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BC reduz previsão de crescimento do Brasil em 2019

28/03/2019 13h56

Brasília, 28 Mar 2019 (AFP) - O Banco Central (BC) reduziu, nesta quinta-feira (28), sua projeção de crescimento econômico em 2019 a 2%, frente a 2,4% esperados em dezembro, com forte revisão das expectativas na indústria diante das consequências da tragédia de janeiro na mina de Brumadinho da Vale.

Em seu Relatório Trimestral de Inflação, o BC explicou que a revisão se deve ao "crescimento no quarto trimestre de 2018 em magnitude menor do que esperada; aos desdobramentos da tragédia em Brumadinho sobre a produção da indústria extrativa mineral; às reduções em prognósticos para a safra agrícola; e, residualmente, à moderação no ritmo de recuperação" econômica.

A nova previsão está alinhada com projeções do mercado financeiro, que também espera expansão de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,55% em dezembro, antes da chegada de Jair Bolsonaro ao poder.

Desde então, as perspectivas pioraram, primeiramente com as publicações de resultados de crescimento decepcionantes de 2018, quando o Brasil cresceu apenas 1,1%, mesma cifra de 2017, sem conseguir fazer a economia realmente decolar, após dois anos de recessão, em 2015 e 2016.

Soma-se a isso uma redução das previsões de colheitas, que levou o BC a cortar pela metade - de 2% para 1% - a projeção de crescimento do PIB agrícola.

A projeção do PIB industrial caiu de 2,9% para 1,8%, em grande medida por causa da redução das atividades extrativistas, após a ruptura de uma barragem de rejeitos de mineração em Brumadinho, em Minas Gerais, que deixou mais de 300 mortos e desaparecidos e obrigou a Vale a suspender sua produção em diversas minas.

Nas últimas semanas, as tensões políticas cresceram dentro da maioria do governo, lançando mais um balde de água fria no entusiasmo dos mercados financeiros - sobretudo, acerca da possibilidade de uma rápida aprovação reforma da Previdência.

O índice Ibovespa da Bolsa de São Paulo chegou a subir mais de 13% em 2019, mas apenas em março registra um recuo de 3%, que reduziu sua expansão total a 4,5%.

Já o dólar está cotado em torno de R$ 4 - uma desvalorização da moeda brasileira em 4% em março.

Quanto à inflação, o BC estimou que se encontra "em níveis apropriados e confortáveis".

As expectativas do mercado são de uma alta de preços de 3,895% neste ano, abaixo do centro da meta do BC, de 4,25%, com tolerância de 1,5 ponto para cima, ou para baixo.

Neste cenário de crescimento fraco e inflação baixa, diversos analistas avaliam a possibilidade de o BC reduzir - mais cedo, ou mais tarde - sua taxa básica de juros, a Selic, que está em 6,5% há um ano, para incentivar investimentos e o crédito.

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