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Ganhei R$ 16 mi com criptomoeda, perdi quase tudo e virei filme

Glauber Contessoto, ex-milionário que investiu em dogecoin, criptomoeda meme - Arquivo pessoal
Glauber Contessoto, ex-milionário que investiu em dogecoin, criptomoeda meme Imagem: Arquivo pessoal
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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/07/2022 04h00

Nem tudo está perdido para Glauber Contessoto, o brasileiro que chegou a ganhar quase US$ 3 milhões (R$ 16 milhões) investindo em dogecoin, a criptomoeda do cachorro shiba inu. Com a queda das moedas digitais, ele perdeu quase tudo o que ganhou.

No fim de fevereiro de 2021, o paranaense que mora desde os seis anos nos Estados Unidos juntou tudo que tinha para aplicar US$ 250 mil em dogecoin. Contessoto tinha comprado a cripto por um valor equivalente a US$ 0,05. Viu a moeda inspirada no meme do cachorrinho shiba inu disparar em 16 dias e seu investimento chegou a US$ 1 milhão. O ápice foi em maio, quando a moeda alcançou US$ 0,64 e seu investimento, US$ 2,9 milhões. Mas uma única entrevista foi o suficiente para que ele visse seu investimento derreter.

"Você viu o Elon Musk no Saturday Night Live? Depois daquilo, em três dias perdi a maior parte do que ganhei", diz Contessoto ao UOL, que tem 34 anos. Na noite do sábado 7 de maio do ano passado, Musk, o homem mais rico do mundo, participou do programa americano de TV "Saturday Night Live". Durante a transmissão, ele, que vivia insuflando a cotação da cripto nas redes sociais, disse que a dogecoin era "apenas uma criptomoeda que se pode trocar por dinheiro convencional".

Foi o suficiente para o valor da dogecoin cair dramaticamente na mesma hora. Um mergulho de 40% que continuou afundando até hoje. Na última quarta-feira (13), ela estava cotada a US$ 0,06, ou seja, ou seja, só um centavo a mais do que o investidor pagou.

Desde novembro do ano passado, o bitcoin acumula retração de 71%. O ethereum, segunda moeda digital mais procurada por investidores, recuou 76,3%. Existe ainda outra criptomoeda inspirada na raça shiba inu, a shiba, que teve seu ápice em outubro do ano passado e vem caindo desde então, mas não foi nela que Contessoto apostou suas economias

Fundo do poço? Longe disso

Contessoto, que já foi chamado pelo jornal americano The New York Times de "Dogecoin Millionaire" (milionário da Dogecoin), não tem mais um milhão na conta. Mas está longe de não ter mais dinheiro algum.

O ex-milionário até trocou o Toyota Corolla todo batido que tinha por um Tesla novinho em folha. Mudou-se do estúdio minúsculo onde morava e trabalhava em Los Angeles, pelo qual pagava US$ 500 de aluguel, por uma casa grande e espaçosa, com varias suítes, em Las Vegas, pela qual paga US$ 2 mil mensais.

Ele continuou aplicando dinheiro em criptomoedas. "Ainda tenho US$ 300 mil em dogecoin. Mas agora eu diversifico: tenho US$ 100 mil em outras criptos, como bitcoin e ethereum", diz ele. Também tem dinheiro em floki coin, a moeda inspirada no cachorrinho de estimação de Elon Musk. E também aplicou outros US$ 100 mil em um investimento tradicional, num banco americano.

Ou seja, no fim das contas, Contessoto passou de um investimento de US$ 250 mil para um total de US$ 500 mil. Dobrou seu patrimônio.

Glauber Contessoto, ex-milionário que investiu em dogecoin, criptomoeda meme - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Glauber Contessoto com seu Tesla, carro luxuoso que comprou com seus investimentos
Imagem: Arquivo pessoal

História de filme

Foram tantos altos e baixos que toda sua saga até foi documentada pela produtora Optmist Films, que acompanhou o investidor por um ano, com filmagens quase diárias, terminadas em fevereiro. O resultado, o documentário "This is not a financial advice" (Este não é um conselho financeiro), ainda não tem data marcada para ser lançado.

A produtora havia informado inicialmente ao UOL que o filme seria lançado na Netflix, mas o serviço de streaming negou isso. Diante dessa nova informação, a produção afirmou que estava apenas em negociação com a Netflix.

"Se eu me arrependo de alguma coisa? Talvez de não ter vendido pelo menos US$ 1 milhão quando eu tinha quase US$ 3 milhões", diz ele, que hoje tem um estúdio de música em casa, onde produz artistas do rap. Ele também virou uma celebridade das redes sociais e fatura com elas.

Desde que começou a investir, no ano passado, Contessoto passou a documentar sua jornada financeira pelo YouTube, Twitter e Instagram. Aconselhou muita gente a investir como ele - e essas pessoas também perderam com a queda das criptomoedas. "Entendo que estejam frustrados. Muita gente me xinga por isso. Mas essas pessoas perderam US$ 10 mil. Eu perdi US$ 3 milhões", diz.

Apesar de toda essa jornada, Contessoto continua acreditando em dogecoin e outras moedas digitais. "As moedas são como ações. Vão estar aí para sempre", afirma. Ele tem fé de que o que está vivendo agora é um período de baixa que vai passar. No mercado, os especialistas chamam esse tempo de "inverno cripto".

O que é "inverno cripto"?

O valor de uma criptomoeda varia conforme a quantidade de dinheiro disponível na economia mundial, conforme explica Álvaro Villa, chefe de vendas da Messem Investimentos. Quando o Banco Central norte-americano, o europeu ou o brasileiro aumentam os juros, como acontece agora, é como se ele tirasse dinheiro da economia. E se há menos dinheiro em circulação, o valor das criptos também cai.

Contessoto acredita que, como há mais gente investindo em criptomoedas agora, em relação a períodos anteriores, como em 2017, quando houve o último "inverno cripto", os ciclos de baixa podem ser menores e as moedas poderão se recuperar mais rápido.

Ele também tem outra teoria que sustenta suas esperanças na valorização das moedas digitais: os memes. A dogecoin existe desde 2013 e tem uma piada da internet como símbolo (o Shiba Inu com as sobrancelhas levantadas e cara de desconfiado). "Os memes são a linguagem da minha geração. A gente compartilha e ele se espalha. Então, por que isso não aconteceria também com uma moeda meme?", declara.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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Errata: o texto foi atualizado
A moeda não chegou a valer US$ 34, como a matéria dizia anteriormente, mas sim chegou a US$ 0,64. A moeda valia, na última quarta-feira, US$ 0,06, e não US$ 0,33.A matéria foi corrigida. O texto original, destacado em UOL Economia e na Home Page do UOL, informava que o documentário sobre a vida de Glauber Contessoto seria exibido pela Netflix, mas a empresa negou isso. A matéria foi corrigida.