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Toshiba diz que baixa contábil pode atingir bilhões de dólares

Pavel Alpeyev, Finbarr Flynn e Tesun Oh

(Bloomberg) -- A Toshiba não consegue superar seus problemas de contabilidade.

A empresa japonesa, que pagou uma multa recorde por suas práticas contábeis há um ano, alertou que agora pode ter que pagar outra multa de vários bilhões de dólares relacionada a uma aquisição realizada pela unidade americana Westinghouse Electric.

As ações da companhia caíram 12 por cento, para 392 ienes, no fechamento de terça-feira em Tóquio, maior declínio desde dezembro de 2015, após relatos iniciais de que a empresa poderá contabilizar um prejuízo de até 500 bilhões de ienes (US$ 4,3 bilhões). A Toshiba emitiu um comunicado após o fechamento do mercado afirmando que embora ainda precise ser determinada, a baixa contábil final afetará os lucros.

O prejuízo está relacionado a uma disputa sobre o valor da aquisição de uma empresa de construção nuclear chamada CB&I Stone & Webster feita pela Westinghouse. O jornal Nikkei afirmou que a baixa contábil seria de cerca de 100 bilhões de ienes, enquanto a emissora japonesa NHK afirmou que o valor poderá chegar a 500 bilhões de ienes. Um prejuízo do tipo eclipsaria os 168 bilhões de ienes em lucro líquido que os analistas vinham projetando para o ano fiscal atual da Toshiba até março. A companhia com sede em Tóquio contabilizou um prejuízo de 460 bilhões de ienes no ano passado.

"Prevemos que, se a reportagem estiver certa, a frágil situação financeira da Toshiba será prejudicada ainda mais", disse Takeshi Tanaka, analista do Mizuho Securities.

A Toshiba não deu mais detalhes no comunicado de terça-feira à Bolsa de Valores de Tóquio, limitando-se a informar que a baixa contábil excederia o montante inicialmente previsto de US$ 87 milhões e que provavelmente seria de bilhões. O aumento dos valores está relacionado a custos de projeto por parte da CB&I Stone & Webster, que foi adquirida pela Westinghouse Electric em janeiro.

O risco dos títulos da Toshiba teve a maior alta em mais de 10 meses após as reportagens na imprensa, na terça-feira. O custo para proteção contra o não pagamento pela Toshiba subia 50 pontos-base, para 135 pontos-base, às 13h50 em Tóquio, segundo dados de um trader de swap de crédito (CDS), que pediu para não ser identificado. O CDS da empresa caminha para o maior ganho desde 8 de fevereiro, segundo dados da CMA. Os contratos estavam em 84,4 pontos-base na segunda-feira.

As ações da Toshiba haviam subido 77 por cento neste ano até segunda-feira com a recuperação de um escândalo contábil que custou os empregos de três presidentes, gerou prejuízos recorde e forçou a companhia a reduzir pessoal e a vender negócios. O conglomerado, que fabrica desde refrigeradores, chips e computadores até equipamentos para energia nuclear, também está sendo processado por acionistas, que o acusam de enganá-los em relação às suas finanças.

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