Dólar cai a R$ 5,13 após ata do Copom indicar cautela; Bolsa sobe

O dólar fechou com leve queda de 0,39% nesta terça-feira (14), cotado a R$ 5,13. Já o Ibovespa encerrou o dia com leve alta, de 0,28%, aos 128.515,49 pontos, após a ata da última reunião de política monetária do Banco Central brasileiro.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere- se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, a referência é o dólar turismo, e o valor é bem mais alto.

O que aconteceu

A ata da última reunião de política monetária do Banco Central brasileiro é destaque no mercado nacional. O documento mostrou que todos os membros da diretoria defenderam a adoção de uma política monetária mais contracionista e mais cautelosa, apesar da decisão dividida sobre o ritmo de corte da Selic.

Na última quarta-feira (8), o Copom anunciou uma redução no ritmo de afrouxamento monetário. Um corte de 0,25 ponto percentual na Selic foi realizado, para 10,50% ao ano, após seis quedas consecutivas de 0,50 ponto na taxa. Também foi abandonada a indicação para passos futuros da política monetária.

Abalando o apetite por risco nos mercados domésticos, a decisão sobre o corte foi tomada com divergência dos quatro diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles defenderam a manutenção do corte mais forte nos juros básicos, de 0,50 ponto. Essa dissidência levantou temores de que a diretoria do BC poderia se mostrar menos ortodoxa a partir de 2025, quando a maior parte da diretoria será formada por indicados do governo.

No entanto, a ata desta terça-feira mostrou cautela de todos os diretores do Banco Central, mesmo nos indicados pelo atual governo. Eles justificaram seu voto num corte mais intenso da Selic com a vontade de não desrespeitar a orientação futura anterior do BC, de que provavelmente reduziria os juros em 0,50 ponto em maio.

Mercado analisa a ata do Copom. "Acredito que houve um alívio geral na principal preocupação do mercado: o peso do voto político dentro do comitê", disse Eduardo Moutinho, analista de mercado do Ebury Bank. Na visão dele, "os principais riscos contra o real [estão] se dissipando, e a moeda deve se estabilizar a partir daqui".

Na mesma linha, o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, disse que a ata "sugere que o balanço do Copom é, em geral, mais cauteloso do que se presumia imediatamente após a reunião", acrescentando que isso poderá proporcionar algum apoio ao real.

Num geral, uma Selic mais alta no Brasil torna o real mais atraente para uso em estratégias de "carry trade". Nesses casos, investidores tomam empréstimos em países de taxas baixas e aplicam esse dinheiro em mercados mais rentáveis, de forma a lucrar com o diferencial de juros. Desta forma, a perspectiva de um Copom mais brando a partir do ano que vem jogaria contra o real num prazo mais longo. Devido a esse risco, a moeda norte-americana acumulou ganho de 1,73% na semana passada.

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Enquanto isso, no exterior, o dólar rondava a estabilidade contra uma cesta de moedas fortes. Os rendimentos dos títulos norte-americanos também avançavam, após dados divulgados hoje mostrarem que os preços ao produtor dos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado em abril.

O governo dos Estados Unidos divulgará na quarta-feira (15) o CPI (Consumer Price Index) de abril, o índice de inflação do país. Os investidores passaram a ver cerca de 60% de probabilidade de um corte nos juros pelo Fed (Federal Reserve; banco central dos EUA) em setembro, contra chance de 64% observada antes.

(Com Reuters)

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