Milho pode ser grande vítima das mudanças climáticas

Deena Shanker

(Bloomberg) -- O clima sempre foi um elemento imprevisível da agricultura, mas as mudanças climáticas deverão piorar significativamente a situação. Historicamente, determinar o quanto a situação pode piorar é um desafio. Um novo estudo, contudo, afirma que a seca provocada pelo clima pode atingir várias das maiores regiões produtoras de milho do mundo ao mesmo tempo.

O Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, usou uma nova abordagem para determinar a probabilidade de estresse hídrico severo em três grandes regiões produtoras de milho responsáveis por 40 por cento da produção global. Em vez de utilizar dados históricos observados - que, segundo descobertas dos pesquisadores, subestimam seriamente o impacto das mudanças climáticas --, o novo estudo usou um modelo que se concentra no estresse hídrico. Os autores observaram as limitações do estudo, incluindo sua dependência de um único modelo climático, e aconselham os pesquisadores a utilizar diversos modelos no futuro.

"O importante é que descobrimos que o estresse hídrico em larga escala é fisicamente possível em lugares onde o fenômeno não foi observado nos últimos 30 anos", concluíram os pesquisadores.

Poucos produtos agrícolas são tão onipresentes quanto o milho. Graças à capacidade de adaptação geográfica e à maleabilidade genética do grão, ele está presente em praticamente todas as partes da dieta ocidental. Está no ketchup, no refrigerante, no pão e nos doces. É o principal grão usado como ração nos EUA, alimento básico na atualidade para vacas, porcos e galinhas. Em 2016, os EUA colheram cerca de 35 milhões de hectares, produzindo 15,1 bilhões de bushels a um valor total de US$ 51,5 bilhões.

"Não vimos uma grande seca nos EUA e na China no mesmo ano nos últimos 30 anos", disse Chris Kent, pesquisador principal do estudo. "Nossas simulações indicam que esse tipo de cenário é possível no clima atual."

Para simular as condições climáticas atuais, os pesquisadores usaram um supercomputador para criar 1.400 simulações do clima entre 1981 e 2015, fornecendo 40 vezes mais dados do que aqueles disponíveis apenas por meio de observações.

As descobertas são alarmantes. A probabilidade anual de que um estresse hídrico severo afete as regiões é de 30 por cento, ou um em cada três anos. Nos EUA, a chance de que os seis estados do Cinturão de Milho sofram simultaneamente um estresse hídrico grave é de cerca de 20 por cento por década. Eventos similares ocorreram em 1988 e 2012, observaram os pesquisadores, levando a prejuízos estimados em mais de US$ 30 bilhões em colheitas. No caso das três províncias da Planície do Nordeste da China, a probabilidade de uma província sofrer um estresse hídrico grave é de 33 por cento por década, coerente com outras estimativas observacionais. Contudo, o modelo também incluiu simulações -- sem precedentes em conjuntos de dados observacionais -- em que duas ou até três dessas regiões globais atravessam estresse hídrico severo simultaneamente.

No geral, o novo modelo concluiu que as probabilidades de estresse hídrico severo são "consideravelmente mais elevadas" do que as previsões anteriores baseadas em observações. As chances de que grandes faixas dessas regiões produtoras de milho sejam atingidas pelo estresse hídrico severo ao mesmo tempo é de 6 por cento por década.

Para entrar em contato com o repórter: Deena Shanker em New York, dshanker@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editora responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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