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Além do Magalu: esta ação de varejo surpreendeu no ano; vale investir?

Loja C&A teve prejuízo na pandemia e está se recuperando - Divulgação
Loja C&A teve prejuízo na pandemia e está se recuperando Imagem: Divulgação

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/04/2023 04h00

A C&A surpreendeu o mercado nos primeiros três meses deste ano com uma valorização acima do esperado. Ela não está entre as mais conhecidas do setor, como Magazine Luiza (MGLU3) ou Via (VIIA3), dona das Casas Bahia, mas apresentou um crescimento no lucro surpreendente. A ação está subindo na Bolsa, enquanto concorrentes estão em queda.

Veja quais ações do varejo subiram e quais caíram no ano

A pedido do UOL, a Economatica levantou a variação das ações de varejistas — dentro e fora do Ibovespa — para saber o que mais rendeu no período.

  1. Magazine Luiza (MGLU3) +22,99%
  2. C&A (CEAB3) +16,59%
  3. Saraiva (SLED3) +0,30%
  4. Vivara (VIVA3) -1,47%
  5. Track & Field (TFCO4) +5,49%
  6. Petz (PETZ3) -8,79%
  7. Lojas Quero-Quero (LJQQ3) -11,19%
  8. Arezzo (ARZZ3) -20,17%
  9. Lojas Renner (LREN3) -22,49%
  10. Grupo Soma (SOMA3) -24,75%

Fonte: Economatica. O levantamento considera a variação das ações de varejo no primeiro trimestre 2023, de 3 de janeiro a 6 de abril.

Dentre as dez ações de varejo mais negociadas este ano, só quatro ficaram no positivo.

O que aconteceu com C&A?

A C&A, a segunda colocada, foi uma surpresa para o mercado. O papel da rede de lojas de vestuário cresceu 21,83%, alcançando R$ 2,82. Em seguida vêm Magazine Luiza, com 20,80%, Saraiva (em recuperação judicial) com 9,36%, e Track & Field, com 2,48%. As outras seis ficaram no negativo.

A ação vinha em queda desde junho de 2021. Só no ano passado, perdeu 62% do valor.

Em janeiro deste ano, a ação começou a crescer por causa de um boato de que a Renner estaria de olho na concorrente. Isso foi divulgado na coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, mas ainda não foi ainda confirmado. Esse boato fez a varejista começar a subir na Bolsa.

Mas a ação também cresceu depois de divulgar um lucro acima do esperado. No último trimestre do ano passado, ela lucrou 37,9% a mais do que no período anterior. O resultado foi surpreendente, segundo Eleven, principalmente porque houve frio numa época que deveria ser de calor, prejudicando a venda da coleção de primavera/verão. Menos clientes também visitaram as lojas por causa da Copa do Mundo.

Em uma semana, após o balanço, pularam 60%. Passaram de R$ 1,94 (1 de março) para R$ 3,11 (8 de março).

A ação da C&A vai continuar a subir?

O problema da C&A é a inadimplência. É um problema que atinge também outras varejistas e até bancos. Com os juros altos, os consumidores têm mais dificuldade de pagar suas dívidas.

Hoje, ela administra sua própria operação de crédito e cartão. Até o fim de 2021, era o Bradesco que administrava esses serviços financeiros.

Assim como estamos vendo a inadimplência impactando os bancos, vamos ver ela afetando as varejistas e a C&A está nesse meio.
Carlos Herrera, analista da Condor Insider

Para enfrentar essa crise, ela reduziu sua expansão. Uma alternativa para se manter saudável é puxar o freio na abertura de lojas, diz Felipe Leão, especialista da Valor Investimentos. "Em um ambiente macroeconômico e de consumo difícil, mostramos disciplina na abertura de lojas: reduzimos nossos investimentos em 45% ao longo do ano", publicou a varejista em seu demonstrativo de resultados.

Vale investir na C&A?

A ação ainda tem potencial para crescer, dizem especialistas. Herrera acredita que a ação pode chegar a R$ 4,50 no fim do ano. Devido aos riscos, entretanto, ele não recomenda a compra, mas também não aconselha a venda. É a mesma avaliação do BTG.

A XP também acredita na alta. O preço alvo é de R$ 3,50, potencial de 25,90% de valorização até o fim do ano.

A Eleven recomenda compra. A casa de análise acredita num potencial de valorização de 65%, com preço alvo de R$ 3,20.

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