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Salmão fugitivo do Atlântico gera frenesi na costa oeste dos EUA

Noah Buhayar

(Bloomberg) -- Em um gigantesco depósito refrigerado a 144 quilômetros ao norte de Seattle, nos EUA, havia 43.500 salmões do Atlântico empilhados em caixas de plástico, párias congelados no reino onde o salmão do Pacífico é rei.

Durante semanas, os moradores da área utilizaram redes para perseguir os intrusos, não para comê-los ou vendê-los, mas para tirá-los da água. Pescadores do lugar, que trabalham no estuário de Puget há décadas, zombavam deles pelo aspecto diferente. Chefs e gourmets se recusavam até mesmo a tocá-los com a faca. Os cientistas, porém, dizem que eles são perfeitamente comestíveis -- uma boa fonte de proteína em um mundo onde cada vez mais gente poderia aproveitá-los. Mas ninguém estava interessado.

Os salmões do Atlântico são fugitivos, foragidos de um polo de piscicultura. Em meados de agosto, eles começaram a sair dos tanques-rede ao largo do litoral de Cypress Island, ao norte de Seattle. Para muitos no litoral noroeste do Pacífico, eles são aliens feios e doentes com genes ruins e sabor desagradável.

Para a Cooke Aquaculture, dona dos tanques-rede, os salmões fugitivos têm sido um pesadelo. A empresa de capital fechado provocou a indignação da opinião pública ao culpar inicialmente a eclipse solar pelas marés e correntes fortes que destruíram suas instalações. Os dados mostraram outra coisa e a empresa retirou o que disse. A causa exata está sendo investigada.

Temporada aberta

Pouco depois da fuga, os órgãos reguladores do estado de Washington emitiram um pedido de ajuda incomum declarando aberta a temporada do peixe. Pescadores de vara, comerciais e amadores, entraram na água para capturar todos os que conseguissem antes que o peixe pudesse afetar as espécies nativas do Pacífico, como o salmão-prateado, o salmão-cão e o salmão-rei.

Dana Wilson, membro da Nação Lummi, estava pescando na baía de Bellingham quando ouviu falar sobre o derramamento. Ele chegou rapidamente na fazenda -- ou no que restava dela. A grade de plataformas que sustentava os tanques-rede em uma baía tranquila tinha virado um monte de metal retorcido.

"Era uma loucura", disse Wilson. "Tinha peixe saltando para todo lado".

Wilson disse que sua maior preocupação era que o salmão do Atlântico prejudicasse a desova das espécies nativas. O estoque do Pacífico tem sido o centro de Lummi há gerações. A tribo declarou o estado de emergência e chamou seus membros para irem pescar. Trabalhando quase 24 horas por dia, Wilson e outros pescadores começaram a rastrear o salmão em enseadas e a colocar redes nas praias.

"Eles não tinham cheiro de salmão", disse Wilson. Muitos pareciam normais, mas outros estavam deformados, com as mandíbulas "apontando para duas direções diferentes", disse ele. "Eu não os comeria."

Em um lapso de semanas, Wilson e outros pescadores Lummi conseguiram pescar cerca de 177.350 quilos, que armazenaram em locais refrigerados em Bellingham, Washington, enquanto pensavam o que fazer com eles. No fim de setembro, eles estavam negociando uma venda à Cooke.

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