Crescimento econômico dos EUA decepciona novamente

Washington, 29 Jul 2016 (AFP) - A economia dos Estados Unidos voltou a mostrar sinais de fragilidade e teve um crescimento decepcionante no segundo trimestre devido à queda dos investimentos, apesar do dinamismo do consumo dos americanos.

No segundo trimestre, entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 1,2% em ritmo anual, em cifras corrigidas por variações sazonais pelo departamento do Comércio.

Esta apática evolução, muito inferior ao crescimento médio registrado entre 2012 e 2015 (2,2%), surpreendeu os analistas, que se mostravam muito mais otimistas e previam uma alta de 2,6%.

A divulgação dos dados acontece em pleno debate sobre o vigor da economia americana entre o candidato republicano à eleição presidencial, Donald Trump, e sua adversária democrata, Hillary Clinton.

Outro dado preocupante: o departamento também revisou em baixa seus dados do primeiro trimestre, a 0,8%, contra 1,1% anunciado inicialmente, esboçando assim um panorama de desaceleração da economia americana.

A primeira economia do mundo se manteve, no entanto, no segundo trimestre graças a seu motor tradicional, o consumo dos americanos, que experimentou um forte aumento (+4,2%) e uma clara aceleração em relação ao primeiro trimestre (+1,6%).

Os americanos se lançaram em particular sobre os bens de consumo, cujas vendas dispararam 6,8%, ou seja, o crescimento mais forte dos últimos seis anos. Seu apetite pelos serviços também aumentou em relação ao trimestre anterior (+3,0%).

Outra boa notícia: o comércio exterior, que nos meses anteriores havia afetado o crescimento do país por causa da valorização do dólar, contribuiu positivamente no segundo trimestre.

As exportações aumentaram 1,4% (em contraste com uma queda de 0,7% no primeiro), enquanto que as importações continuaram caindo (-0,4%).

Estes bons dados em termos de comércio internacional parecem mostrar que a incerteza gerada pela votação de 23 de junho em favor da saída do Reino Unido da União Europeia ainda não chegou às terras americanas.

O Federal Reserve (Fed) já havia se mostrado sereno sobre o impacto do Brexit quando assegurou na quarta-feira que os riscos econômicos em curto prazo para os Estados Unidos haviam diminuído.

- Sem investidores - No entanto, esse dinamismo foi contrastado em parte pela queda do investimento privado, que experimentou sua maior queda dos últimos sete anos (-9,7%).

O investimento das empresas continuou, em consequência, diminuindo pelo terceiro mês consecutivo (-2,2%), enquanto que a dos particulares no setor imobiliário desabaram 6,1%, depois de ter aumentado 7,8% durante os três primeiros meses do ano.

O Estado federal e as administrações públicas estatais e locais também contribuíram para frear o crescimento econômico ao reduzir 0,9% de seus gastos em relação ao primeiro trimestre, uma redução sem precedentes nos últimos dois anos.

Estas notícias nutrem os especialistas mais pessimistas, que acreditam num cenário de contração da atividade econômica nos Estados Unidos.

"Continuamos achando que, nos Estados Unidos, terá início uma recessão no final de 2016 e que os números do PIB hoje confirmam nossas previsões", comentou Jason Schenker, da Prestige Economics.

O crescimento anêmico complica, em todo caso, a equação para a Fed. O banco central esboçou durante a semana um panorama bem mais otimista da economia americana, interpretado como o prenúncio de um possível aumento das taxas básicas antes do fim do ano, mas agora deverá rever seus cálculos.

Depois de ter aumentado suas taxas em dezembro passado pela primeira vez em quase dez anos, o Fed adiou em seguida a normalização de sua política monetária por falta de certezas suficientes sobre a solidez da economia americana.

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