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Empresas podem diminuir pagamentos a investidores; vou ganhar menos?

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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/07/2022 04h00

Os dividendos são uma parcela do lucro de uma empresa que ela paga aos seus acionistas. Se a empresa tem ações abertas na Bolsa, qualquer pessoa com ação recebe uma parte desse dinheiro.

Na primeira metade do ano, algumas companhias pagaram uma bolada em dividendos. A campeã é a Petrobras (PETR3 e PETR4). Com a alta do preço do petróleo, a estatal bateu recorde de dividendos pagos aos acionistas: foram R$ 48,4 bilhões distribuídos aos portadores de ativos da petroleira este ano. Mas esta festa está perto do fim, segundo um dos maiores investidores de ações no Brasil. Luiz Barsi disse, em entrevista à agência de notícias Reuters, que o nível dos rendimentos não deve se repetir.

Por que isso deve mudar? Quem paga os maiores dividendos são as empresas de commodities, de produtos básicos, como minério e petróleo. Elas são cíclicas, ou seja, seus preços são pressionados pela inflação. Com a recessão mundial, elas tenderão daqui para frente a ser mais conservadoras e a preservar o dinheiro em caixa, explica ao UOL Louise Barsi, sócia da empresa de educação financeira AGF (Ações Garantem Futuro) e filha de Luiz Barsi. Ao fazer isso, segundo ela, elas devem pagar menores dividendos.

Até agora, dentre as 10 maiores pagadoras de dividendos do ano, estão cinco ações do setor de energia elétrica, quatro de mineração (petróleo e ferro) e um banco.

As 10 ações que mais pagam (por rendimento de dividendos, em % e o total em reais por ação):

  1. Petrobras (PETR4) - 23,40% - R$ 6,658
  2. Petrobras (PETR3) - 21,69% - R$ 6,658
  3. CPFL Energia (CPFE3) - 12,08% - R$ 3,242
  4. Energias BR (ENBR3) - 10,47% - R$ 2,193
  5. Copel Energia (CPLE6) - 9,88% - R$ 0,626
  6. Cemig Energia (CMIG4) - 7,25% - R$ 0,731
  7. CSB Mineração (CMIN3) - 6,82% - R$ 0,459
  8. Banco do Brasil (BBAS3) - 6,78% - R$ 1,956
  9. Taesa Energia (TAEE11) - 6,39% - R$ 0,774
  10. Bradespar Minerais metálicos (BRAP4) - 6,31% - R$ 1,577
Fonte: Economatica. Valores até 14 de julho de 2022
Como vai ser daqui para frente? "Bancos e energia elétrica devem continuar pagando bem", diz Louise. As empresas desses setores são menos afetadas pela alta do custo de vida. No setor de energia, por exemplo, 16 concessionarias têm tarifas reajustadas pelo Índice Geral de Preço do Mercado (IGPM), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. O índice fica geralmente bem acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, a inflação oficial do País.

Romero Oliveira, especialista da Valor Investimentos concorda. Para ele, enquanto durar esse período de recessão mundial, as empresas de energia devem continuar pagando bons dividendos.

Mas, com a queda no preço, as empresas de produtos básicos deverão pagar bem menos. A Vale, por exemplo, publicou esta semana que sua previsão de produção de minério de ferro para o ano inteiro de 2022 deve ficar aproximadamente 7% abaixo do esperado, caindo para algo entre 310 e 320 milhões de toneladas métricas por ano (MTPA). A estimativa anterior era de 320 a 335 milhões de toneladas métricas anuais. Com menos dinheiro entrando, menores os dividendos.

E os impostos, podem aumentar? Toda vez que as companhias pagam bons dividendos, o governo passa a se interessar mais e começa-se a falar em aumentos de impostos para o setor.

Existe até uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 45/2019 que quer instituir a tributação sobre a renda conseguida com lucro e dividendo distribuídos por empresas a acionistas. "Mas essa conversa nunca vai para frente", diz Oliveira. Para ele, não é por isso que as empresas pagariam menos dividendos.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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Errata: o texto foi atualizado
A AGF não é fundo de investimento, como a matéria dizia anteriormente, mas sim uma empresa voltada para educação financeira. A informação foi corrigida.