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10 empresas que mais perderam valor de mercado em 2022; vale investir?

Tony Gentile/Reuters
Imagem: Tony Gentile/Reuters
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/06/2022 04h00

Com o aumento dos juros e das incertezas econômicas, muitos investidores retiraram ativos da Bolsa brasileira e migraram para a renda fixa, o que é comum em momentos de crise. No entanto, esse movimento vem punindo diversas ações nos últimos meses.

Veja a seguir as 10 ações de empresas que mais perderam valor de mercado neste ano entre 1º de janeiro e 3 de junho, segundo dados da consultoria Economatica, e se vale a pena investir nelas esperando uma valorização futura.

  • Banco Inter (BIDl11, -59,01%)
  • Magazine Luiza (MGLU3, -50,28%)
  • Embraer (EMBR3, -47,70%)
  • Locaweb (LWSA3, -46,12%)
  • Méliuz (CASH3, -44,12%)
  • Alpargatas (ALP4, -43,48%)
  • Via (VIA3, -40,38%)
  • Americanas (AMER3, -40,26%)
  • Hapvida (HAPV3, -38,92%)
  • BRF (BRFS3, -32,50%)

Quais as perspectivas das empresas?

De acordo com o especialista da casa de análises INV, João Abdouni, o Banco Inter, que migrará neste mês da B3 para a Nasdaq, a Bolsa americana para os negócios de tecnologia, é a companhia que mais tem potencial de valorização nos próximos cinco anos.

A ação do banco digital, a R$ 11,34, é negociada a 1,3 vez o seu valor patrimonial. A relação entre o valor do papel e o patrimônio indica o quanto os investidores estão dispostos a pagar pela empresa.

"A relação sobre valor patrimonial está abaixo da do Itaú, sendo que o Inter cresce muito mais, até por ser muito menor. Há um potencial de crescimento para os próximos dez anos. Acredito que a instituição possa entregar rentabilidade sobre patrimônio próximo a 15% ao ano", afirma Abdouni.

Juros impactam empresas

De forma geral, as perspectivas para os próximos meses não são animadoras para as empresas que mais perderam valor de mercado no ano.

Para analistas, o principal fator que motiva a retração das ações é o aumento dos juros, que no Brasil passaram de 2% para os atuais 12,75% ao ano em pouco mais de 12 meses.

O analista de investimentos da Finacap, Felipe Moura, diz que Banco Inter, Méliuz e Locaweb (ambas de tecnologia) fazem parte do grupo das que estrearam há pouco tempo na Bolsa. Assim, precisam de tempo para gerar resultados.

"São empresas na fase de crescimento acelerado e precisam de muito capital no negócio. Na maioria das vezes, elas ou dão prejuízo ou dão lucros muito baixos", afirma Moura.

O analista da Finacap diz que, quando as taxas de juros estão elevadas, os investidores acabam tirando dinheiro de empresas com fluxos de caixa incertos para fazer aportes em companhias com caixas mais estáveis. Ele tem notado essa migração para ativos mais sólidos desde o final de 2021.

"O estresse na curva de juros acabou punindo esses ativos, porque eles concentram a maior parte do fluxo de caixa em um tempo maior. É diferente de uma Vale ou Petrobras, que negociam a múltiplos baixos porque geram lucros muito altos e têm a geração de caixa concentrada em períodos mais curtos", diz.

Por isso, vale a pena o investidor avaliar os fundamentos de cada empresa e colocar prós e contras na ponta do lápis antes de investir.

Varejistas sentem mais a crise

No caso do varejo, que inclui players como Magazine Luiza, Alpargatas, Americanas e Via (antiga Via Varejo, dona das Casas Bahia e Ponto), é um dos segmentos que devem ser evitados.

Os especialistas ponderam que as varejistas são impactadas pela inflação: a perda do poder de compra do consumidor gera uma dificuldade das empresas em repassar os aumentos nos custos.

Por isso, essas empresas são mais sensíveis em momentos de turbulência. Segundo Moura, da Finacap, foi uma "tempestade perfeita" para o setor.

"Esses ativos sofrem muito nesses momentos porque o consumo é menor. A inflação também está muito alta, o que impacta nas margens das companhias. E são empresas com margens baixas, uma vez que a estratégia é ganhar no volume", diz.

Além disso, o analista de investimentos da AF Invest Hugo Baião Baeta diz que a competição para varejo se acirrou de forma significativa.

Nos últimos anos, desembarcaram no Brasil plataformas chinesas como Shopee e AliExpress, por exemplo. "O e-commerce está sofrendo bastante por conta da perda de renda da população de classe mais baixa", declara.

Entre as companhias que devem ser evitadas, Abdouni, da INV, também aponta a Hapvida, a maior companhia de saúde do país. Ele destaca que a empresa tem um preço sobre patrimônio elevado e sofreu durante as sucessivas ondas de covid-19, o que impactou seus resultados.

Em janeiro, a Hapvida tinha o preço de sua ação em R$ 10,05, em comparação com os atuais R$ 5,85.

"O segmento em que ela atua, que são hospitais verticalizados, com margens baixas. E a companhia está sobrevalorizada, ou seja, tem espaço para cair bastante porque é um negócio que não é tão rentável quanto o mercado precificou no passado", afirma Abdouni.

A Hapvida mantém uma estratégia de consolidação de mercado nos últimos anos com cerca de 60 aquisições.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.