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Empresas têm recomprado as próprias ações; como investidor ganha com isso?

Vale, CSN, Totvs e Cosan anunciaram programas de recompra de suas ações; entenda por quê - Getty Images
Vale, CSN, Totvs e Cosan anunciaram programas de recompra de suas ações; entenda por quê Imagem: Getty Images
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

31/05/2022 04h00

Com investidores querendo se arriscar menos e a redução do valor de mercado na Bolsa, empresas como Vale (VALE3), CSN (CSNA3), Totvs (TOTS3) e Cosan (CSAN3) anunciaram, nas últimas semanas, programas de recompra de suas ações. Isso é conhecido no mercado como um sinal de que os papéis estão com valores descontados, ou seja, negociados abaixo do que realmente valem.

Mas por que as companhias de capital aberto fazem a recompra de ações? Como funciona esse mecanismo? Quais os ganhos para as empresas e seus acionistas? Confira a opinião de especialistas consultados pelo UOL.

Diferentes estratégias

O analista da Constância Investimentos, Gustavo Akamine, diz que, ao finalizar o ano fiscal, uma companhia de capital aberto tem várias decisões a tomar sobre como utilizar o dinheiro do caixa.

Os valores podem ser investidos em capital de giro, por exemplo, distribuído para os investidores na forma de dividendos ou em recompra de ações.

A decisão da recompra de ações leva em consideração, ainda, o nível de endividamento da companhia, já que também é possível utilizar os recursos para pagar dívidas.

Caso os executivos acreditem que é melhor pegar esse valor e investir nos projetos da empresa, isso é feito pela recompra de ações. Assim, quanto mais baratas ficam as ações, mais barato será a compra da empresa por seus projetos.
Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos

A trader da Infinity Asset, Naor Coelho, afirma que a recompra nada mais é a aquisição das ações negociadas na Bolsa de Valores — um movimento também conhecido como buy back (comprar de volta, em inglês), que acontece com a intenção de manter os papéis em tesouraria ou cancelá-los no mercado.

Na prática, é um sinal de que a empresa tem confiança no futuro a longo prazo.

Quando [uma empresa] vai ao mercado e recompra suas ações, a empresa está sinalizando que conhece os seus fundamentos, acredita que os papéis estão baratos e que vale a pena recomprar. Ela pode fazer o uso do bom caixa disponível e aproveitar um momento ruim do mercado por questões macroeconômicas, que não têm nada a ver com seus os fundamentos.
Naor Coelho, trader da Infinity Asset

No atual cenário, as empresas de capital aberto têm sido penalizadas com as reduções dos valuations por problemas como a guerra entre Ucrânia e Rússia e os lockdowns na China, que geram incertezas para os investidores. Nos próximos meses, a corrida eleitoral no Brasil também pode pesar negativamente.

Como funciona a recompra de ações?

O head de análise da plataforma de gestão de investimentos Dividendos.me, Guilherme Gentile, esclarece que, para fazer tal movimento, os executivos discutem o tema no Conselho de Administração da empresa em questão, para, posteriormente, protocolar a intenção de recompra de ações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A recompra deve ser comunicada ao mercado por meio de fato relevante e não pode ultrapassar o limite de 10% do total de ações em circulação.

"Fica a critério da empresa se a recompra será executada ou não. O comunicado não necessariamente significa que a compra será realizada", diz Gentile.

Há vantagens na recompra, mas é preciso cautela

Vantagens para a empresa

Ainda de acordo com head de análise da Dividendos.me, as empresas adotam a recompra dos seus papéis no mercado com a justificativa de que aquela é a melhor forma de alocação de capital excedente para o momento.

Para Coelho, da Infinity Asset, com as ações adquiridas, as companhias podem realizar um follow-on (uma oferta subsequente, quando há uma valorização) ou oferecer os papéis mais tarde como uma forma de recompensa aos acionistas (conforme há o aumento da participação na estrutura societária).

Vantagens aos investidores

Do lado dos investidores, a retirada de ações do mercado pode levar a um crescimento nos valores distribuídos por dividendos.

Vejamos um exemplo prático. Os acionistas tinham 100 mil ações de um total de 1 milhão. Agora continuam com as mesmas 100 mil, mas os papéis em circulação foram reduzidos para 900 mil. Logo, há um crescimento do compartilhamento dos lucros, uma vez que há menos papéis em circulação.

Desvantagens para a empresa

Uma desvantagem da recompra de ações para as empresas é a queda do lucro. "Como ela [a empresa] usou seu caixa para fazer a recompra de ações, automaticamente, no curto prazo, não vai ter caixa para distribuir na mesma quantidade de dividendos", diz Coelho.

Gustavo Akamine, da Constância Investimentos, pondera que se a companhia fizer a recompra em uma circunstância em que as ações estão supervalorizadas, pode pagar um valor elevado para financiar os seus projetos. Neste sentido, os papéis podem perder valor mesmo com um menor fluxo no mercado.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.