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Dólar a R$ 3 ou a R$ 4,20? As apostas do mercado com ou sem impeachment

Josué Leonel

(Bloomberg) -- O mercado brasileiro prossegue em sua escalada positiva, com queda do dólar e dos juros futuros e alta da Bolsa. O investidor opera com um olho na votação de hoje do relatório do impeachment e outro nas expectativas para a votação em plenário, no próximo domingo.

O impeachment é aguardado por alguns analistas com uma avaliação binária, de tudo ou nada: se for aprovado, alta dos ativos brasileiros se acelera diante do otimismo com o surgimento de um novo governo capaz de implementar reformas que tirem o país da rota da crise.

O dólar poderia cair para até R$ 3. Se Dilma sobreviver, o mercado faz meia-volta no otimismo. Embora o viés positivo predomine, não há unanimidade nas análises.

A seguir, a avaliação de analistas e operadores do mercado sobre como será o pós-impeachment:

  • Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets:

Se o impeachment tiver uma vitória folgada na comissão hoje à noite, o otimismo com a vitória em plenário no domingo será reforçado.

Completado todo o processo no Congresso, a reação do mercado será ainda mais forte e o dólar poderá chegar a R$ 3,20. Caso contrário, a moeda deve retomar o nível de R$ 4. "Não houve nenhuma melhora dos fundamentos. A recuperação do mercado ocorreu apenas pela perspectiva de impeachment."

A euforia dos investidores, contudo, "será mais pela saída da Dilma do que por qualquer adoração do mercado pelo Michel Temer".

Mesmo no caso de o impeachment ser aprovado, em um segundo momento o mercado pode devolver parte dos ganhos, passando a monitorar as chances de sucesso de um eventual governo comandado pelo vice-presidente.

Embora veja Temer como mais preparado para obter apoio no Congresso, o mercado reconhece que um novo governo continuará enfrentando dificuldades para aprovar reformas.

  • João Pedro Ribeiro, analista da Nomura Securities:

As chances de o impeachment ocorrer logo são superiores a 50% e a tendência favorável está aumentando. Mudança de governo pode levar dólar a entre R$ 3,20 e R$ 3,40. Sem impeachment, iria a R$ 4,20.

Analistas esperam vitória do impeachment na comissão hoje, "mas o tamanho da vitória importa". Se a vitória for apertada, será neutro ou ligeiramente negativo para o mercado.

  • João Paulo de Gracia Correa, superintendente de câmbio da corretora SLW:

Mercado vive "euforia" com aumento das chances do impeachment desde que o procurador Janot reverteu sua decisão anterior favorável à ida de Lula para o ministério e com a delação da Andrade Gutierrez.

Caso quebre a barreira de R$ 3,50, dólar pode buscar R$ 3,40. Sustentação do otimismo vai depender de o novo governo mostrar que pode aprovar as reformas fiscais. Sem o afastamento de Dilma, "o dólar volta para onde veio", para o patamar de R$ 4.

  • Win Thin, estrategista-chefe para mercados emergentes do Brown Brothers Harriman:

A reação do mercado deve depender mais do cenário global. Se a alta de juros do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) retornar ao radar, as moedas de países emergentes voltarão a ser pressionadas, inclusive o real.

"Eu tenho consistentemente alertado nossos clientes de que o mercado está ficando excessivamente otimista com o impeachment. Ele não é uma varinha mágica que vai curar todos os problemas do Brasil. O dólar a R$ 3 é possível, mas não penso que seja um cenário provável. Seria mais provável o dólar ir para R$ 4 do que para R$ 3."

  • André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos:


"Eu sugiro cautela ao operar Bolsa olhando o Brasil. A gente tem um movimento de liquidez. No ano, a maioria das moedas ganhou contra o dólar, a nossa ganhou um pouco mais. A gente está vendo uma coisa não muito ruim com commodities.

Para além da questão política, tem ativos brasileiros que estão em linha com condições globais de liquidez. Na minha opinião vai ter impeachment. Mas vamos supor que não passou, isso não quer dizer que é o fim do mundo."

  • Juan Carlos Rodado, diretor da Natixis North America:

Muitos operadores estão prevendo dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,40 com o impeachment, mas há muita incerteza. "E se o vice-presidente também for afastado? Quem vai ganhar as próximas eleições?"

O BC deve cortar juros e ampliar colocação de swaps reversos (contratos equivalentes à compra futura de dólares) no câmbio. A inflação está começando a recuar e a queda do dólar também pode a ajudar a aliviar a inflação. Na Bolsa, o cenário político e alta do petróleo contrabalançam a deterioração da qualidade do crédito. Passado o impeachment, o mercado deve ficar mais seletivo.

  • Luiz Fernando Figueiredo, CEO da Mauá Capital, em entrevista em 17 de março:

Com novo governo abraçando nova agenda de reformas, câmbio pode ir para perto de R$ 3 ou abaixo. "Nova agenda nos deixará em situação mais favorável para chegar em 2018 com governo eleito para tratar de problemas mais estruturais."

Mercado melhora porque "a solução institucional está clara, é o impeachment".

(Com a colaboração de Paula Sambo, Marisa Castellani, Filipe Pacheco, Patricia Lara e Andressa Lelli)

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