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A crise da Light pode se espalhar para outras empresas na Bolsa?

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/05/2023 04h00

A Light, em recuperação judicial, viu suas ações despencarem no último ano. A concessionária de energia elétrica do Rio de Janeiro perdeu 37% do valor de mercado este ano. Essa queda pode chegar a outras empresas do setor de transmissão de energia? Veja o que dizem especialistas.

O que aconteceu com a ação

Em um ano, Light (LIGT3) perdeu 30% de seu valor de mercado. Hoje, vale R$ 1,79 bilhão. Em 12 meses, o papel caiu 38%, de R$ 7,64 para os atuais R$ 4,79. O mínimo foi no começo de abril, quando chegou a custar R$ 2,05.

A ação não faz parte do Ibovespa, principal índice da Bolsa. Isso ocorre com todas as ações de empresas que estão em recuperação judicial.

Mas desde que a empresa anunciou que pediria uma nova RJ, o mercado reagiu bem, e as ações subiram. Nos últimos 30 dias (26 de abril a 26 de maio), segundo a Economatica, a ação subiu 90%.

O que aconteceu com a Light pode chegar a outras empresas?

Com dívidas de R$ 11 bilhões, a empresa entrou em recuperação judicial no dia 12 de maio. A 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro aceitou o pedido de RJ da empresa. Entenda aqui a crise que a empresa enfrenta.

A crise na empresa, que distribui energia para 31 cidades do Rio de Janeiro, pode gerar preocupações para quem tem ações de companhias do setor de energia. Mas isso não deve acontecer com outras empresas do setor, segundo Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.

"O problema da Light é muito específico da região em que ela atua", diz Hungria. As condições que a Light enfrenta não são as mesmas das outras companhias de energia. Por isso, o especialista diz que não há riscos de o problema se espalhar.

A Light diz que perdeu cerca de R$ 1 bilhão só no ano passado devido ao roubo de energia e ligações clandestinas. A companhia disse que essa é a causa de sua inadimplência, o que trouxe uma queda no preço de suas ações.

O que afeta o setor de energia elétrica

A grande quantidade de chuvas nos últimos meses derrubou o preço da energia elétrica. Isso afeta principalmente as empresas geradoras de energia como Eletrobras (ELET3 e ELET6) e Auren Energia (AURE3).

Esse problema ainda deve se manter por alguns anos. Até 2024 ou até mesmo 2025, não deve haver aumento nos preços por conta das chuvas em alto volume que caíram no último verão.

Mas isso pode ser oportunidade para quem quer investir de olho no longo prazo. Para Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama, a queda nas ações por causa da chuva pode ser uma boa oportunidade para que o investidor pague barato agora nos papéis dessas empresas.

Vale investir no setor?

Vale investir na ação da distribuidora de energia Equatorial (EQTL3) e na transmissora Alupar (ALUP11), diz Hungria, da Empiricus. "Essas são ações muito estáveis mas que pagam bons dividendos", diz Hungria.

A XP recomenda a compra de Equatorial. No final de abril, por exemplo, a Equatorial pagou R$ 385,1 milhões em dividendos, o equivalente a cerca de R$ 0,35 por ação. A estimativa é que a ação passe de R$ 29,01 para um preço alvo de R$ 30, um potencial de valorização pequeno, de 3,41%.

O BTG recomenda compra da Alupar. O banco prevê que o preço atual da ação, de R$ 28, tenha um potencial de valorização em 12 meses para atingir R$ 29,92. Na semana passada, a empresa anunciou o pagamento de R$ 36,6 milhões em dividendos intercalares (referentes aos lucros do período atual). O valor corresponderá a R$ 0,04 por ação ordinária e preferencial.

A XP estima que a ação da Auren suba 19% em 12 meses, para R$ 17, mas não recomenda a compra, nem a venda. As ações da Auren variaram apenas 0,49% nos últimos 12 meses, para R$ 14,24.

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