Análise: Economia dos EUA precisa largar vício em carros

Mark Whitehouse

(Bloomberg) -- Os americanos adoram carros. Contudo, seria reconfortante que a maior economia do mundo não dependesse tanto de que pessoas comprem mais carros com dinheiro emprestado.

Como o investimento empresarial está em queda e o dólar forte está reduzindo as exportações, o gasto do consumidor se transformou no principal motor de crescimento nos EUA -- e, portanto, em algo muito importante para o restante do mundo também. Contudo, os últimos dados sobre vendas de varejo sugerem que o gasto em bens teria recuado significativamente em julho se não fosse por uma grande alta em um setor: automóveis.

Apesar de ser um tanto extremo, o desempenho de julho ilustra uma tendência. As concessionárias de carros compreendem uma fatia desproporcional do crescimento das vendas do varejo desde que a recessão chegou ao fundo do poço em meados de 2009. No período de três meses finalizado em julho, eles responderam por quase um terço do aumento total (excluindo as vendas voláteis de gasolina) -- superados somente por varejistas sem lojas.

Além disso, parece que os consumidores estão pagando uma porção cada vez maior dessas compras de carros com dinheiro empresado. Até junho, a dívida automotiva total das famílias chegou ao número estimado de US$ 1,1 trilhão, segundo o Federal Reserve de Nova York. São quase US$ 100 bilhões a mais que no ano anterior, mais do dobro do aumento registrado pelas vendas de carros no mesmo período -- uma intensidade de crédito maior nas vendas do que em qualquer outro momento na atual expansão econômica.

Talvez a renda adicional por causa do fortalecimento do mercado de trabalho torne essa dívida acessível e permita que o gasto em outras categorias se recupere, o que produziria o tipo de demanda que estimula as empresas a investir e amplia o crescimento. Enquanto isso não acontecer, no entanto, a prevalência dos carros e do crédito mostra o quanto a perspectiva para a economia americana é precária.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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