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'Quando percebi, tinha 4.500 hectares', conta fazendeiro brasileiro

Rio de Janeiro, 30 Mar 2017 (AFP) - O técnico agrícola Amarildo Merotti, filho de pequenos produtores do estado de São Paulo, comprou algumas terras no fim dos anos 1980 no Mato Grosso, que, na época, começava a despontar como a nova fronteira da agricultura brasileira.

Para levantar capital, vendeu insumos agrícolas e comprou cabeças de gado para matadouros da região antes de começar a criar seu próprio rebanho.

O crescimento de sua atividade foi vertiginoso. O estado do Mato Grosso passou a abrigar rapidamente o maior rebanho bovino do país e a fazenda de Merotti acompanhou esse desenvolvimento. "Quando assustei [percebi], tinha passado de 102 hectares em 1988 a 4.500 hoje em dia. Meu rebanho passou de 300 a 9.000 cabeças", conta Merotti, que emprega 30 pessoas.

- Problemas logísticos - Primeiro, ele vendeu animais a grandes empresas, com acesso aos matadouros. Mas por volta de 2005 iniciou uma cooperação com a BRF, uma das gigantes do setor agroalimentício no Brasil.

"Aqui, nós devemos muito à indústria da carne, porque ela organizou a cadeia produtiva e permitiu que nos crescêssemos, facilitando nossa penetração nos outros estados e em outros países", explica Merotti, contatado por telefone pela AFP em sua fazenda na cidade de Cáceres, perto da fronteira com a Bolívia.

A BRF e a JBS construíram matadouros espalhados por todo o estado e impulsionaram a construção da rede viária.

"Antes, qualquer produtor daqui sofreu com questões logísticas. Demorava três ou quatro dias para viajar para Brasília porque não tinha estradas. Hoje, a viagem demora 14h", comenta Maretti, vice-presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

O empresário conta que gostaria de aumentar seu rebanho, mas não pode comprar mais terras, devido aos compromissos assumidos pelo Brasil contra o desmatamento ilegal.

- Melhorar a produtividade - "Nós temos um compromisso com o governo para não desmatar mais, então, para melhorar nossa produtividade, nós temos que reutilizar as áreas já abertas, fazendo uma recuperação de pastagens, fazendo uso de tecnologia para produzir mais em menos área", afirma.

"No fim do ano passado, investi 400.000 dólares em adubo para correção de solo, para recuperar pastagens", continua o fazendeiro, que diverge de alguns aspectos da política oficial.

"Nós somos contra o desmatamento ilegal. Mas tem alguns produtores que têm a área ainda toda fechada, então nada mais justo do que eles abrirem o que têm de direito, dentro da nova legislação. Todas as pessoas que têm direito a desmatamento, a gente apoia", afirma.

Na Conferência da ONU sobre o Clima de dezembro de 2015, em Paris (COP21), o governo do Mato Grosso se comprometeu a frear todo o desmatamento ilegal em 2020, dez anos antes do que o resto do Brasil.

Atualmente, o estado conta com 30,2 milhões de cabeças de gado bovino, quase o dobro de 1997, segundo o Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso (Indea-MT), órgão oficial.

O estado, que também é o primeiro produtor de carne do país, continua sendo considerado um dos principais responsáveis pelo desmatamento na Amazônia.

Apesar de uma queda de 6% entre agosto de 2015 e julho de 2016, o Mato Grosso é o segundo estado brasileiro que mais desmatou a Amazônia, com mais de 150.000 hectares (1.500 km²) de floresta derrubada, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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