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China corre para enfrentar Tesla no mercado de carros elétricos

Bloomberg News

(Bloomberg) -- William Li não é o típico empreendedor chinês ilimitadamente otimista do setor de tecnologia. Sim, o fundador da startup NextEV tem grandes planos para revolucionar o mercado de carros elétricos da China, conta com o apoio financeiro das potências de capital de risco Sequoia Capital e Hillhouse Capital e considera o fundador da Tesla Motors, Elon Musk, uma inspiração.

Dito isto, ele calcula sua chance de sucesso no veloz mercado automotivo da China em impressionantes 5 por cento. E acredita também que a maioria dos novos modelos de negócios para carros elétricos que está sendo cogitada pelas empresas de tecnologia acabará no ferro-velho.

"Existe um abismo exponencial entre criar um carro-conceito e a produção de massa, e depois realmente vendê-lo", disse Li. "A Tesla abriu muitos novos caminhos e inspirou uma série de empresas on-line a seguirem seu exemplo, mas a maioria não tem ideia do que está enfrentando".

É provável que haja sabedoria nesse realismo intransigente. No momento em que os executivos da indústria automotiva internacional se reúnem para o Salão do Automóvel de Pequim 2016, uma enxurrada de dinheiro está inundando o mercado de veículos de energia alternativa do país, categoria que inclui automóveis elétricos, híbridos plug-in e carros movidos a célula de combustível. Em um país com algumas das piores taxas de poluição atmosférica urbana do planeta e com uma população que está se urbanizando rapidamente, o potencial de crescimento do mercado parece grande demais para ser atendido pelas empresas de carros convencionais e pelas startups de tecnologia.

O governo chinês está promovendo o que considera um setor estratégico com grandes subsídios para empresas e consumidores. Ele deseja que as vendas de veículos de novas energias supere 3 milhões de unidades por ano em 2025, contra 330.000 em 2015. Em fevereiro, o premiê Li Keqiang exortou o governo local e os operadores do setor a acelerarem a construção de instalações de recarga para acomodar 5 milhões de veículos elétricos em 2020.

No momento, o setor de carros elétricos é dominado pela BYD, fabricante de automóveis com sede em Shenzhen, na qual a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, tem uma fatia de 9 por cento. A empresa tem 18 por cento de participação no mercado de veículos de novas energias da China. No salão de Pequim, a BYD comercializará seu novo SUV de entrada, chamado The Yuan, em alusão à dinastia chinesa do século 13, que é vendido a partir de 209.800 yuans (US$ 32.368) a versão híbrida.

A Tesla também opera na China, onde comercializa o Model S e o Model X, mas a fabricante com sede em Palo Alto, Califórnia, gostaria de ter uma importância muito maior. Nos três primeiros trimestres de 2015, a empresa vendeu 3.025 veículos na China, resultado que contrasta com as 11.477 unidades entregues pela BYD. A empresa chinesa também vende seus veículos elétricos nos EUA, na Alemanha e no Japão e superou a Tesla em maio, tornando-se a maior fabricante de veículos de novas energias do mundo no ano passado.

O sucesso da Tesla nos EUA e o desenvolvimento de tecnologias de carros autônomos pela Apple e pela Google também estão atraindo todo tipo de empresa de tecnologia ao mercado automotivo chinês, o maior do mundo.

Há quem vislumbre que os carros evoluirão para "plataformas de serviços de mobilidade", nas quais os passageiros recebem dados e serviços além de serem transportados do ponto A ao ponto B.

Dessa forma seria possível aproveitar os pontos fortes das empresas de tecnologia e o enorme e crescente mercado automotivo chinês poderia ser o laboratório perfeito para testar novos serviços e modelos de negócio, segundo Bill Russo, diretor-gerente da consultoria automotiva Gao Feng Advisory, com sede em Xangai.

Russo compara os automóveis de hoje com os telefones celulares de uma década atrás, quando os aplicativos começaram a ganhar popularidade. "À medida que os carros se tornarem plataformas de serviços de mobilidade, a tecnologia de bordo se tornará mais sofisticada", diz ele. As empresas de tecnologia poderiam terceirizar a produção automotiva, mas depois coletar uma receita recorrente oferecendo aos proprietários dos veículos produtos de dados e serviços de internet. "A Apple ganha dinheiro não apenas com o aparelho, mas com todos os serviços que fluem por meio dele", disse ele.

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