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CVC vende novas ações para reforçar caixa da empresa; vale a pena comprar?

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Imagem: Divulgação
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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/06/2022 14h45

Com o objetivo de captar R$ 477 milhões no mercado, a empresa de turismo CVC Brasil (CVCB3) lançou hoje (14) uma oferta de novas ações. Será que vale a pena participar?

Na sessão desta terça-feira, as ações da operadora de turismo tinham queda de 5,48% por volta das 14h30, para R$ 7,76. No ano, a desvalorização acumulada é de 38% e, nos últimos 12 meses, de quase 70%.

Por que a CVC está vendendo novas ações?

Quando a empresa vende novos papéis, como a CVC agora, os recursos dessa venda vão para o seu caixa, as ofertas são chamadas de primárias. Isso vale mesmo que ela já seja uma companhia de capital aberto e tenha feito seu IPO (sigla, em inglês, para oferta pública inicial).

"As empresas fazem essa operação porque precisam diminuir a alavancagem e melhorar o caixa", diz Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos. A alavancagem é o endividamento. Funciona como o limite do cartão de crédito. Assim, a companhia usa um valor maior do que tem em conta para investimentos, pagamento de contas.

A CVC afirmou que vai utilizar o montante que levantar para reforçar o capital de giro, fazer a empresa crescer e pagar parte do saldo devedor em aberto de debêntures de sua emissão.

"Leia-se: vender ações para pagar divida", diz William Teixeira, analista da Messem Investimentos.

A companhia informou que sua dívida líquida era de R$ 356 milhões no primeiro trimestre, relativamente estável em relação ao trimestre anterior e menor que a do primeiro trimestre de 2021 (R$ 600 milhões).

É bom negócio para o investidor?

"Essa nova oferta pressiona as ações", diz o analista. Segundo ele, o mercado não está para peixe, e os investidores estão preferindo partir para aplicações de renda fixa, em um cenário global de inflação. Ele não recomenda a compra das novas ações.

"No momento, não recomendamos os ativos da empresa devido ao momento desafiador do setor de turismo, aos custos elevados e a ajustes de gestão da empresa", afirma.

Para Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, a operação é positiva para a empresa. "Com a retomada da demanda de seus serviços em grande escala, ela estaria capitalizada para acompanhar esse momento de alta", afirma ele. "Para quem tem visão de longo prazo, vale sim."

Galdi analisa que, para quem já tem ação, comprar mais agora só faz sentido se a intenção for não ter sua participação acionária reduzida.

"Mas o investidor deve ficar atento: o potencial de oscilação para cima e para baixo dessa ação é muito grande, considerando alguns fatores incertos: rumo do dólar, eventual nova onda de covid, alta de juros, inflação e perda do poder aquisitivo." No curto prazo, segundo ele, a previsão é de baixa. "Retomada, só a longo prazo", afirma.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.