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Apesar das incertezas, Trump assumirá os EUA com bonança econômica

Washington, 6 Jan 2017 (AFP) - Donald Trump ainda não tomou posse da Casa Branca, mas já se vangloria disso: sua eleição devolveu a confiança a milhares de negócios americanos, fortaleceu o consumo e evitou o deslocamento de empresas.

A fabricante de automóveis americanos Ford lhe deu mais argumentos, ao cancelar na terça-feira a construção de uma fábrica no México para investir nos Estados Unidos e criar 700 empregos, dando um "voto de confiança" à agenda econômica do futuro presidente americano.

Em dezembro, foi o fabricante americano de climatizadores Carrier que manteve 1.000 empregos nos Estados Unidos em vez de transferir a produção para o México, após um acordo com Trump, e mediante sete milhões de dólares de isenções fiscais.

"Já viram o que está acontecendo (...), e isso porque ainda nem estamos no cargo!", declarou o futuro presidente, que conquistou a Casa Branca com a promessa de atrair empregos e fábricas para os Estados Unidos.

Sua eleição fez os mercados operarem em alta, e o índice Dow Jones tem batido recordes desde as eleições de 8 de novembro, contradizendo as previsões de quebra econômica em caso de vitória do magnata na política.

"Antes de ter chances de ser eleito, ninguém prestava atenção em seu programa, que é precisamente o que as empresas querem: muita desregulação e redução de impostos", analisa Aparna Mathur, do centro de análise conservador American Enterprise Institute.

Desde que Wall Street se deu conta disso, manteve seu principal índice perto do patamar simbólico das 20.000 unidades.

- 'Obrigado, Donald!' -Vários analistas econômicos apontam um retorno do otimismo aos Estados Unidos. Segundo uma pesquisa do Federal Reserve da Filadélfia, de dezembro, a proporção de empresas que acreditam no futuro dobrou em um mês e a confiança dos consumidores é a mais alta em 15 anos. "Obrigado, Donald!", agradeceu a si próprio o presidente eleito.

Sua estratégia inédita de se dirigir pelo Twitter aos grandes grupos industriais (General Motors, Ford, Toyota) para que invistam nos Estados Unidos parece que rendeu frutos.

"Por parte dele, a campanha continua, e isso o faz parecer alguém para quem o emprego é realmente uma prioridade", avalia Mathur, acrescentando que Trump deverá passar a ter um comportamento mais tradicional quando estiver na Casa Branca.

O otimismo dos ambientes de negócios dos EUA se explica também por um fato político sem relação com a personalidade de Donald Trump: pela primeira vez, desde 2010, a Casa Branca e as duas casas do Congresso avançam com uma bandeira comum.

- Incerteza -"Há um sentimento geral de que poderão ser feitas mais coisas agora que o governo americano está unificado por trás do Partido Republicano", explica à AFP Mark Zandi, economista-chefe da agência de classificação de risco Moody's.

Durante o mandato de Barack Obama, o presidente democrata e o Congresso dominado pelos republicanos não deixaram de se enfrentar, provocando graves crises orçamentárias e impedindo qualquer reforma tributária nas empresas, desacreditada em todas as partes.

Segundo os especialistas, ainda falta muito para transformar o pequeno entusiasmo do qual o presidente se beneficia em um impulso durador e, neste contexto, as dúvidas ainda são muitas.

Trump prometeu um vasto plano de infraestruturas de contornos difusos e em dezembro o Federal Reserve falava de uma "incerteza considerável" sobre o programa do próximo governo.

Finalmente, a guerra comercial que Trump prometou empreender contra China e México poderá mudar o humor as multinacionais americanas, que dependem para muitas de suas atividades do exterior, enquanto a valorização do dólar encarecerá suas exportações.

"É preciso esperar para ver o que ele tem em mente", disse Zandi.

Ex-conselheiro na Casa Branca com Barack Obama, Jared Bernstein é mais contundente e prevê um futuro difícil caso Trump implemente seu programa de desregulação e de corte de impostos.

"Quem não sofre de amnésia econômica lembrará o que provocou a crise financeira", disse.

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