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Intenções do Fed mostram afastamento das previsões econômicas

Christopher Condon

(Bloomberg) -- Havia algo incomum nas projeções que os integrantes do banco central americano apresentaram na semana passada.

O número de integrantes que elevaram o número de acréscimos de juros esperados para 2017 foi suficiente para aumentar a mediana de dois para três ajustes. Esse movimento foi ilustrado no gráfico de pontos conhecido como "dot-plot". Esta surpresa veio em 14 de dezembro, junto com a decisão do Federal Reserve de subir os juros pela primeira vez em um ano, e impulsionou o dólar e os rendimentos dos títulos, além de afastar as bolsas dos EUA de recordes recentes.

No entanto, as previsões econômicas divulgadas no pacote estavam praticamente inalteradas. Comparando com a projeção de setembro, a estimativa mediana de crescimento econômico no ano que vem avançou apenas 0,1 ponto percentual para 2,1 por cento, a taxa de desemprego esperada para o fim de 2017 recuou 0,1 ponto para 4,5 por cento e a previsão de inflação ficou estável em 1,9 por cento.

"O quadro geral é bastante inconsistente", disse Thomas Costerg, economista sênior para os EUA do Standard Chartered Bank, em Nova York. "Isso tende a sabotar os pontos. Qual é o recado que estão tentando transmitir?"

A dissonância contida no Resumo de Projeções Econômicas, divulgado trimestralmente pelo Fed, confundiu economistas, que tentam entender o que está por trás e quais são as verdadeiras intenções do Fed. A dúvida é entre a mensagem mais agressiva das previsões para os juros (que sugere maior disposição das autoridades para apertar a política monetária em resposta a progresso econômico até modesto) ou as projeções estáveis que se alinham à paciência exibida no passado quando se trata de ajustar os juros.

Para John Bellows, gestor de carteiras da Western Asset Management, em Pasadena, na Califórnia, parte da diferença pode ser causada pela perspectiva de medidas fiscais expansionistas durante a presidência de Donald Trump. Segundo ele, esse panorama pode ter sido incorporado às perspectivas para os juros pelos integrantes do Fed, sem que eles tenham reavaliado suas previsões econômicas.

Costerg acrescentou que as autoridades talvez tenham incorporado a alta das bolsas desde a eleição presidencial. Entre 8 de novembro e o primeiro dia da reunião do Fed na semana passada, o S&P 500 avançou 6,2 por cento.

Apetite por risco

"Talvez as bolsas tiveram seu papel e os ativos de risco tiveram seu papel na inclinação por mais aperto, embora as pessoas não acreditem que chegou a hora de mudar previsões", ele disse.

Para Roger Aliaga-Diaz, economista sênior na gestora de recursos Vanguard Group, em Valley Forge, na Pensilvânia, a movimentação dos "dots" simplesmente acompanha o fortalecimento da economia há vários meses e poderia ter justificado uma elevação dos juros já em setembro.

A questão ganhou complexidade com uma declaração da presidente do Fed, Janet Yellen, durante a entrevista coletiva realizada após a reunião de dois dias da instituição. Segundo ela, alguns integrantes, mas não todos, começaram a incorporar em suas previsões hipóteses sobre políticas fiscais prospectivas sob o comando de Trump

Embora as estimativas trimestrais do Fed jamais apresentem um conjunto uniforme de opiniões, o potencial estímulo fiscal de Trump representa um fator atipicamente grande e desconhecido para o banco central, de acordo com Thomas Simons, economista da Jefferies, em Nova New York. Para ele, teria sido melhor que todos excluíssem esse fator: assim, os economistas teriam pelo menos a projeção básica do Fed excluindo mudanças fiscais.

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