 trilhões eram gerenciados por fundos que definiram estratégias sustentáveis —número 34% maior do que mostrou o levantamento de dois anos antes.

Já no Brasil, de acordo com a consultoria financeira Opimas, o volume de dinheiro em fundos que consideram práticas de ESG em suas decisões de investimento quase dobrou para US$ 40,5 trilhões em 2020, frente os US$ 22,9 trilhões de quatro anos antes. Ou seja, a maioria dos gestores brasileiros, hoje, já adota algum filtro ESG antes da tomada de decisão.

Com o advento das plataformas digitais, os investidores estão se preocupando com o impacto que as empresas trazem para a sociedade. Esses fundos compram empresas que são comprometidas com governança, com sustentabilidade, que se preocupam em não causar impactos negativos.
Nelson Muscari, analista da Guide

Brasil tem 50 fundos "verdes"

De acordo com a consultoria Economatica, já há cerca de 50 fundos listados no mercado brasileiro que destacam no nome a busca por empresas que seguem os padrões ESG.

Nesta semana, a plataforma Vitreo lançou o primeiro fundo de investimentos do país a investir em crédito de carbono, por exemplo, já que as grandes empresas devem comprar esses créditos para compensar suas emissões de carbono na atmosfera.

A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, com US$ 8,6 trilhões sob gestão, e presente no Brasil desde 2008, colocou todo o montante sob filtros ESG desde o ano passado.

Estamos vendo um nascimento recorrente de novos produtos ESG. Isso existe pois há uma demanda. Os mais jovens no mercado deverão olhar [para esse tema] e saber que o ganho financeiro é importante, mas também temos outras aspirações.
Nelson Muscari, analista da Guide

Fundos "verdes" têm risco como qualquer outro

Apesar dos fundos ESG mirarem as empresas de melhores práticas no mercado, o investidor ainda necessita conhecer seu perfil de risco e gerir a proporção dos investimentos, para que ele não fique muito concentrado em apenas um tipo de fundo, como só de ações ou de crédito, por exemplo.

O cuidado necessário para o investidor é adequar o limite de risco, porque não é por ser ESG que não tem risco -- é um fundo normal, mas com um processo de gestão e análise diferente.
Nelson Muscari, da Guide

Além disso, o investidor também precisa se certificar de que o gestor do fundo ESG escolhido tenha competência na análise para conseguir filtrar empresas que realmente adotam as premissas sustentáveis das que apenas aparentam.

Existem algumas empresas que são falsas ESG, que fingem ser ESG para ganhar credibilidade, mas no fim das contas não estão adotando uma postura ESG. Escolher um gestor experiente, que faça bem essa análise, é primordial para o investidor.
Caio Rodrigues, da Speed Invest

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.