PUBLICIDADE
IPCA
+0,83 Mai.2021
Topo

Odebrecht esfria entusiasmo do mercado com Lava Jato

Josué Leonel

23/03/2016 15h15

(Bloomberg) -- A decisão da Odebrecht de fazer uma delação “definitiva” caiu como água fria no entusiasmo do mercado. A Lava Jato ajudou a derrubar o dólar e alimentou apostas em cortes de juros nas últimas semanas ao aumentar expectativa de impeachment. Agora, o receio é que investigações atinjam líderes da oposição, elevando a incerteza em cenário pós-Dilma.

Notícia de que a Odebrecht pode ter feito repasses a mais de 200 políticos, preocupa o mercado, diz João Paulo de Gracia, superintendente de câmbio da corretora SLW. Além do receio de que denúncias atingindo a oposição enfraqueçam o impeachment, o mercado se preocupa com o cenário que vai se desenhar caso Dilma seja afastada. “O impeachment pode não acabar nem a crise política, nem com a crise econÃ?mica. Isso poderia favorecer algum nome sobre o qual o mercado tem aversão, como o da Marina Silva”, diz Correa.

O blog de Fernando Rodrigues diz que 18 partidos diferentes estão envolvidos nas denúncias da Odebrecht. Aécio Neves aparece entre políticos citados. Michel Temer não aparece na lista.

O mercado vinha melhorando na ”certeza do impeachment”, precificando a mudança de governo, diz Carlos Kawall, economista do Banco Safra e ex-secretário do Tesouro. Não bastará o impeachment, contudo. Para consolidar o otimismo do mercado, será necessário que o novo presidente mostre condições de governabilidade, diz ele.

Sílvio Campos Neto, economista da Tendências, observa que a evolução da Lava Jato envolve riscos. “Não dá para falar que os depoimentos vão carbonizar só o governo”, diz o economista. Para ele, a delação premiada da Odebrecht traz cautela diante da possibilidade de as denúncias atingirem não apenas o governo, mas também a oposição.

O dólar sobe hoje após cinco dias de queda também como resultado da decisão do BC de elevar o volume no leilão de swaps reversos e expectativa de alta de juros nos EUA. Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da CM Capital Markets, a valorização recente do real ocorreu por conta da especulação com o impeachment, “não por fundamentos macro econÃ?micos”. Para ela, o dólar pode voltar rapidamente para acima de R$ 4,00 se tudo não andar de acordo com o que o mercado espera.

--Com a colaboração de Paula Sambo e Patricia Lara Para entrar em contato com o repórter: Josué Leonel em São Paulo, jleonel@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Adriana Arai aarai1@bloomberg.net, Telma Marotto

©2016 Bloomberg L.P.